Bate-papo com Alexandre Mattos e Liliana Manuela

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Equipe do Campus Niterói
Equipe do Campus Niterói

No próximo domingo, 14 alunos do Colégio Pedro II irão embarcar para a cidade de Lucknow, na Índia, onde se juntarão à delegação brasileira que participará do 22nd International Competition for Science, Mathematics, Mental Ability and Electronics – QUANTA 2016, entre 17 e 20 de novembro, na City Montessori School.

Os estudantes estarão acompanhados dos professores orientadores Alexandre Mattos e Liliana Manuela. Essa é a primeira vez que o CPII envia um grupo tão grande para uma competição acadêmica internacional. Em entrevista com os dois professores, eles contam como está sendo a preparação e as expectativas para a viagem.

1O ótimo desempenho na Olimpíada Matemática Sem Fronteiras (OMSF) proporcionou aos alunos a chance de competir na Índia. Ao que você credita o sucesso dos estudantes na fase brasileira?

AM: No Campus Niterói foi a primeira vez que participamos. A Olimpíada Matemática Sem Fronteiras (OMSF) não estava no planejamento anual da nossa equipe de docentes. Foi solicitação de uma aluna e, posteriormente, de outros. Topamos o desafio! Interessou-nos a proposta diferente que a olimpíada tem: prova em grupo, questão com recorte e colagem, enunciado em outro idioma e etc. Decidimos, por motivos organizacionais, de curto espaço de tempo e característicos de cada ano de escolaridade, que somente as turmas de 2ª série participariam. Formaram, livremente, grupos que representariam cada uma das seis turmas. O da turma 1205 se destacou. O ótimo resultado, na minha avaliação, vem de um trabalho coletivo. A dedicação dos estudantes (interesse, capacidade, etc), a boa estrutura física da instituição e o ótimo corpo de docentes e técnicos-administrativos que possui. Não houve preparação voltada para a olimpíada. Levaram para a execução das provas o que aprendem cotidianamente com todos os servidores do campus. Não só a sala de aula, nem só matemática, dadas outras habilidades que citei acima.

LM: A competição que esteve na génese do convite que recebemos foi a olimpíada internacional Mathématiques Sans Frontières (MSF) patrocinada pela Academie de Satrsbourg- França. Trata-se de uma competição diferente das tradicionais olimpíadas. Aqui, os alunos participam em grupo. É fornecido um número de questões para resolver em 90 minutos, (individualmente os alunos não conseguiriam resolver as questões no tempo dado). Pela primeira vez o Campus Engenho Novo II participou da MSF. Todos os participantes foram medalhados. Os alunos do 6º ano, do professor Renato Alves, ganharam uma medalha de ouro; um grupo de alunos do 1º ano EM, da professora Geisa Corrêa, ganhou uma medalha de bronze e os meus alunos, do 2º ano do EM conseguiram uma medalha de prata. Esse bom desempenho coletivo originou o convite. Naturalmente que o fato de ser uma atividade em equipe contribuiu para o nosso sucesso.

2 – Quais as expectativas para a competição internacional?

AM: Sabemos que será uma competição muito difícil, pois existem instituições que já participam há anos do QUANTA. Inclusive, na própria delegação brasileira (dez a doze colégios). São mais ou menos quarenta países e vários desses possuem uma cultura educacional mais sólida que a nossa. Recursos, também. Entretanto, é um grupo muito bom e usaremos os pontos fortes que possuímos. Faremos o melhor possível para representarmos bem a comunidade petrossecundense, Niterói e o Brasil.

LM: A competição QUANTA tem características bem diferentes das olimpíadas de Matemática. Trata-se de uma competição em Ciências e não apenas de Matemática. Há participações muito fortes, países como a própria Índia e a Rússia que têm tradição neste tipo de provas e estão muito habituados a participar nestas competições. A nossa equipe tem se esforçado muito e daremos o nosso melhor, mas temos a noção de que o QUANTA é muito competitivo e que vai ser muito difícil ser premiado.

3Essa é a primeira vez que o Colégio Pedro II envia uma delegação tão grande para um evento internacional. Qual a importância de a escola estimular e oferecer meios para a participação nesse tipo de evento?

AM: Foi uma ótima iniciativa, que teve início com o apoio dos servidores do campus em um dos conselhos quando falei sobre o convite e a necessidade de financiamento. Os institutos federais possuem uma cota para isso e, sem dúvida, a escola pública deve fazer esse investimento. Ciências básica e aplicada são muito importantes no desenvolvimento de um país. A educação básica precisa, além de consolidar a iniciação científica júnior, estimular o intercâmbio nesses eventos ao redor do mundo. Descobrimos que muitos são realizados anualmente! Os alunos estão crescendo intelectualmente na própria preparação para as provas e consolidarão os estudos com a troca de conhecimentos que realizarão lá. Depois serão multiplicadores aqui e, provavelmente, continuarão os trabalhos em suas futuras graduações.

LM: Acho que é um incentivo muito grande para todos, para o trabalho que fazemos dentro e fora de sala de aula. É um prêmio para aqueles que acreditam na qualidade do ensino do nosso colégio. A Escola deve ter o papel de abrir janelas, de alargar horizontes e de ser o motor que permite chegar mais longe!

Equipe do Campus Engenho Novo II
Equipe do Campus Engenho Novo II

4A equipe embarca no dia 13/11. Como está sendo essa preparação? Todos animados com a viagem?

AM: Estamos finalizando os estudos das alunas que farão a prova Acta Mathematica e do aluno que fará a prova Mental Ability (conteúdos matemáticos complementares, respondendo testes lógicos, fazendo questões antigas e etc). A aluna que participará do debate teve orientações da Profª. Natália (Sociologia) e do Prof. Tiago (Filosofia) sobre autores que já desenvolveram o tema escolhido. O Prof. Medina (Física) tirou dúvidas para a prova Science Quiz. Para realizarmos os últimos testes com o robô para a prova Obstacle Robot Race, foi indispensável o apoio dos membros do OcupaCPIINit. Aproveito a oportunidade para agradecê-los publicamente. Todos nós estamos muito animados. Será, com certeza, uma viagem inesquecível.

LM: Atendendo à natureza da competição, o grupo foi dividido de modo a participar nas seis provas em que vamos competir. Uma dupla de alunos (Isabelle Fernandes e Luís Henrique Silva) irá participar, numa prova de Matemática (Acta Mathematica), da qual constam muitos tópicos que eles desconheciam por não fazerem parte dos nossos currículos. Para conseguirmos resolver esse handicap, tenho trabalhado esses temas;  um outro aluno (Eduardo Vianna) irá participar no Mental Ability, uma competição de raciocínio lógico; outra dupla (Gustavo Oliveira e Felipe Perini) vai responder ao Science Quizz que consta de perguntas de Física, Química, Biologia e Astronomia, também eles têm que se preparar sobre vários assuntos que excedem o âmbito dos currículos nacionais; um aluno (Felipe Perini) vai ser o nosso representante  no debate onde terá que argumentar em inglês sobre um tema que foi previamente sorteado e temos, ainda, duas duplas de alunos que nos vão representar em provas completamente desconhecidas para nós: Acqua Chalenge (Letícia Freitas e Sofia Leitão) para a qual as alunas construíram um barco com determinadas especificações e  a Robot Race (Gustavo Oliveira e Letícia Freitas). Para esta última prova os alunos, nos dois últimos meses, foram aprender programação e a construir o Robô que irão levar à competição. Gostaria de agradecer publicamente ao professor Jorge Fernando do Campus Tijuca II pela disponibilidade demonstrada em ajudar o nosso grupo. O entusiasmo é muito!!! E a animação também… até porque uma das participações facultativas no QUANTA é no Sarau Cultural e o nosso time está preparando um número para apresentar.

 

5Qual a importância da QUANTA para os alunos, professores e para o CPII? O que representa estar nessa disputa?

AM: Para os alunos, além da questão científica que falei anteriormente, é uma oportunidade de conhecer um pouco de um país muito diferente do nosso. Poder conversar com jovens de outras nacionalidades. Intercâmbio cultural nos ajuda a ter uma melhor percepção de mundo e, assim, nos possibilita ações mais conscientes. Acredito que para nós professores, o principal ganho, seja a expansão dos nossos networkings. O colégio, além do que citei para os membros dos seus corpos docente e discente, terá projeção internacional. Inserção em novas redes educacionais globalizadas.

LM: A Matemática é vista como uma espécie de matéria “maldita” e com isto passou a ser olhada de outra maneira… Não só por alunos, mas também por colegas de outros departamentos. Com isto começou a ser encarada devido a uma situação positiva e estimulante.  Os alunos que vão representar o Colégio sentem uma honra e responsabilidade muito grandes. Eles sabem que irão ter uma experiência inesquecível e que será muito importante para o futuro de cada um. Para os estudantes que não participam nesta edição, fica o desafio de serem os próximos a conseguir fazer parte de um grupo que participe em possíveis competições internacionais futuras. Têm que se aplicar nas atividades letivas e extracurriculares, dando o seu melhor para conseguir resultados que os coloquem entre os possíveis selecionados, já que na base da seleção dos alunos que vão representar o nosso campus esteve, não só o desempenho na MSF, mas também nas restantes competições de Matemática em que o ENII participa (OBMEP, OBM e Canguru Matemático) bem como o fato da média de todos estes alunos ser superior a sete. Para o CPII fica o gosto de poder proporcionar a estes grupos de alunos dedicados uma experiência única, e certamente o seu nome soará ainda mais alto quando lá longe se fizer ouvir o grito “Ao Pedro II: tudo!”

6Além de participar da competição, os estudantes terão uma grande chance de intercambio, tendo em vista que o evento será sediado na City Montessori School, escola com maior número de estudantes do mundo. Qual a importância disso para vida acadêmica e pessoal dos alunos?

AM: Será muito interessante essa experiência em um colégio que possui uma infraestrutura para 48 mil estudantes (mais do que o triplo de nossa instituição) e no qual ficaremos imersos em uma competição por quase uma semana. Como falei anteriormente, esses intercâmbios refletirão em mudanças na visão de mundo e possibilidade de se aprofundarem nas áreas nas quais estão se desenvolvendo agora. Para exemplificar, as alunas da prova Acta Mathematica estão estudando assuntos de nível universitário e os alunos que estão construindo o barco para a prova Acqua Challenge Race, adaptaram um motor e testaram modelos de hélices. Estão muito envolvidos. Não dá para mensurar toda essa vivência.

LM:  A expectativa é muito grande! Estamos todos muito entusiasmados e curiosos com o que nos aguarda. A cultura indiana é bem diferente da nossa. A City Montessori School é uma referência mundial e vamos cheios de vontade de aprender. Esta experiência vai marcar todos os que nela participam de forma indelével.

Acompanhe a viagem dos estudantes pela página do Departamento de Matemática!

Saiba mais sobre a participação dos estudantes na QUANTA 2016.

Por Valdeir Militão (estagiário de Jornalismo)

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