Bate-papo com José Meciano

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José Meciano
José Meciano

Na abertura do ano letivo de 2016, realizada no dia 29/2, no Teatro Mário Lago, o palestrante convidado foi o neurocientista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp) José Meciano Filho, que falou da “Geração Z em sala de aula sob o enfoque da neurociência”. Nesta entrevista, Meciano conta como o desenvolvimento da neurociência contribuiu para uma melhor compreensão do processo da aprendizagem.

Na aula inaugural do Colégio Pedro II o senhor tratou do tema “Geração Z sob o enfoque da neurociência”.  O que vem a ser a neurociência?

JM – A neurociência é um conjunto de ciências, formado pela neurologia, neurofisiologia, neurofarmacologia, neuropsicologia e neuroimagem.

Essa é uma área da ciência relativamente nova. Como e quando surge a neurociência?

JM – Há cerca de 35 anos surgia a neuroplascitidade, que é a estimulação de áreas específicas do cérebro visando ao crescimento de brotos neuronais e à formação de novas sinapses. Até então, sabia-se que não havia formação de novas células no sistema nervoso a partir do nascimento do indivíduo, exceto em duas áreas, o hipocampo, região relacionada à memória, e o bulbo olfatório (relacionada ao olfato). Mas foi com o advento do PET scanning, aparelho que faz neuroimagem funcional, um exame de imagem surgiu há cerca de 20 anos na clínica, que se tornou possível a avaliação do funcionamento dinâmico do sistema nervoso. Com esse exame, podemos detectar no cérebro a sequência do processamento de uma informação, desde a etapa da sensação até sua interpretação pelo indivíduo.

O que são sinapses?

JM – Primeiro vamos entender o que são neurônios, que são as células nervosas onde se processam as informações. Uma sinapse é um ponto de contato entre dois neurônios, onde ocorre a transmissão do impulso nervoso de um neurônio para outro. No caso do homem, as sinapses são principalmente químicas. Ou seja, elas utilizam neurotransmissores para efetuar a passagem de um neurônio para outro. Nós somos sempre mediados por produtos químicos. Grande parte dos distúrbios neuropsicológicos, como depressão, déficit de atenção, hiperatividade, transtorno bipolar, entre outros, são provocados pela falta ou excesso de neurotransmissores.

cerebroA Neurociência estuda então o funcionamento do cérebro?

JM – Todo esse conjunto de áreas que compõem a neurociência propicia um melhor conhecimento funcional do cérebro, possibilitando um melhor diagnóstico e uma intervenção mais orientada e segura pelos profissionais que atuam nessas áreas.

O senhor falou na neuroplasticidade e na estimulação de áreas específicas do cérebro. Como se dá esse estímulo?

JM – A estimulação é tátil, mas também cognitiva. Na sala de aula, principalmente na Educação Infantil, são muito utilizadas texturas, sons, estímulos visuais. Isso não é à toa. Os professores muitas vezes não têm noção da importância neurocognitiva dessas atividades muitas vezes chamadas de lúdicas.

E como são os estímulos cognitivos em sala de aula?

JM – Eu gosto de indicar a Metodologia Ativa, aquela na qual os professores incentivam os alunos a buscarem soluções para os problemas. O uso de jogos ou problemas propostos para os alunos desenvolverem são vistos pelos estudantes como desafios a serem resolvidos. Essa metodologia pode e deve ser adotada em todas as disciplinas.

É importante que o professor entenda sobre os processos cognitivos?

JM – Com certeza. Ensinará melhor o professor que souber como se processam as informações no cérebro, quando ocorrem as modificações do sistema nervoso. Para isso, existem hoje muita informação disponível e muitos cursos de capacitação.

O senhor sempre ressalta em suas palestras a importância do afeto na relação aluno/professor. Fala mais sobre esse tema?

JM – É essencial que o professor de envolva afetivamente com seus alunos. Saber acolher, conhecer um pouco a respeito do aluno, sua história, suas preferências é muito importante para o aprendizado. O professor precisa falar menos em sala de aula e procurar ouvir mais os alunos. Proponho sempre uma dialética da e na sala de aula.

 

 

Por Denise Moreira

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