No Campus Centro, estudantes dinamarqueses vivenciam cultura brasileira

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Alunos dinamarqueses dançaram o baião com alunas do Colégio Pedro II

De 16 a 26 de abril, o Campus Centro recebeu 27 estudantes dinamarqueses do colégio Mariagerfjord Gymnasium. A vinda do grupo de estudantes, acompanhados de seus professores Christian Larsen (professor de História) e Tommy Jacobsen (professor das disciplinas de Física e Matemática), foi possível graças a um acordo de cooperação firmado entre a instituição de ensino dinamarquesa e o Colégio Pedro II, assinado em dezembro de 2017. A parceria prevê o intercâmbio de turmas entre as instituições de ensino, em caráter de visitas técnicas.

Durante os dez dias em que estiveram no Campus Centro, os intercambistas participaram de diversas atividades que os ajudaram a conhecer um pouco mais sobre o Colégio Pedro II e a cultura brasileira.

Já no primeiro dia, 16/4, os dinamarqueses participaram de uma caça aos ovos de Páscoa, no tradicional evento do Dia Temático. A atividade foi organizada por alunos de ensino médio  e rendeu premiações em chocolates. No dia seguinte, as professoras Vera Maria Ferreira Rodrigues, coordenadora do Cedom, e Beatriz Boclin Marques,  com a colaboração de tradução para língua inglesa da coordenadora do Proeja, Maria Cristina Matos Nogueira, apresentaram a história quase bicentenária do Colégio Pedro II.

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Palestra do Cedom sobre a história do CPII

Nos dois dias seguintes, 17 e 18/4, além dos acompanhamentos de aulas do 3º ano do ensino médio, os professores do Departamento de Educação Musical Clara Albuquerque, Inês Rocha e Leonardo Bonfim desenvolveram oficinas de Ritmos Brasileiros, a partir da experiência do projeto pedagógico “Batucada Boa”, sob a coordenação da professora Inês Rocha, com os alunos estrangeiros e que culminou, em seu último dia, com uma apresentação no pátio do campus.

“Os dinamarqueses estavam muito receptivos e demonstram uma boa relação com suas possibilidades de expressão musical e bom conhecimento rítmico. Foi uma experiência incrível: pura energia e alegria”, observou a professora e coordenadora de Educação Musical Inês Rocha.

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Apresentação musical no pátio

Na quarta-feira, 19/4, os alunos dinamarqueses realizaram uma apresentação sobre os costumes, a política, o estilo de vida, a educação e a cultura de seu país. Em pequenos grupos, eles conversaram com os colegas brasileiros do ensino fundamental e médio.

No dia 20 de abril, sexta-feira, alunos do terceiro ano do ensino médio programaram uma partida de futsal, tão solicitada pelos alunos do Mariagerfjord Gymnasium. No confronto Brasil x Dinamarca, o time local vestiu a tradicional camisa canarinho e os desafiantes usaram camisas brancas. A partida teve direito a execução dos hinos nacionais e narração pelos alunos. O jogo iniciou equilibrado com um placar de 3 x 1 para os visitantes, contudo os locais viraram para um sonoro 14 x 7. A partida transcorreu com o espírito do fair play e, apesar do placar, os dinamarqueses mostraram senso tático e disposição física.

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Lance de Brasil versus Dinamarca na quadra do Campus Centro

Na última semana, no dia 24, os visitantes foram agraciados com uma apresentação musical promovida pela equipe de Educação Musical, na qual participaram alunos da 1ª série do ensino médio, sob a orientação da professora Clara Albuquerque. O grupo tocou e cantou músicas de diversos gêneros da música popular brasileira, que eram precedidas por leitura em inglês, organizada pelos próprios alunos, com informações sobre cada música. Para concluir, o Coral dos Alunos do Colégio Pedro II do Campus Centro, também sob a regência da professora Clara Albuquerque, cantou três músicas de seu repertório, culminando com a dança de uma ciranda, que integrou todos os presentes de mãos dadas.

Em seguida, participaram de uma aula de aprofundamento ministrada pelos professores Pedro Paulo Biazzo, de Geografia, e Luciano de Moura, de História, com participação do professor Christian Larsen.

No dia 25, os professores de Educação Física Mauro Carvalho e Françoise de Souza apresentaram a capoeira aos convidados europeus. Na quadra poliesportiva durante o intervalo entre turnos, a atividade demonstrou inicialmente o berimbau e seus toques para depois, enfim, ensinar as atividades de aquecimento e movimentos básicos desta expressão cultural brasileira.

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Alunos dinamarqueses e professor Mauro Carvalho (camisa vermelha) na Roda de Capoeira

Além de atividades no campus, os alunos do Mariagerfjord Gymnasium fizeram visitas a alguns pontos históricos e culturais da cidade do Rio de Janeiro. Eles conheceram o Teatro Municipal, o Real Gabinete Português, Escadaria Selarón, Catedral Metropolitana e Orla Conde no Centro do Rio de Janeiro, o Museu da República, no bairro do Catete, e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no bairro de São Cristóvão. Além disso, fizeram o passeio da “Pequena África”, na região portuária do Rio de Janeiro, perfazendo os caminhos e locais que contam a história da escravidão do povo africano, que compõe nosso matiz etnocultural.

 

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Os estudantes dinamarqueses Adelina Peja e Nicklas Eriksen

Para os estudantes dinamarqueses Nicklas Eriksen e Adelina Peja a experiência foi enriquecedora. “Eu estou surpreso positivamente com esta viagem para o Brasil, especialmente com o Rio de Janeiro. Estava receoso em andar pelas ruas, mas me surpreendi”, afirmou Nicklas. Já Adelina elogiou a receptividade da comunidade escolar. “Estou surpresa com a acolhida dos colegas de turma, são muito amáveis e diferentes. Esta experiência foi muito enriquecedora”, contou.

 

Famílias anfitriãs

Enquanto estiveram no Rio de Janeiro, os intercambistas foram acolhidos por famílias de estudantes e servidores do Colégio Pedro II. A experiência permitiu aprofundar as trocas interculturais e proporcionou laço de afetividade entre os participantes.

“Quando vimos no site do Colégio Pedro II a chamada para inscrição para hospedagem de estudantes dinamarqueses nos sentimos muito animados com a oportunidade, mas não imaginávamos toda a dimensão dessa experiência. Ser host é sair do lugar comum, sair da rotina do dia-a-dia para trilhar caminhos de intensa aprendizagem”, afirmou Valéria Rosa Poubell, mãe de aluna do Campus Humaitá II, que recebeu os estudantes Benjamin Sundgård Jensen e Oliver Winther Østergaard.

Segundo Érika das Neves, mãe de aluno do Campus Humaitá II, que recebeu o estudante David Troelsen as diferenças de metodologia de ensino e o rompimento de algumas pré-concepções sobre o Brasil foram o que mais surpreendeu o estudante dinamarquês. “Perguntei para o David o que mais o surpreendeu no Rio de Janeiro. Ele citou o fato de ser uma cidade muito agitada e com muitas atividades culturais e de lazer, pois ele esperava um lugar mais ‘selvagem’. Outro ponto que chamou muito atenção dele foi em relação ao Colégio Pedro II. Ele disse que achou as aulas muito entediantes, com os alunos sentados durante horas apenas escutando os professores. Ele relatou que na Dinamarca a turma passa mais tempo fazendo atividades/dinâmicas em sala de aula e trabalhando em grupos do que simplesmente escutando os professores. Mas, no geral, claro que amou a experiência”, relatou. Érika destacou ainda como o projeto beneficiou também a comunidade escolar do CPII. “Acho importantíssimo a conscientização de que o conhecimento não deve mais ser recebido de forma passiva. Sem mudar qualquer conteúdo programático, é possível criar novas formas de sua aquisição. Tenho certeza de que nosso Pedro II é capaz!”, completou.

Estudantes e famílias no aeroporto (3)

Intercambistas foram recepcionados no aeroporto pelas famílias anfitriãs

A iniciativa também foi elogiada pela anfitriã Deise Maria Barbosa Teixeira, mãe de aluna do Campus Engenho Novo II, que recebeu a estudante Freya Bloch Johnson.  “Hoje tenho certeza que o intercâmbio deveria ser um requisito fundamental em todas as escolas para formarmos melhores pessoas, com um conhecimento de mundo mais amplo e com a consciência de que podemos fazer desse mundo, um lugar muito melhor. Parabéns ao Colégio Pedro II por um projeto tão importante e transformador”, afirmou.

O assessor de Relações Internacionais do CPII, Flavio Balod, agradeceu a receptividade da direção-geral do Campus Centro e ressaltou a importância do CPII dialogar com outras instituições de ensino estrangeiras. “É uma iniciativa que só enriquece a formação de nossos alunos. Esse contato internacional amplia a visão de mundo, abre horizontes e é uma coisa da qual o Colégio Pedro II não pode mais se furtar. A Educação Internacional, que é um conceito relativamente recente, tem crescido muito. Eu diria que a internacionalização é uma necessidade da formação de nossos alunos e isso é um processo irreversível. Nós temos sido solicitados a toda hora por parceiros internacionais propondo trabalhos conjuntos. Espero que este trabalho com o Mariagerfjord Gymnasium siga por muitos anos”, declarou.

 

Por Camilo Moreira (comunicador do Campus Centro) e Bianca Souza (jornalista)

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