Videogame na escola: iniciativa inovadora e com alta receptividade

Sala do NuGAME

Sala do NuGAME

 

Em 2014 foi criado o Núcleo de Games, Atividades e Metodologia de Ensino (NuGAME) no Campus São Cristóvão II, uma iniciativa pioneira em uma escola de Ensino Básico no Brasil.  Coordenado pelos professores de Geografia do campus Marcos Lima e Rafael Andrade, o projeto tem como proposta trabalhar a Geografia a partir dos jogos de videogame como o GTA, Assassins Creed, Minecraft e Street Fighter em três linhas de pesquisa que abrangem história, organização das cidades e cenários geográficos.

Dez estudantes do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental do campus foram selecionados para dar início ao projeto, que é desenvolvido em parceria com o Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e apoiado pela Direção do Campus São Cristóvão II, objetivando desconstruir discursos que afastam os jogos das escolas e criar pontes entre estes e o ensino da Geografia.

A parceria com o Departamento de Geografia da UERJ proporcionou a captação de recursos na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), e, atualmente, o NuGAME possui dois computadores, uma impressora e seis videogames de uso exclusivo para a realização das pesquisas. “A atual estrutura do núcleo revela o quanto de trabalho foi feito e como o grupo conseguiu ampliar seu espaço de atuação, que começou em uma pequena sala com um projetor e um videogame que pertenciam aos coordenadores”, ressaltou Marcos.

Estudantes pesquisadores, professores Marcos Lima e Cristiane Cerdera

Estudantes pesquisadores com os professores Marcos Lima e Cristiane Cerdera

Nos últimos anos, o núcleo teve 16 alunos bolsistas de Iniciação Cientifica Jr., além dos pesquisadores voluntários; participou de diversos congressos e apresentou quatro trabalhos na Mostra de Iniciação Cientifica realizada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (Propgpec). O núcleo também realizou uma oficina no evento Rio Indie Games.

Em 2016, o projeto contou com a participação de 14 estudantes do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental do campus e com a atuação informal de dois estudantes do Ensino Médio do Campus são Cristóvão III. No ano passado também foi iniciado o projetoEstereótipos de gênero em videogames: sexismo, homofobia e outras formas de opressão” em parceria com o Laboratório de Estudo em Educação e Diversidade do Campus São Cristóvão II (LEDi), coordenado pela professora Cristiane Cerdera. O projeto visa discutir a identidade de gênero nos games na atualidade.

O núcleo vem sendo muito procurado por estudantes e professores interessados em ingressar no projeto e “apaixonados” por jogos eletrônicos.  Devido ao seu desenvolvimento, o NuGAME pretende elaborar material didático englobando também questões variadas abordadas nas demais disciplinas, tendo os games como plano de fundo. “O protagonismo dos estudantes não é mera formalidade dentro das pesquisas realizadas e, nesse sentido, fazem o elo entre as disciplinas e o objeto de pesquisa – os games. Isso revela como um único jogo de videogame auxilia na interdisciplinaridade e como as pesquisas vem tentando desvendar e publicizar esse fato”, explicou Rafael Andrade.

Estudantes pesquisadores no NuGAME

Estudantes pesquisadores no NuGAME

Para 2018, o núcleo deverá ser ampliado e estendido aos estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental aos da 2º série do Ensino Médio. Também está nos planos do núcleo a continuidade da parceria com o LEDi, através de um novo projeto para debater a visibilidade LGBT nos games e a busca de novas parcerias com o Núcleo Avançado em Educação (NAVE-RIO) e o Instituto Federal Fluminense-Paulo de Frontin, que desenvolvem jogos eletrônicos com alunos.

O NuGAME representará o Colégio Pedro II no evento SBGames, com três trabalhos aprovados no “XVI Simpósio Brasileiro de Jogos”:  “Cartografando com Assassins Creed”, dos alunos George Xastre Rosário e João Matheus Nascimento Gonçalves; “Games e Ensino: andar pela cidade, Pokemon Go e processos de segregação sócio-espacial”, dos alunos Eduardo Kret Brunet Coelho e Amanda Rodrigues Teixeira; e “Estereótipos de gênero em videogames: sexismo, homofobia e outras formas de opressão”, desenvolvido pelos alunos Felipe Carvalhosa, Alysse Batista, Beatriz Ferreira e Victor Gimenes em parceria com o LEDi.

O SBGames acontece de  2 a 4 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), sendo o maior evento acadêmico da América Latina na área de Jogos e Entretenimento Digital. Realizado pela Sociedade Brasileira de Computação, reúne pesquisadores, estudantes e empresários que têm os jogos eletrônicos como objeto de investigação e produto de desenvolvimento. Anualmente, são recebidos cerca de mil participantes de diferentes regiões do Brasil e de países como Peru, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, dentre outros.

 

O que eles disseram…

“Desde o princípio, a proposta era ressignificar o olhar dos estudantes em relação aos jogos eletrônicos. Nesse sentido, podemos dizer que o resultado foi além do esperado, tendo em vista o pequeno tempo de existência do núcleo. Mais do que ressignficar o olhar, serviu também para repensarmos a escola a partir da construção de um laboratório de pesquisa que se transformou em um espaço onde não existe hierarquização de saberes, logo, não faz sentido fazer distinção entre os pesquisadores, sejam eles alunos ou professores. O núcleo não é pensado para uma turma regular de ensino, tendo em vista que o interesse e a participação devem ser iniciativas dos alunos e não uma imposição como ocorre de forma geral nas aulas regulares. O núcleo é para ser um espaço lúdico. Talvez essa seja a maior lição dos games para pensarmos a escola: ser lúdico, instigante e desafiador.”  Marcos Lima,professor de Geografia do CSCII e coordenador do NuGAME

 

“Ser aluna pesquisadora do NuGAME foi e está sendo uma experiência muito enriquecedora.  Durante o ano em que fui bolsista e participei semanalmente das reuniões do núcleo, além de ter tido contato com diversos jogos e de ter aprendido um pouco com cada um deles, pude conviver com diversas pessoas e com elas debater ideias.  Posso afirmar que frequentar as reuniões do NuGAME mudou para melhor o meu entendimento de certos conteúdos que eram passados em sala de aula, já que, ao identificá-los nos jogos, pude entender qual seria a sua aplicação prática.”  Amanda Rodrigues, do 1º ano do Ensino Médio do CSCIII

 

 “O NuGAME conta, atualmente, com diversas linhas de pesquisa que trabalham desde Sonic a Pokemon Go e tem muitas parcerias com a comunidade escolar, sempre reforçando o discurso de que os games são ferramentas de aprendizagem.” George Xastre, do 9º ano do Ensino Fundamental do CSCII:

 

 

Suzeth Calheiros – comunicadora do Campus São Cristóvão II

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>