Bate-papo com Andre Brasil

Publicado em

Andre Brasil disputou os 100m borboleta - Foto: CPB/MPIX
Andre Brasil disputou os 100m borboleta - Foto: CPB/MPIX

O Rio de Janeiro foi sede dos Jogos Paralímpicos 2016, onde o Brasil disputou 22 modalidades, com 287 atletas. Entre eles, estava o representante da Natação, Andre Brasil, ex-aluno do Colégio Pedro II, que ganhou quatro medalhas. Andre estudou no CPII no período de 1997 a 2001, no Campus São Cristóvão, e nos contou sobre sua trajetória no colégio e no esporte.

 

Como foi o período em que estudou no CPII? O que mais te marcou dessa época?

AB: ​Foi muito bacana! Me diverti muito! Fiz grandes amigos! Mas o que mais me marcou foram as oportunidades de escolhas educacionais, projetando as escolhas da vida adulta.​

 

O Colégio te ajudou na escolha da sua carreira como atleta? Se sim, como ajudou?

AB: ​As oportunidades criadas na Educação Física foram o principal motivador. Me permitiu sonhar mais com a carreira de desportista.​

 

Quais experiências você levou do CPII para sua vida?

AB: Amizades são conquistas e são para sempre! E as maiores “armas” que tenho na vida são o conhecimento e aprendizado!

 

Como nasceu sua paixão pela natação?

AB: ​Comecei a nadar após a descoberta da Poliomielite (Paralisia Infantil) e desde então não sai mais. ​

 

Qual a importância do esporte em sua vida?

AB: ​Transformador! Foi com ele que pude andar, mesmo que com passos claudicantes. Transformou minha vida sociocultural e me gerou oportunidades.

 

Durante sua carreira, qual foi o momento mais difícil? E qual o melhor momento?

AB: ​O momento mais difícil foi quando fiquei de fora do esporte por 7 meses. E o melhor momento foi ter reaproximado meus pais após a separação, que não se falavam a quase 8 anos​.

 

O que você deseja passar para as pessoas através da sua trajetória de vida?

AB: Eu quero! Eu posso! Eu consigo! Um lema/mantra… Sonhar sempre! Ter coragem para enfrentar e lutar pelos problemas do dia a dia! E o sucesso é consequência de tudo isso! Mas que busque sempre a felicidade!​

 

Você ainda tem algum sonho que deseja realizar?

AB: Sonho em ter um mundo com mais oportunidades, onde as pessoas entendam que o carinho, a palavra, a saúde e educação são as principais ferramentas para se produzir homens e mulheres com caráter! E que no mundo ninguém é “mais” ou “menos” do que ninguém, mesmo com ou sem deficiência todos merecemos oportunidades na vida!​

 

ab2
E conquistou a medalha de bronze – Foto: CPB/MPIX

Como foi a experiência de ser um dos condutores da tocha olímpica?

AB: Um sentimento único, indescritível!​

 

Você foi um dos mais importantes representantes do Brasil nas Paralímpiadas 2016, como se sentiu?

AB: ​Me sinto além de atleta, “embaixador” de um segmento colocado de lado em nossa sociedade. O entendimento e aprendizado do “como” lidar com as pessoas com deficiência em nosso país. Pouco se fala, muito se cria (leis), mas pouco se faz. Então que seja este que possa retransmitir ou gerar desejos e sonhos maiores e acima de tudo mudanças numa sociedade que ainda não excluiu o “preconceito” de suas atitudes.​

 

Como foi sua preparação para as Paralímpiadas?

AB: Muito trabalho. Treinos, viagens dentro e fora do país. Competições. Mas acredito que alcançamos o resultado esperado. Não em sua plenitude, pois ninguém é perfeito, mas nas ações desejadas! ​

 

Qual competição foi a mais desafiadora?

​​AB: Após um início ruim na competição, acredito que a desilusão de não “ganhar”, conquistar uma medalha, nos 50 metros livre, uma das minhas principais provas, e retomar a competição em busca de novos desafios tenha sido o momento mais desafiador.

 

Você ganhou 4 medalhas, o que cada uma delas significa para você?

AB: ​Luta, trabalho, abdicações, dores, mas acima de tudo…sonhos realizados!​

 

Qual foi o momento mais inesquecível nessa competição?

AB: A ultima prova (revezamento 4×100 metros medley 34 pontos), onde estávamos em ultimo e terminamos em terceiro e o publico nos aplaudiu durante cerca de 5 minutos. Numa sociedade com vários problemas sócio-econômicos e que ainda não sabe lidar muito bem com o preconceito, nunca imaginei que indivíduos com algum tipo de deficiência poderiam proporcionar momentos históricos como este. Obrigado a todos que de algum modo fizeram parte desta minha jornada!

 

 

 

Por Hyanarrara Santos (estagiária de Jornalismo)

 

Categorizado em Bate-papo

Assuntos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Tema desenvolvido pela Comunicação Social do Colégio Pedro II para WordPress