Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: conheça o simbolismo por trás da data

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O dia 25 de julho marca as celebrações pelo Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Nos últimos anos a data tem ganhado mais visibilidade entre a sociedade. E para falar sobre o tema conversamos com Silvia Barros, professora de Português e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do CPII. Confira:

O Dia Internacional de Mulher, comemorado em 8 de março, é uma data bastante presente no imaginário coletivo por seu simbolismo e pelas pautas em torno do movimento feminista. Nos últimos anos, tem ganhado mais visibilidade o Dia da Mulher Negra, celebrado no em 25 de julho. Que mensagem essa data traz pra gente?

SB: O dia 25 de julho passou a ser uma data importante para a luta das mulheres negra após um congresso que aconteceu em 1992, na cidade de Santo Domingo, República Dominicana, reunindo grupos de mulheres negras de 32 países da América Latina e do Caribe. O objetivo desse encontro era denunciar opressões e debater soluções na luta contra o racismo e o machismo. Embora já exista o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, o 25 de julho enfatiza as especificidades da luta das mulheres negras por melhores condições de vida, salários adequados, direito à saúde, entre outras pautas. No Brasil, em 2014, foi sancionada a Lei nº 12.987 que institui o 25 de julho como Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

 

Suas pesquisas estão relacionadas à autoria negra na literatura. Como as mulheres negras estão inseridas nesse contexto?

SB: As mulheres negras sempre sofreram com a marginalização na literatura, seja pela dificuldade para publicar seus escritos, seja pelas barreiras impostas pelo racismo para que ganhassem destaque e visibilidade. Pesquisando a literatura produzida no Brasil, encontraremos, no século XIX, a figura de Maria Firmina dos Reis, primeira mulher romancista brasileira de que se tem notícia e pioneira na literatura abolicionista. A importância dessa mulher negra maranhense para nossa literatura deveria ser reconhecida e celebrada por todas as pessoas, no entanto seu nome e sua obra ainda são pouco conhecidos. Há alguns anos, docentes e pesquisadoras têm feito esforços muito bem-sucedidos para dar visibilidade à obra de Firmina. Além disso, estamos assistindo ao resgate de outras autoras negras importantes como Ruth Guimarães e Carolina Maria de Jesus, ambas com sucesso no momento de suas publicações, mas esquecidas com o passar do tempo. Isso mostra que existe uma resistência criada – fruto do racismo e pelo machismo – para que essas obras sejam escritas, lançadas, lidas, comentadas e para que se mantenham relevantes no âmbito dos estudos em literatura brasileira.

Quando pensamos em memória e construção de identidades, como você percebe as contribuições da literatura de autoria negra, em especial de mulheres negras? Qual a importância de trazer essas discussões para a escola?

SB: A literatura é um meio importante de criação e transmissão de memórias, assim como pode ajudar na criação de imagens positivas sobre pessoas negras e contribuir para a construção de identidades. Muitas obras literárias consagradas apresentam personagens negras estereotipadas ou restritas à imagem da pessoa escravizada, do sofrimento, da subalternidade. Quando entramos em contato com textos escritos por mulheres negras que valorizam a nossa ancestralidade, destacam o heroísmo de figuras negras da nossa história ou que mostram a inteligência, a beleza, a arte dos africanos e seus descendentes, acontece uma alteração no que se pensa sobre esse grupo de pessoas que constitui a maior parte da população brasileira. Passamos a ter acesso a imagens positivas, com as quais desejamos nos identificar. Nesse sentido, a escola é fundamental para uma mudança nas relações raciais e na autopercepção de estudantes negras e negros.

 

Que autoras negras do passado e do presente você destaca como vozes a serem ouvidas?

SB: Algumas dessas autoras já foram citadas anteriormente: Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Ruth Guimarães. Como citei Tereza de Benguela e as heroínas, destaco Jarid Arraes e seu livro Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, por trazer a arte do cordel como meio para que conheçamos mulheres que contribuíram para a luta contra a opressão. Destaco também Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Miriam Alves, Lia Vieira, Kiusam de Oliveira, Geni Guimarães, Ryane Leão, Cristiane Sobral, Lubi Prates entre tantas outras. Leiam autoras negras!  

Assessoria de Comunicação Social

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