O mundo da ficção científica na sala de aula: Conheça o ‘Neuromancers’

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Em 2016, no Campus Engenho Novo II, foi fundado o Clube do Livro “Neuromancers”. O clube focado em ficção científica partiu da ideia da professora Juliana Berlim após seu trabalho com uma turma de 7º, ano em 2016, quando ingressou no campus.

“Percebi dois movimentos: em primeiro lugar, a demanda dos alunos por livros que contemplassem seus gostos e escolhas literárias, em segundo lugar, que a ficção científica, no currículo do CPII, é um gênero literário relegado ao Ensino Fundamental”, observou a professora.

Atualmente, o clube tem sete membros: três do 8º ano (Alice Pinto, Celinalva Rosas, Juan Lima), um do 9º ano (Anderson Moreira) e três da 1ª série do Ensino Médio (Reberty Ryan Tavares, Claudio Eucy Buccos, Elaine). Qualquer aluno, de qualquer campus, pode participar, desde que esteja ao menos no oitavo ano, devido aos temas das obras, que podem tratar de temas complexos, como morte, violência e etc.

Assim que o projeto foi iniciado, alguns alunos se interessaram de imediato, como foi o caso do aluno Anderson Moreira e da aluna Alice Pinto. “O que me interessou foi estímulo que aquilo me traria para ler coisas diferentes do que eu estou acostumado e o desafio de fazer alguma coisa diferente”, contou o bolsista Anderson Moreira.

Aos poucos o clube foi ganhando cada vez mais membros até manter a estrutura que tem hoje. Com livros como “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, e “Andróides sonham com ovelhas elétricas?”, de Philip K. Dick, o clube vai adicionando livros clássicos de ficção científica aos seus encontros de debates.

“Dos livros discutidos, o meu favorito foi ‘Androides sonham com ovelhas eléctricas?’. O livro não aborda somente ficção científica, mas também os raciocínios e conclusões que este tipo de literatura nos leva a pensar, partindo também de pontos sociológicos e filosóficos, que são temas que me agradam muito”, disse Reberty Tavares.

E é claro que o livro “Neuromancer”, de William Gibson, que nomeia o clube, não poderia ficar de fora do radar dos alunos, como é o caso da aluna Celinalva Souza, que diz esperar muito pelo livro.

A dinâmica do clube funciona da seguinte forma: dois bolsistas do clube são responsáveis por mediar e conduzir os debates do livro lido. Os debates giram em torno do arco dramático, das personagens, do espaço narrativo, da fluidez da história e do prazer que a leitura do livro proporcionou.

Assim, os membros acabam tendo reflexões da vida e da sociedade em suas leituras. Foi o que a leitura de “O Admirável mundo novo” e “Andróides sonham com ovelhas elétricas?” despertou em Cláudio Eucy. “Me interessei por eles pois, além de serem clássicos, apresentavam críticas sociais e níveis de leitura diferentes a serem explorados”, contou.

O clube, além de uma estimular a leitura, também traz lições e aprendizados para a vida dos membros, como diz a professora Juliana Berlim. “Partindo da minha própria experiência como frequentadora de clubes de leitura, o primeiro impacto é o de aumento da capacidade de leitura, porque, com as discussões que sempre acontecem, os alunos perceberão outras formas de ler uma obra, formas diversas da sua, bem como terão contato com livros fora da sua zona de conforto de leitura, o que os instigará a buscar mais informações, a ter um lastro de leitura que, a longo prazo, será muito benéfico para seu desenvolvimento pessoal. Os estudantes também desenvolvem noções de empatia, coleguismo, respeito ao coletivo, porque em um clube de leitura não há uma verdade sobre um livro, há uma polifonia de olhares sobre uma obra, olhares que podem ou não convergir”, afirmou.

“Um clube de leitura, por desenvolver a proatividade, porque, afinal, uma hora a pessoa vai querer falar da obra na roda de conversa, pode ser muito útil em processos de desinibição, por exemplo. Alguns dos meus bolsistas eram muito tímidos, reservados e, às vezes, inseguros. A prática dos encontros tem feito com que eles simplesmente se abram para defenderem suas ideias sobre aquilo que estão lendo”, completou.

Além do clube já criado, a professora Juliana Berlim está trabalhando na criação de uma versão pocket do clube do livro, chamado “Neuromancers Noturno” e que funcionará bimestralmente, a partir de fevereiro.

Fique ligado!

O Neuromancers acontece na primeira quarta de todo mês, às 12h, na biblioteca do Campus Engenho Novo II. A agenda do clube está disponível através do Facebook e é aberto para todos que desejem participar.

Alice Pinto, Claudio Eucy, Reberty Souza, Celinalva Rosas, Juan Lima e Anderson Moreira
Alice Pinto, Claudio Eucy, Reberty Souza, Celinalva Rosas, Juan Lima e Anderson Moreira

 

O que eles disseram…

“Sempre me interessei bastante pela leitura e por ficção científica, esse foi realmente o grande motivo que me fez entrar para o clube, mas sempre fui meio receoso com livros de ficção científica muito complexos. O clube me estimulou a tentar livros mais difíceis de se ler e interpretar, me garantindo um maior gosto pelos mesmos.”  Claudio Eucy, do 1º ano do Ensino Médio do Campus Engenho Novo II.

 

“Achei a proposta interessante, pois conhecia muito pouco sobre ficção científica e queria entender melhor. O projeto me ajudou a conhecer um gênero textual novo e notar que há muitas propostas diferentes baseada em cada um dos livros.” Celinalva Rosas, do 8º ano do Ensino Fundamental do Campus Engenho Novo II.

 

“‘Admirável Mundo Novo’ do Aldous Huxley, o livro é bem interessante e descritivo e o enredo é muito bom, apesar de ser uma leitura meio densa devido a quantidade de detalhes, o detalhamento de tudo que acontece é uma característica legal.” Alice Pinto, do 8º ano do Ensino Fundamental do Campus Engenho Novo II.

 

“Vê-los falar em público, quando no dia em que se apresentaram na V JOEEL, um evento internacional sobre espaço literário ocorrido entre 29/11 e 1º/12 entre os Campi Centro e São Cristóvão, diante de pessoas desconhecidas, pesquisadores de todo o Brasil e de Portugal, foi impressionante, porque eu, como orientadora, sei o quanto alguns tiveram que vencer certas barreiras de timidez para isso.” Juliana Berlim, idealizadora e coordenadora do Neuromancers.

Por Fábio Jordão – estagiário de Jornalismo.

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