Uma noite no museu: alunos e professores passaram uma noite no Museu Nacional

Museu Nacional

Museu Nacional

Em 22 de dezembro de 2017, os alunos que hoje cursam o 6º ano no Campus Humaitá II, que vieram do Pedrinho (Humaitá I), viveram uma noite inesquecível, daquelas de se contar para os netos um dia: passaram uma noite no maior museu de história natural da América Latina, o Museu Nacional.

O que parecia impossível, nasceu da mente ousada da professora do Humaitá I e então coordenadora de Estudos Sociais do campus, Karen Furtado. Durante um conselho pedagógico para discutir a comemoração dos 180 anos do Colégio Pedro II, foi solicitado aos professores que planejassem atividades pedagógicas para marcar a data. “Pensei então em realizar uma atividade no Museu Nacional, afinal nada mais representativo do que levar os alunos à residência de Pedro II. Minha ideia era que eles pudessem passar uma noite no local”. A professora enviou um e-mail com a proposta e, para sua surpresa, a equipe do Museu Nacional foi muito receptiva à ideia.

A professora Jéssica Barcelos, que participou da atividade, lembra que durante o ano de 2017 foi desenvolvido com as turmas do 5º ano do Campus Humaitá I um projeto integrado sobre Dom Pedro II e a fotografia. “Estudamos a biografia do imperador que dá nome à nossa escola, sua importância no pioneirismo da fotografia no Brasil e seu envolvimento com a cultura e a educação. “Era também o último ano de nossos alunos no Pedrinho, um ano que marca uma transição importante na vida deles”, lembrou.

Auditório onde os alunos dormiram

Auditório onde os alunos dormiram

Foram cinco meses planejando a atividade, que contou com o apoio da Seção de Assistência ao Ensino e a Administração do Museu Nacional. A equipe do museu ficou por conta do jantar servido aos estudantes, além de providenciar seguranças extras, equipe de limpeza e monitores que acompanharam os alunos na visita à instituição. Servidores do CPII e do museu também foram mobilizados para a atividade.

A grande noite

“Os alunos levaram seus sacos de dormir, colchonetes, mochilas e um lindo sorriso no rosto; os professores estavam tensos com a responsabilidade, mas com a certeza da riqueza pedagógica que o evento proporcionaria”, ressaltou Karen. Durante a visita, os alunos aprenderam sobre cultura egípcia, africana e indígena; tiveram contato com seus artefatos, observaram as múmias e aprenderam sobre o processo de mumificação. Nas salas históricas, tiveram a oportunidade de saber mais sobre a vida e o governo de D. Pedro II, além de poderem observar um pouco do mobiliário do palácio.

A Sala de Paleontologia foi uma das preferidas pelos alunos

A Sala de Paleontologia foi uma das preferidas pelos alunos

A sala que causou mais empolgação foi a de paleontologia. O aluno  Julião de Lima, do 6º anos, confirmou que essa foi uma das salas que ele mais gostou. “Fizemos quatro atividades: uma relacionada a fóssil, outra à cultura indígena, uma sobre as salas preservadas do museu e outra sobre a cultura egípcia. O meu grupo começou pela dos fósseis que, por sinal, foi a que mais gostei. No final saímos à procura de fósseis. A última, e não menos importante sala que a gente visitou foi a egípcia. Nela vimos tumbas e escutamos a história de um deus egípcio. Gostei bastante dessa atividade”, afirmou.

“Ver os alunos com os olhos brilhando enquanto simulavam escavações, observavam os fósseis vegetais e babavam nos esqueletos expostos no museu foi maravilhoso! É por esses olhos, ávidos por conhecimento, que nós, professores, nos apaixonamos todos os dias. É isso que nos move! ”, enfatizou a idealizadora da atividade.

 

Ao longo da madrugada, filme e pipoca para todo mundo. “Foi farra mesmo! Alguns alunos levaram jogos, outros aparelhos para ouvir música. Não havia sono, não queríamos que a noite acabasse”, lembrou Karen. Pela manhã, uma grande foto foi feita em frente ao Museu Nacional, e os alunos recitaram a tabuada, famoso grito de guerra dos estudantes do CPII.

Para Jéssica, a noite na casa do imperador, foi um momento de vivenciar na prática tudo o que os alunos estavam estudando, de entender melhor a importância de espaços museológicos e de celebrar duas instituições públicas federais que em tanto contribuem para o desenvolvimento do país.

Estudantes aprenderam sobre Cultura Africana e Indígena

Estudantes aprenderam sobre Cultura Africana e Indígena

“Foi uma experiência mágica, que superou em muito todas as grandes expectativas da equipe pedagógica que organizou esse momento. Nossos alunos, no Museu Nacional, sendo guiados por monitores, ex-alunos do CPII, numa noite dedicada ao conhecimento. Como foi lindo vê-los curiosos a cada exposição, ávidos pelo saber a cada atividade proposta, encantados ao ouvir cada história que já aconteceu naquele espaço. Foi uma noite e tanto”, recorda Jéssica, lamentando não poder mais proporcionar essa experiência aos alunos do CPII.

 

O incêndio

Karen disse que chorou muito ao saber do incêndio que tomou o museu. “Relembrava cada momento passado lá. Quando estávamos organizando o evento em 2017, um aluno me perguntou se a turma dele seria a única do Brasil a dormir no Museu Nacional, uma tentativa de dimensionar o privilégio que estavam tendo. Sua fala se repetia em minha cabeça enquanto eu assistia às chamas na TV”, lamentou Karen.

No dia seguinte, ao chegar no Humaitá I, Karen contou que ouviu da primeira criança que encontrou que o museu havia pegado fogo. “O choro tomou conta de mim novamente, só pensava em como ia fazer para entrar na sala e comentar sobre o incêndio. A única frase que consegui emitir foi ‘vocês viram na TV o que aconteceu ontem?’.  Deixei então quem falassem o que eu ainda não conseguia, ao menos sem me emocionar. Encerramos nossa conversa com a conclusão óbvia de que em 2018 não teríamos uma noite na casa do Imperador”.

Para os estudantes que tiveram a oportunidade de participar dessa atividade, ficou a tristeza pela perda desse museu tão importante e as lembranças dessa noite especial. “Foi muito bacana, nos separamos em grupos e conhecemos várias salas, uma delas tinham múmias de verdade, uma das minhas preferidas, alguns objetos etc. Foi muito especial esse dia, fiquei muito triste ao saber que ele virou cinzas. Agora restam recordações”, lamentou Ana Paula de Melo, do 6º ano. O sentimento também é compartilhado pelo colega Valter Davi Albuquerque. “Foi o melhor passeio do colégio. Eu acho que para todo mundo. Lá vimos várias coisas sobre o passado do Egito e de Dom Pedro II. Quando acabou, todo mundo ficou triste. Todos devem guardar na memória aquele passeio”, contou.

 

Confira o vídeo dos alunos recitando a tabuada em frente ao Museu Nacional

 

Por Denise Moreira – comunicadora do Campus Humaitá II

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