Ex-alunos do Campus Duque de Caxias pesquisam vacina contra leishmaniose

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luan e diogo

A vacina que pode combater a leishmaniose em seres humanos está sendo pesquisada por ex-alunos do Campus Duque de Caxias. Diogo Oliveira Maciel e Luan Firmino estão trabalhando na pesquisa conduzida pela UFRJ para desenvolver a vacina contra a doença que, em humanos, pode causar úlceras na pele, mucosas, cartilagem e órgãos internos.  Os dois cursaram Biotecnologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, atualmente, fazem mestrado e doutorado, respectivamente, na mesma universidade.

Para chegar aonde chegaram, os dois percorreram um longo caminho, através de muito estudo, claro. Luan conta que sua paixão pela Biologia veio de criança. Já Diogo, viu sua paixão nascer no Ensino Fundamental durante as aulas de Ciências. “Eu sempre gostei da área biológica, muito por conta de filmes e desenhos que abordavam este assunto (como Ozzy e Drix). Desde pequeno, eu brincava de fazer ciência. Às vezes perdia algumas horas no banho brincando de misturar coisas e fazer surgir a cura de alguma doença”, contou Luan.

Os dois cursaram o Ensino Médio no Campus Duque de Caxias e Diogo vê sua passagem pela Iniciação Científica do colégio como um diferencial para se acostumar ao ambiente de trabalho da UFRJ. “Eu participei do Programa de Vocação Científica (Provoc) e, sem dúvida, foi um diferencial. Esse primeiro contato foi extremamente enriquecedor, pois  pude conhecer os elementos de um laboratório, o que era feito em seu interior, como as pesquisas eram desenvolvidas, assim como outras atividades inerentes a esse ambiente. Eu passei a participar de discussões de resultados dos experimentos. Essa oportunidade foi um diferencial na universidade. Sem dúvida, foi um fator preponderante para uma melhor vivência e habituação na UFRJ”, explicou.

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“A característica que mais me encanta em “fazer ciência” é a capacidade de desvendar o desconhecido e a possibilidade de facilitar o que, em primeiro momento, seria considerado complexo”, contou Diogo.

Apesar das coincidências, os jovens não planejavam estudar e, muito menos, trabalhar juntos. Mas a parceria deu tão certo que os dois já até desenvolveram um projeto de montar uma microcervejaria, mas que está apenas no papel no momento.

O caminho de ambos para chegar até o projeto de pesquisa da vacina veio através da universidade e passou pela disciplina de Imunologia. Ambos participaram de um projeto de Iniciação Científica que despertou o interesse por essa área de estudo. “O professor da disciplina sempre foi ótimo e despertou em mim um grande interesse pela área. Com o fim do período, ele me procurou e conversou comigo sobre começar uma Iniciação Científica com ele e seu grupo de alunos. Eu aceitei de imediato”, contou Luan.

“Ao longo da graduação, interessei-me pela área de Vacinologia e o impacto que a sua aplicação poderia causar nos indivíduos. Busquei aprender mais sobre a temática e cursei outras disciplinas relacionadas ao Sistema Imune”, explicou Diogo.

A pesquisa da vacina contra a leishmaniose faz parte do projeto de mestrado de Diogo, e conta com a participação de outros estudantes. “Buscamos compreender o sistema imune em modelos murinos, a princípio, para assim propormos estratégias vacinais ou de tratamento. Desta maneira, nosso trabalho abrange desde preparar a documentação para o comitê de ética de uso animal, até a comunicação com a empresa para firmarmos parceria para testar a nossa formulação vacinal”, contou.

Luan, que faz parte da equipe de pesquisa, explicou seu trabalho: “Hoje eu estudo o papel dos linfócitos B (as células conhecidas pela produção de anticorpos) em infecção por parasitos do gênero Leishmania. Os dados que eu gero são importantes para determinar se uma vacina protetora deve ter como característica a indução de anticorpos ou não”.

luan cruz
Luan Firmino é Mestre em Imunologia e Inflamação pelo Programa de Imunologia e Inflamação do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, UFRJ- Fundão

Ser pesquisador no Brasil

Sobre o panorama da pesquisa científica no Brasil, os dois têm pensamentos bastante similares: destacam a falta de investimento como o principal empecilho de seus trabalhos, mas, ao mesmo tempo, acham gratificante ver seus trabalhos dando frutos independentemente das dificuldades.

“O mais legal disso, é saber que somos capazes de chegar a resultados tão bonitos quanto os de pesquisadores internacionais, entretanto em condições muito inferiores de fomento”, contou Luan.

Apesar do longo caminho já trilhado, se engana quem pensa que eles irão para por aí. Os jovens desejam mais e já traçam planos para o futuro. “Hoje meus planos são me formar Doutor, me especializar num pós-doutorado fora do país e continuar minha vida a partir disso. Ou voltar ao Brasil e me tornar professor numa universidade brasileira ou iniciar trabalhos como pesquisador em universidades internacionais”, compartilhou Luan.

Já Diogo planeja seguir trabalhando na formulação da vacina contra leishmaniose e ingressar no doutorado do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ele também conta que, ao longo prazo, pretende voltar à universidade como professor para compartilhar suas experiências e incentivar que projetos de alunos “saiam do papel” e se tornem realidade.

 

Também quer seguir a carreira de pesquisador? Vem ver a mensagem que o Diogo e o Luan deixaram para você!

Diogo: Procurem sempre se destacar, ser um aluno diferenciado; busquem se engajar em atividades organizadas por profissionais comprometidos que desenvolvam trabalhos nas áreas que você mais se interessa. Procure sempre tirar dúvidas com alguém que sabe mais sobre o assunto. Leia bastante e se mantenha atualizado, porque a ciência sempre tem novos achados e novas descobertas.

 

Luan: Primeiramente saibam que é uma carreira muito difícil. Hoje no Brasil são milhares de Doutores desempregados. Entretanto, a pesquisa é uma área que você depende de muito esforço e trabalho duro, além de muito estudo. Basicamente, você depende de você mesmo para crescer e se desenvolver na área. Além disso, os experimentos dão resultados muito lindos às vezes e outras, nem tanto. O importante é nunca se frustrar com um dado negativo, na verdade o ideal é utilizar deste dado negativo como ferramenta para algo maior, para ir além do que antes você imaginava.

 

 

Por Fabio Jordão , estagiário de jornalismo

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