Do CPII pra Índia: aluno do HU2 vai estudar na UWC Mahindra College

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Aluno da 2ª série do Campus Humaitá II, Francisco Azar é um dos nove estudantes brasileiros selecionados pela UWC Brasil para o  programa residencial de dois anos dos colégios UWC, a partir do segundo semestre de 2021. A informação foi divulgada na segunda-feira, 7 de junho, no site oficial da UWC Brasil. Francisco vai para a UWC  Mahindra College, na Índia.

O movimento UWC conta atualmente com 18 unidades em diferentes localidades. Todo ano, a instituição seleciona estudantes de cerca de 150 países para cursarem o equivalente ao Ensino Médio no Brasil em uma das suas unidades, que oferecem o rigoroso currículo acadêmico do International Baccalaureate (IBDP).

Francisco concorreu com mais de três mil candidatos de todo o Brasil. Em entrevista, ele falou sobre a expectativa de estudar fora, como estão os preparativos para a viagem e do processo seletivo para conseguir uma vaga tão disputada.

Veja abaixo os principais tópicos da entrevista com o estudante:

Seleção concorrida

“Eu passei no processo seletivo da UWC, uma organização internacional que tem vários colégios espalhados pelo mundo. Eles estão presentes em países como a Holanda, Estados Unidos, Singapura e até na Tanzânia.

O processo seletivo para esses colégios é feito por meio de comitês nacionais que selecionam alunos ao redor do mundo. Cada colégio tem ao menos 80 nacionalidades representadas e todos eles oferecem bolsas. No quesito acadêmico, os colégios oferecem o IB (bacharelado internacional), um diploma internacional que é equivalente ao Ensino Médio brasileiro, mas que também pode dar créditos universitários em algumas matérias.”

Príncipe Charles e Nelson Mandela

“A história da organização é muito incrível! O maior lema da UWC é fazer da educação uma força para unir povos, culturas e países na construção da paz e de um futuro sustentável. O príncipe Charles, do Reino Unido, e o Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, já foram presidentes da organização.

O Comitê Nacional Brasileiro realiza todos os anos um processo seletivo extenso para selecionar de 6 a 12 alunos para cursarem os dois anos do IB em uma das escolas da UWC. O processo começa em junho e dura aproximadamente um ano. São essencialmente quatro etapas de seleção: uma prova, um application (que é basicamente um formulário de perguntas pessoais sobre quem você é e quais são os seus valores), uma entrevista e, por fim, um convívio, que geralmente acontece durante um fim de semana em um sítio de São Paulo.

Não é necessário conhecimento de inglês em nenhum momento do processo seletivo. A seleção é feita inteiramente em português. Para quem tiver interesse, as inscrições do processo seletivo 2021-2022 já estão abertas.”

Sucesso na segunda tentativa

“Eu fiquei sabendo da UWC ainda no 8º ano do Ensino Fundamental. Me apaixonei demais por toda a proposta, mas ainda não tinha idade o suficiente para me inscrever. Toda a organização me inspirou muito porque eu queria, acima de tudo, ter uma perspectiva global sobre o mundo. A UWC me permitiria ligar o nome de países a rostos conhecidos e ver o mundo a uma distância bem mais curta.

Em 2019, quando fazia a 1ª série do Ensino Médio, eu tentei o processo seletivo pela primeira vez, mas acabei nem passando da primeira fase. Depois daquela decepção, eu acabei desistindo da UWC. Em 2020 veio a pandemia e, com todo o tempo extra estando em casa, acabei decidindo me inscrever de novo, de última hora.

Dessa vez deu tudo certo! Acredito que o que diferenciou os dois processos foi justamente o fato de eu ter ido com a cabeça erguida e tentado ser honesto em tudo que eu mostrava ao longo das fases. Queria mostrar o verdadeiro eu: todas os pontos fortes, as dificuldades e as paixões!”

Índia não era primeira opção, mas… Deu match!

“A Índia não foi minha primeira opção de colégio da UWC. Durante o processo, eles perguntam quais seriam os três países em que você gostaria de estudar. Eu queria colocar a Índia nesse top 3, mas acabei desistindo por causa da preocupação dos meus pais. Quando a notícia da minha seleção foi confirmada, fiquei chocado. Não esperava que o colégio da Índia me selecionaria.

Mas agora entendo completamente a decisão do Comitê Nacional de me indicar para lá. Não poderia estar mais apaixonado pelo colégio! Ele é extremamente lindo, de tirar o fôlego! Vai ser uma experiência que eu nunca poderia ter em nenhum outro lugar, nem circunstância. Além disso, as matérias oferecidas pelo colégio combinam muito com o meu perfil. Vou poder fazer tanto cinema quanto políticas globais.”

Rede de apoio no CPII

“Eu entrei no Campus Humaitá no 6º ano em 2015. Minha irmã, Clara Azar, estudou no colégio antes de mim, e eu já era apaixonado pelo CPII antes mesmo de pisar no colégio. Ela fez oceanografia na UERJ e agora está terminando o seu mestrado pela UFF, em Geoquímica.

O Pedro II foi a peça-chave para essa conquista. A diversidade que o colégio tem me preparou muito para esse próximo desafio que vou enfrentar a partir de agosto. Não só isso, mas os projetos e as pessoas que encontrei no colégio e que me apoiaram durante toda minha caminhada foram essenciais para o próprio processo seletivo. Estou certo de que não teria chegado até aqui sem o apoio de toda a comunidade escolar do Humaitá II, que mudou totalmente a minha vida.

Francisco (esquerda) com colegas e professores em encontro internacional de História
Francisco (esquerda) com colegas e professores em encontro internacional de História

A diversidade representada no nosso campus foi um potencializador para minha educação. As pessoas que eu conheci no CPII mudaram a minha vida para sempre: tanto os alunos, meus amigos, como os professores, mentores em cada passo que dei e que sempre me apoiaram e me ajudaram a atingir meu potencial.”

Na bagagem, olimpíadas, projetos sociais e pesquisas científicas

“Além dessa parte humana, o colégio me ofereceu diversas oportunidades de expandir meu potencial. Logo que entrei, me deparei pela primeira vez com uma olimpíada de Matemática. Participei da OBMEP e, apesar de não gostar muito das ciências exatas, entendi a beleza por trás daquela prova e acabei ganhando uma menção honrosa na competição. De lá para cá, participei de diversas outras olimpíadas: Astronomia, Geografia, História, Economia. Além do meu desenvolvimento pessoal, participar dessas competições me deu a visão de que a educação poderia abrir diversas portas para mim.

Também comecei a me envolver com projetos sociais e com trabalhos de pesquisa científica. Me voluntariei no Napne durante algum tempo, fui monitor de História e participei de duas iniciações científicas.

Uma foi sobre os impactos das olimpíadas científicas na educação, coordenado pela professora Patrícia Silveira (ela não está mais no campus). Como experimento científico, formamos uma equipe para participar da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), para entender qual seria o impacto dela na nossa educação. Depois passamos para uma análise mais nacional do impacto da competição. Levantamos alguns dados e a comparamos com algumas outras olimpíadas, como a Matemática sem Fronteiras e a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). A nossa equipe ganhou uma medalha de ouro na OBG.

Francisco com colegas que participaram da OBG
Francisco com colegas que participaram da OBG

O outro projeto, que eu ainda faço parte, é o “Viajando pelo tempo e espaço do Rio de Janeiro: a produção de materiais didático-digitais”, coordenado pelas professoras Roberta Martinelli (História) e Carolina Vilela (Geografia). O projeto consiste na criação de animações para a construção do mapa digital da cidade do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX em articulação com o mapa atual da cidade, no qual será possível navegar entre os dois tempos.

Francisco fala mais sobre o projeto no primeiro episódio do podcast “Conexão Cientifica”.

Eu também participei da criação de um projeto que foi o mais importante para mim ao longo de todo o período que eu passei no CPII: o Modelo Intercolegial do Humaitá (MIH). Esse é um projeto feito por alunos, para alunos. Acredito muito que o MIH pode impactar o futuro do nosso colégio e abrir portas para os alunos.”

Cinema e Relações Internacionais

“Sempre tive um desejo muito grande de conquistar independência e maturidade através da educação. Conquistar uma bolsa de intercâmbio era um caminho claro para mim. Muitas delas são para universidades americanas, onde a escolha do curso só acontece no segundo ano de faculdade. Isso me atraia, porque é uma oportunidade de explorar e conhecer mais de você mesmo antes de tomar uma decisão sobre o curso que você vai fazer.

Tenho duas paixões muito fortes: o cinema e as relações internacionais. Não queria abrir mão de nenhum dos dois caminhos, e uma educação internacional me permitiria abraçar essas duas partes de mim.”

Convívio em wadas e muita troca cultural

“O UWC Mahindra localiza-se dentro de uma reserva de biodiversidade no estado de Maharashtra. A cidade mais perto é Pune, que fica a mais ou menos uma hora e meia do colégio. É uma das cidades inteligentes pioneiras do planeta. Mumbai, a maior cidade da Índia, também faz parte do mesmo estado, mas está a quase cinco horas de distância.

Todos os alunos vivem em comunidades, chamadas wadas, dentro da reserva de biodiversidade. Nas wadas, estão as casas dos estudantes, de dois quartos, ocupadas por três a quatro alunos de diferentes continentes, para garantir que todos tenham uma enorme troca cultural ao longo dos dois anos.

Na minha futura turma do UWC Mahindra, por exemplo, teremos mais de 90 países representados: Síria, Venezuela, Estados Unidos, El Salvador, Reino Unido, Tânzania… Quero muito poder conhecer essas pessoas e entender a história de cada uma, as crenças e as culturas diferentes. Acredito que vai, acima de tudo, me fazer uma pessoa melhor e mais preparada para o século 21!”

 

Por Denise Moreira – jornalista do Campus Humaitá II

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