Por trás das medalhas: estudantes falam sobre preparação e estímulo para olimpíadas de matemática

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Adrieny Teixeira, Marlon Fagundes e Arthur Rampazio
Adrieny Teixeira, Marlon Fagundes e Arthur Rampazio


Três estudantes do CPII conquistaram medalhas na Olimpíada Internacional de Matemática da Ásia (AIMO) 2019. Devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, a competição ganhou um novo formato, com aplicação de prova online e adesão voluntária dos estudantes – nas edições anteriores, os estudantes eram convidados a partir de seu desempenho na Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras (OIMSF), que até a publicação desta matéria ainda não tinha sido realizada.

No CPII, cinco estudantes toparam participar desse desafio: Adrieny Teixeira (medalha de ouro / 1ª série, Campus Centro), Marlon Fagundes (medalha de prata / 2ª série, Campus Tijuca II), Arthur Rampazio (medalha de bronze / 9º ano, Campus Centro), João Vitor Diniz (9º ano, Campus Centro) e João Vitor Pereira de Andrade (9º ano, Campus Humaitá II).

A preparação para a prova contou com o apoio de professores do Departamento de Matemática. Mesmo com a suspensão das atividades presenciais, os alunos tiveram o suporte das equipes de Matemática por meio de reuniões online e do envio de materiais para estudo. Estimular o interesse dos estudantes pela Matemática por meio de atividades extracurriculares faz parte das iniciativas desenvolvidas pelos professores de Matemática do CPII e a preparação para olimpíadas científicas é uma delas.

Participar de olimpíadas como a AIMO vai muito além de simplesmente resolver questões de matemática. É uma experiência que pode proporcionar um novo olhar sobre o universo dos números. Os estudantes têm a possibilidade de aprofundar seus conhecimentos para além dos programas curriculares, são apresentados a situações desafiadoras e instigantes envolvendo a matemática e, dependendo da premiação, podem conseguir bolsas de estudo em curso oferecidos por instituições de renome!

Se você se interessou por tudo isso, confira essa entrevista com nossos três medalhistas, que contam detalhes sobre a preparação e suas afinidades com a Matemática.

O que você sentiu ao receber seu resultado na AIMO 2020?

Adrieny Teixeira, 1ª série do Campus Centro
Adrieny Teixeira, 1ª série do Campus Centro

Adrieny: Meu sentimento foi de muita felicidade por ter conquistado mais uma medalha junto aos meus amigos, que também trouxeram um bom resultado para o o Brasil e nosso CPII. Fiquei surpresa, pois a prova estava bem difícil e tinha pouco tempo para resolução das questões.

Arthur: Fiquei surpreso e muito feliz pela conquista! Eu não esperava porque a prova estava muito difícil.

Marlon: Senti que a minha participação realmente valeu a pena. Essas premiações são propulsores para que nós, estudantes, participemos de novo e de novo. E obviamente, acabamos sendo beneficiados em vários sentidos: aprendendo coisas novas, conhecendo outras pessoas e, claro, futuramente devido ao currículo.

Como foi sua preparação para a AIMO?

Adrieny: Minha preparação foi bem intensa. Estudei com meus amigos, tive apoio dos professores do Campus Centro, encontro virtuais com a equipe de matemática, assisti videoaula (quando minha internet permitia) de conteúdo do ensino médio que ainda não tinha aprendido, livros e refazendo provas anteriores da AIMO.

Arthur: Eu refiz as provas anteriores e fiz os simulados da AIMO. Montamos um grupo de estudos com colegas que também fizeram a inscrição e nos reunimos em encontros virtuais com a equipe de matemática do Campus Centro que nos orientou e ajudou com questões que não sabíamos. Foi uma experiência muito boa.

Marlon: Eu gosto de matemática há bastante tempo, o que faz com que eu veja conteúdos no dia a dia mesmo, e não só antes de olimpíadas ou outras provas. Falando especificamente da AIMO, utilizei os dias anteriores para revisar as partes da matéria que não lembrava bem. O Wallace, professor de matemática do meu campus (Tijuca II), me ajudou a revisar conteúdos para a AIMO. Mas ele não me ajudou só nessa ocasião não. Muito pelo contrário! Conversamos desde 2015 sobre matemática olímpica, e ele já fez muito não só por mim mas por vários outros alunos interessados na participação em olimpíadas de matemática. Sou muito grato a toda a equipe de matemática do meu campus, especialmente a ele.

A pandemia afetou sua rotina de estudos para essa prova? De que forma?

Arthur Rampazio, 9º ano do Campus Centro
Arthur Rampazio, 9º ano do Campus Centro

Adrieny: Sim. A pandemia afetou muito a minha rotina de estudos. Desde o começo do isolamento social, estava bem desanimada e sem motivação pra estudar, preocupada com tudo o que estava acontecendo no mundo e com alguns problemas pessoais. Mas, com as aberturas das inscrições para as olimpíadas virtuais tive mais ânimo.

Arthur: Sim. A pandemia me prejudicou muito pois não tenho aulas presenciais desde março e isso pra mim foi a maior dificuldade, pois não tive as matérias do 9º ano e isso tornou o desafio da prova ainda maior.

Marlon:  Não, não acho que a pandemia tenha impactado a minha rotina de estudos de forma tão significante. Para mim pelo menos, a pandemia vem afetando mais os aspectos sociais, como as interações em sala de aula entre mim e meus amigos e professores.

Já tinha participado de outras olimpíadas de matemática? De quais? Como foram seus resultados?

Adrieny: Participo de todas as olimpíadas acadêmicas que posso me inscrever (nacionais e internacionais) obtendo um bom resultado e sendo medalhista na maioria delas (OBA, OBMEP, Canguru de Matemática, Omerj, Tubarão de Matemática, OBRL e OIMSF) e já estou ansiosa para participar das olimpíadas de Química e Física do Ensino Médio.

Arthur: Sim, já participei de várias. Minha primeira participação foi no 6º ano e depois disso participo de todas as olimpíadas. Participei da OBMEP, Canguru de Matemática, OIMSF ,OMERJ, OBI, OBR, OBRL, OMU, Tubarão de Matemática. Acho que meus resultados foram muito bons, conquistei medalhas em quase todas.

Marlon: Eu já tinha participado de várias olimpíadas de matemática. As primeiras provas que fiz foram em 2015, da OBMEP e da OBM. Desde então, minha participação em diversas olimpíadas científicas vem sido constante. Não só em olimpíadas de matemática, como também em olimpíadas de astronomia, química e física. Cada medalha é motivo de celebração.

A AIMO foi sua primeira olimpíada internacional de matemática?

Adrieny: A AIMO foi minha segunda participação em olimpíadas internacionais. A primeira que participei foi a WMTC, em novembro de 2019, em Beijing (China), na qual também conquistei medalha de ouro.

Arthur: Não, a AIMO é minha segunda olimpíada internacional, também participei da WMTC em 2019 e ganhei medalha de bronze.

Marlon: Quando estava no 9° ano, participei da AIMO 2018, na Tailândia, na qual consegui uma medalha de ouro e um troféu estrela pelo melhor desempenho do Brasil.

O que te atrai em estudar matemática?

Marlon Fagundes, 2ª série do Campus Tijuca II
Marlon Fagundes, 2ª série do Campus Tijuca II

Adrieny: O que me atrai em estudar matemática são os desafios que ela oferece e o prazer enorme que me dá em participar das olimpíadas.

Arthur: Eu sempre gostei. Creio que o que me atrai na matemática seja o desafio de resolver as questões e o raciocínio por trás delas.

Marlon: Essa é uma pergunta sobre a qual eu também reflito bastante. Para falar a verdade, sempre gostei bastante de matemática, mas foi só no 6° ano que conheci as olimpíadas científicas. Assim, veio um enorme encanto por esse lado da matéria. Na escola, geralmente somos ensinados apenas a parte mais mecânica. Às vezes, até eu acho chata a forma que a escola ensina. E não falo isso em relação aos professores do Pedro II não, que como já disse, são muito bons, mas sim em relação ao conteúdo programático mesmo. Até eu, que gosto da matéria, fico pensando coisas como “quando que alguém que não gosta de matemática vai precisar usar inequações trigonométricas no futuro?”. Resumindo, acredito que sou atraído pela matemática tanto por ter uma afinidade preexistente pela matéria, quanto por ter conhecido um pouco mais desse lado menos mecânico e mais legal dela.

Que conselhos de estudo daria para outros estudantes que querem participar de olimpíadas de matemática?

Adrieny: O conselho fundamental que dou é treinar bastante, realizar provas anteriores, entender a dinâmica e o regulamento de cada olimpíada. E nunca desanimem caso não conquistem alguma premiação, pois o mais importante é o conhecimento e experiência que a gente adquiri ao se preparar para cada uma delas.

Arthur: Eu aconselho que estudem bastante e principalmente que refaçam as provas anteriores para entenderem como cada olimpíada funciona. Buscar ajuda quando não entender determinada questão. Fazer a prova não como competição, mas como um novo desafio.

Marlon: Se o objetivo é participar apenas de uma olimpíada de matemática específica, a melhor recomendação é ir mesmo com tudo em relação a essa olimpíada. Mas se o objetivo é participar de diversas olimpíadas de matemática, o melhor é não estudar somente para uma ou outra prova especificamente, e sim tentar estar a todo tempo melhorando, treinando até quando não há provas próximas. Acredito que isso vale para os vestibulares também. Cada vez mais, as questões dessas provas vêm mostrado maior interesse em selecionar aquele aluno que tem uma experiência de longa data com a matéria cobrada, e não o aluno que estudou somente para aquela prova em específico. Bem, mas essa é só minha impressão. Cada um deve estudar da forma que acha melhor para si mesmo. Plataforma é o que não falta. O Khan Academy e o Portal da Matemática são as melhores que conheço. Relaxem, concentrem-se e mergulhem com tudo nessas provas!

 

 

Por Bianca Souza

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