No Humaitá II, jornal ‘O Cordel’ completa 30 anos

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Neste mês de novembro o lendário jornal do Campus Humaitá II, O Cordel, está completando 30 anos. No quarto volume do livro “Ao Pedro Segundo tudo ou nada”, o ex-aluno do campus e idealizador de O Cordel, André Amador, conta a um pouco da história do jornal que, segundo os cálculos do autor, teve   54 edições de novembro de 1988 a dezembro de 2013.
“Ao Pedro II Tudo ou Nada? Memórias do cotidiano no CPII, de 1942 a 2014”
“Ao Pedro II Tudo ou Nada? Memórias do cotidiano no CPII, de 1942 a 2014”

André lembra que, no ano em que começou a circular o informativo, o país passava por uma “grande efervescência política e redemocratização”, com a elaboração e promulgação da nova Constituição Federal.  Os alunos do CPII participaram de passeatas para que o colégio permanecesse na esfera federal, o que acabou acontecendo.  No Rio de Janeiro, estudantes, principalmente de de escolas particulares, se mobilizam em passeatas contra os aumentos das mensalidades. Também aconteceram mobilizações dos estudantes pela campanha da meia entrada nos cinemas.

Na casa de André sempre houve uma atmosfera de participação política, os pais eram de esquerda (mãe brizolista e pai socialista) e incentivavam a participação política dos filhos. Desde criança ele e os irmãos já brincavam de produzir pequenos jornais e rodar em mimeógrafo. Depois a irmã mais velha se tornou presidente do Grêmio do CAP da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e André passou a ter contato com as atividades daquele coletivo. Não demorou para que ele começasse a pensar também em formar uma chapa e concorrer à eleição do grêmio da sua escola.

André Amador, ex-aluno do Campus Humaitá II
André Amador, ex-aluno do Campus Humaitá II e idealizador de ‘O Cordel’

Foi da vontade de construir um grêmio forte e representativo que surgiu o primeiro jornal O Cordel. Um dos objetivos informativo era claramente político, ou seja, formar uma base para uma chapa e ganhar a eleição para o Grêmio do Campus Humaitá II no ano seguinte. O outro objetivo, revela André, era bem mais pessoal:  “sair do anonimato, me destacar na multidão e arrumar uma namorada”.

Confira abaixo um pouco mais dessa história na entrevista com André Amador.

CHII – Como era feito o jornal?

O Cordel na minha época era feito de forma colaborativa, tendo a pauta e as seções principais definidas em reunião do grêmio, uma comissão do jornal se reunia para juntar os textos e desenhos e para elaborar a arte final. Feita a boneca do jornal, nós íamos até a Assembleia Legislativa do Rio de janeiro pedir para tirar cópias do Cordel nos gabinetes dos deputados estaduais.

Matéria sobre "O Cordel" no jornal "O Globo" (esquerda) e propostas do Grêmio Estudantil
Matéria sobre “O Cordel” no jornal “O Globo” (esquerda) e propostas do Grêmio Estudantil (direita)

CHII – Quantos alunos eram envolvidos na edição de O Cordel

Normalmente participavam cerca de 10 pessoas na elaboração do jornal. Mas também tinha a seção de recados e a seção “Se burrice matasse…” que faziam o maior sucesso e que tinham os recados dos alunos e as gafes cometidas por pessoas da escola.

CHII – Vocês faziam reuniões de pautas, como acontece no jornais?

As reuniões de pauta eram realizadas nas próprias reuniões do grêmio. Os temas iam surgindo conforme a sugestão dos alunos. Sempre na capa e na última folha tinha um editorial e uma mensagem mais politizada, mas no meio do jornal tinha de tudo, recados burrices, desenhos, poesia, música, entrevistas etc. Mas falo sobre O Cordel na minha época de aluno, de 1988 a 1991. Depois que saí do CPII outras pessoas foram ocupando o grêmio e fazendo o jornal, de acordo com as suas ideias. Fui informado que o atual pessoal do Grêmio do CPII Humaitá estava querendo relançar O Cordel.  Estamos aguardando o seu relançamento.

'O Cordel"
‘O Cordel’

Novo O Cordel

Estava nos planos do Grêmio lançar o novo O Cordel  ainda neste mês de novembro, para aproveitar a data de criação do jornal. As alunas Pietra Regis, Letícia Pinheiro e Iris Coelho fazem parte da equipe responsável pelo informativo, que vai ter uma versão online e outra impressa. Mas essa última somente com as principais informações que poderão ser acessadas depois na rede. Segundo Letícia, o lançamento do jornal será no começo de 2019.

Da esquerda para direita: Pietra Regis, Letícia Pinheiro e Iris Coelho, da equipe do novo O Cordel
Da esquerda para direita: Pietra Regis, Letícia Pinheiro e Iris Coelho, da equipe do novo O Cordel

 

Por Denise Moreira – jornalista do Campus Humaitá II

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