Alunos do Humaitá organizam evento de simulação diplomática

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Modelo Intercolegial do Humaitá

Voltado para estudantes de qualquer escola, a partir do 9º ano, o Modelo Intercolegial do Humaitá (MIH) tem como principal proposta a inclusão e a diversidade dentro do mundo dos modelos diplomáticos. O MIH é a primeira experiência dessa natureza que acontece dentro do Campus Humaitá II.

Nesta entrevista, os estudantes falam sobre como nasceu o projeto, inspirado nos modelos públicos já estruturados no Rio de Janeiro, a influência de professores do campus e a participação de ex-alunos como medidores nos debates que aconteceriam em um evento planejado para o mês de julho, mas que teve de ser adiado por conta da pandemia da Covid-19. Como alternativa, os integrantes do MIH realizaram um aulão com a proposta de explicar aos colegas o que é são os modelos diplomáticos e atrair mais estudantes para o mundo da Modelância.

Entre os organizadores do MIH, denominados secretários, estão os estudantes do Humaitá II Francisco Azar (2ª série), Isabela Borges (2ª série), Katerine Gomes (3ª série) e Olívia Oliveira (2ª série, Campus Realengo II).

Confira a entrevista:

O MIH começou a ser desenvolvido ainda em 2019 por um grupo alunos do Humaitá II, com a proposta de criar oportunidades para os estudantes do campus. Essa é a primeira experiência no campus nesse sentido, digo, da criação de um projeto voltado para as simulações dos modelos diplomáticos?

MIH – Não é a primeira que entramos em contato com essas oportunidades dentro do nosso Campus. O secretário-geral, Francisco Azar e a subsecretária-geral, Katerine Gomes, participaram da Jovem ONU, o Modelo Diplomático promovido pela Escola SESC de Ensino Médio e que todo o ano convida alunos do Humaitá II para participar do evento. Foi por lá que a estruturação do projeto do MIH foi iniciada. A ida dos alunos do Humaitá II é promovida, anualmente, pela professora Fernanda Amante, do Departamento de Geografia. Ela auxilia os alunos na preparação do evento, uma experiência incrível para todos os esrudanres! Mas, mesmo com todo o empenho da equipe de Geografia para tornar essa experiência o mais prazerosa possível, ainda é um evento que acontece em outra escola, organizado por pessoas que não estudam nas mesmas condições do nosso colégio. Além disso, é uma experiência pouco ampla, uma vez que envolve poucos colégios e é um modelo fechado; ou seja, apenas colégios convidados podem participar, além da limitação de vagas. A professora Cristiane Adiala, também de Geografia, tem outro projeto, um mine comitê, para trabalhar com a 2ª série. Mas ainda prevalece o problema da pouca interação com outras pessoas e de não incluir alunos que não estejam na 2ª série.

Como surgiu a ideia? Quais foram as inspirações do grupo? Algum professor ou equipe pedagógica acompanhou ou acompanha vocês?

MIH – Nossa grande inspiração foram os Modelos Públicos já estruturados no Rio de Janeiro. São modelos de extrema excelência que têm redefinido o cenário dos Modelos Diplomáticos na cidade. A grande realidade é que até alguns anos atrás apenas alunos de escolas particulares conseguiam participar de atividades como essa. Existem diversos impeditivos, como taxas de inscrição altas e o código de vestimenta que exige roupas mais formais e, consequentemente, mais caras. Além disso, a Modelândia, como chamamos o mundo das simulações diplomáticas, ainda é um ambiente que reflete uma realidade muito triste de nossa sociedade: são sempre comandados por homens, brancos, héteros e cis. Falta uma diversidade gigantesca dentro desse universo. Foi isso que nos inspirou a criar o MIH: o sonho de um ambiente cada vez mais diverso e com cada vez mais cores.

Além disso, sentimos que nosso o campus tem sofrido nos últimos anos uma falta de integração entre alunos. Existem poucos projetos que sejam conduzidos por alunos, para outros alunos. Falta uma maior unidade do campus. E acreditamos que o MIH pode ajudar nisso.

Sobre os Professores que nos ajudaram na estruturação do projeto, devemos dizer que tivemos inícios de conversa de apoio dos Departamentos de Geografia, História e Biologia. Recebemos muita ajuda das Professoras Fernanda e Cristiane. Mas esse é um projeto de fato encabeçado por alunos. Queremos que seja o nosso legado no colégio, para outros estudantes. Por enquanto, queremos que permaneça assim.

Como têm sido as reuniões do grupo durante a quarentena?

MIH – As reuniões têm sido online, fizemos todo o processo seleção de diretores online e estamos acompanhando tudo pelas redes sociais e em reuniões em plataformas de vídeo. Tem sido um processo complicado, principalmente porque tem demorado muito mais do que prevíamos antes. Mas, de certa forma, foi bem positivo termos mais tempo para nos prepararmos. Nosso evento aconteceria em Julho, ou seja, já teria acontecido. Não teríamos tido nem a metade do tempo que tivemos para promover o evento e também para formular comitês com temas que sejam realmente bem interessantes e bem explicados. Atualmente, nossos diretores estão em processo de escrita de Guias de Estudo, os documentos que disponibilizamos para os alunos-participantes entenderem a questão a ser discutida e a posição que cada país deve defender. Esses guias estão sendo construídos com todo o cuidado do mundo, para que sejam acessíveis para alunos de todas as idades como também tragam absolutamente todas as informações necessárias para as discussões. Apesar de ser um desafio, ficamos extremamente surpresos com o quanto tem sido uma experiência positiva e diferente de tudo que já tínhamos experimentado. Estamos aprendendo muito! Desde técnicas administrativas até regras da ABNT.

 

Fale um pouco sobre o aulão que aconteceu em julho? Foi uma experiência que funcionou? Vocês pretendem repetir?

MIH – O aulão foi uma experiência fantástica! A gente espera muito que as pessoas que participaram tenham tido uma experiência completa e positiva em começar a conhecer a Modelândia. Nós com certeza tivemos. Foi tão bonito construir esse projeto, junto com os diretores da primeira edição do MIH. Tivemos mais de 65 inscrições. São 65 pessoas que nunca tinham tido uma oportunidade como essa e que, nos últimos dias 25 e 26, conseguiram conhecer, pela primeira vez, o mundo dos Modelos Diplomáticos. A maior parte dos inscritos era de escolas públicas.

Achamos que funcionou realmente muito bem. No nosso segundo dia, tivemos uma experiência mais prática e ficamos com medo de que as pessoas ficassem um pouco mais travadas para falar. Mas foi uma experiência ótima! Todos falaram. Tivemos dois grupos de discussão: o primeiro discutiu sobre qual seria o melhor bairro do Rio de Janeiro. O segundo discutiu sobre os duendes do Papai Noel, se seriam escravos ou não.

Sobre repetir, ainda não prevemos nenhum evento como esse no futuro próximo, mas é algo que temos com certeza intenção de fazer. Talvez façamos um outro aulão de maneira presencial, quando as medidas sanitárias permitirem. Estamos deliberando e pensando sobre algumas outras atividades a serem realizadas remotamente. No entanto, nosso foco nesse momento são os nossos Guias de Estudo e fechar nosso orçamento para o evento presencial.

 A princípio o CPII não retorna presencialmente em 2020, a não ser que a pandemia acabe ou sejam adotadas medidas eficazes de segurança. Vocês pensam em fazer o evento virtual, caso isso se confirme?

MIH – Nosso evento principal será presencial. Só poderemos realizá-lo quando for realmente seguro sanitariamente. No entanto, como dissemos, estamos considerando algumas outras atividades complementares que possam ser realizadas remotamente.

 

 

Fale mais sobre o corpo diretório (mediadores dos debates que ocorrem ao longo de um evento). Vocês já reuniram pessoas de vários colégios e universidades do Rio.

MIH – Como já dito antes, o processo foi totalmente feito online e ficamos muito felizes com a adesão das pessoas. Não esperávamos um fluxo de inscrição tão grande. Recebemos mais de 30 inscrições e, nosso projeto inicial de termos três comitês foi ampliado para cinco. Nossos diretores são pessoas incríveis que já são extremamente experientes no mundo dos Modelos Diplomáticos. Alguns deles já participaram de mais de 20 modelos. Destacamos que temos diversos ex-alunos do campus no nosso corpo diretório, além de pessoas muito experientes na Modelândia particular e na pública. Recebemos a ajuda de diversos deles para montar o nosso aulão. Nós queremos que nossa relação com eles seja de fato a mais próxima possível. Queremos construir esse evento junto com eles e não separados. Não acreditamos em uma hierarquia fixa. O MIH é uma construção coletiva. E nossos Diretores são uma peça fundamental, sem a qual não estaríamos aqui hoje.

 

O que é preciso fazer para participar do grupo ou do corpo diretório, o que ele precisa fazer?

MIH – O Secretariado da primeira edição já pensa em uma segunda edição que procura pessoas qualificadas tanto em administração como na Modelândia. Nosso Secretariado para a segunda edição ainda não está definido, mas a escolha de nossos secretários acaba sendo um processo mais subjetivo. Já temos alguns nomes em mente, a partir da relação que temos com nossos diretores. Estamos super abertos a novas possibilidades e pessoas. Quanto ao corpo diretório, é necessário que eles tenham experiência no campo dos Modelos Diplomáticos. Aceitamos diretores de todo o Ensino Médio e da Graduação, e eles não precisam ser do Colégio Pedro II. No entanto, é importante reforçar que esse campo dos Modelos Diplomáticos funciona mesmo como uma carreira. Se constrói aos poucos, participando dos mais diversos eventos. Assim que a primeira edição estiver terminada, teremos uma nova onda de inscrições. Fiquem ligados em nossas redes sociais para se manterem a par!

Site: www.mihumaita.com

Instagram: @mihumaita

Twitter: @mihumaita_

E-mail: mihcomunicacao@gmail.com

 

 

Por Denise Moreira

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