Bate-papo com Nathanael Papi

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Discurso na pleaária final

No mês de setembro, o aluno do Campus Realengo II, Nathanael Papi, teve a oportunidade de participar do Parlamento Jovem Brasileiro. Além de conhecer o cotidiano da Câmara dos Deputados, Nathanael apresentou um Projeto de Lei que propõe que, em formação inicial e continuada, os docentes estudem técnicas de ensino voltadas para Portadores de Necessidades Específicas com pedagogias específicas para cada tipo de deficiência. Em entrevista, o aluno conta detalhes de como foi participar do programa:

 

Como foi a experiência de participar do programa?
NP: O programa foi uma experiência única, de aprender coisas que dificilmente nós temos contato no cotidiano. Viver na pele o processo legislativo foi uma ótima forma de aprender a coisa complexa que é o funcionamento desse poder, os caminhos que um projeto de lei segue, as articulações que precisam ser feitas, o papel dos partidos políticos, a ideia das comissões, entre outras coisas. Além disso, foi um aprendizado grande da nossa própria constituição, sobre o que é dever da união legislar, o que o congresso nacional pode propor, o que é prerrogativa do poder executivo, e, ainda, viver o que é a tramitação de um projeto de sua autoria, como é ser um relator de um projeto, como é o debate nas comissões e no plenário e a valorização do debate, do embate de ideais, de lidar com opiniões divergentes. No mais, há ainda as pessoas que conheci, vi rostos de cada um dos estados do Brasil, ouvi cada sotaque, cada gíria, e conheci pessoas incríveis que acrescentaram muito na minha vida. Nós fomos designados a comissões, pegamos projetos para relatar e formamos partidos políticos. As reuniões partidárias eram sempre momento de decidir que projeto era prioridade do partido, quando os líderes iriam nas comissões usar a palavra de líder, estratégias que devíamos tomar para tentar aprovar, rejeitar ou propor emendas a certos projetos. Participei da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, sendo relator de um projeto de uma aluna da Bahia que tinha como objetivo tirar a restrição de 12 meses que homens que fazem sexo com outros homens tem para doar sangue, determinada por portaria do Ministério da Saúde; tive que analisar a constitucionalidade do projeto, a adequação financeira, e, o que me deu mais trabalho, o mérito em si da proposição. Tive que ir atrás de artigos que falassem sobre o porque da restrição existir, se é seguro em termos de saúde pública retirar a restrição e etc. No fim, deu um parecer de 8 páginas, onde votei pela aprovação do PL. Tanto o meu projeto, que trata sobre educação e deficiência, quanto o que relatei foram aprovados nas comissões, e o da doação de sangue ainda seguiu para ser discutido na nossa plenária final, porque consideramos um tema importante para ser discutido por todos os deputados jovens.

 

Nathanael Papi com os outros sete representantes do Rio de Janeiro no PJB
Nathanael Papi com os outros sete representantes do Rio de Janeiro no PJB

Essa experiência mudou sua visão sobre a política brasileira?
NP:De certa forma, sim. Acho que depois de passar uma semana de atividades intensas em Brasília eu não posso mais dizer que deputado federal não trabalha. Vi como muitas coisas funcionam, e como muitas das coisas da política tradicional se manifestaram na nossa simulação. Acho que o projeto me renovou um pouco as esperanças, no sentido de que dá para lutar por mudanças na política, que não está tudo perdido, que tem gente com disposição para mudar. Entendi no projeto que a nossa democracia está longe de ser perfeita, mas que tem muita gente com disposição para fazer diferente e para buscar meios de melhorar o nosso sistema, que a juventude tem força para modificar o nosso cenário.

Você pensa em compartilhar com seus colegas o que aprendeu em Brasília?
NP: Sim, acho que muita coisa do que aprendi lá é de difícil acesso na mídias convencionais e mesmo na internet, acho que tive uma oportunidade singular de representar os estudantes do Rio em Brasília, e nada mais justo que passar para frente o conhecimento que adquiri lá, além de divulgar o projeto para que mais alunos tenham a oportunidade de participar, só não sei ainda sobre como posso fazer isso.

Sessao plenaria
Nathanael Papi, durante sessão plenária do PJB

Do que aprendeu, o que considera mais importante?
NP: Acho que a coisa principal que trouxe de lá foi o conhecimento e o diálogo. Conhecimento no sentido de entender melhor o funcionamento do Congresso, sobre a tramitação de projetos, sobre o regimento interno da Câmara, sobre os caminhos que um projeto segue e sobre como nós, como sociedade civil, podemos cobrar e fiscalizar usando alguns mecanismos. Diálogo no sentido de que o projeto me mostrou sobre como a política é diálogo e debate; aprendi a entender as opiniões dos outros, a nunca descaracterizar uma pessoa por ela possuir uma visão diferente, a respeitar o tempo de se falar e de se ouvir, e de entender o outro como elemento fundamental para chegar-se a uma resolução sobre alguma coisa, as soluções surgem do debate de ideias, ouvindo todos os lados e incorporando deles o que há de melhor. Aprendi a reconhecer o outro na sua individualidade, que chegou as suas conclusões por um meio que eu talvez pudesse chegar também, e que a sua visão de mundo deve ser respeitada, ouvida e debatida.

 

Para saber mais sobre o Projeto de Lei apresentado por Nathanael, clique aqui!

 

 

Por Angela Cantoni (comunicadora do Campus Realengo II)

 

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