Projetos Pedagógicos

O trabalho com projetos é desenvolvido como uma das estratégias didáticas da Educação Infantil do Colégio Pedro II, não se constituindo como única possibilidade. Os projetos demandam a criação de uma escuta atenta e de um olhar perspicaz, isto é, uma desenvolvida capacidade de observar, de escutar do docente para ver o que está circulando no grupo, quais os fragmentos que estão vindo à tona, quais os interesses e as necessidades do grupo. É preciso ainda conhecer e registrar os modos como cada criança se envolve e participa na construção dos conhecimentos propostos em um projeto. As propostas pensadas para e com as crianças podem conectar os projetos que nascem das brincadeiras, nas rodas de conversa ou nas aulas de linguagens especializadas.

Os projetos, por princípio, articulam diferentes linguagens e campos de conhecimento, indo além do conhecimento científico, visto que esse diálogo possibilita estreitar relações, explorar e ampliar saberes, formular hipóteses e diversificar formas de registro dos processos vividos por cada grupo. Essa escolha se dá pela oportunidade de trabalhar sentimentos de alteridade, cooperação, cumplicidade, responsabilidade e coletividade, em torno de objetivos comuns.

Os projetos desenvolvidos criam relações significativas com o mundo para além dos muros da escola, envolvendo os diversos atores sociais que convivem nestes espaços. Desse modo, os espaços da escola são investigados, experimentados e forjados a partir dos usos habituais e novos que deles podem ser feitos. Esta relação inventiva de habitar de fato é o que faz pulsar o cotidiano da Educação Infantil. O gramado, muito usado para correr e jogar bola, transforma-se numa grande poça de lama nos dias de banho de mangueira. Ele também pode ser cavado para que se encontre “meteoros, pedras preciosas ou ossos de dinossauros”, e é ainda o mesmo lugar que, de súbito, pode virar uma cozinha ou uma fábrica de bolos de terra. Assim como a brincadeira transforma o gramado, ela transforma o pátio, a quadra, a casinha, que muitas vezes vira castelo, e as salas, que seguindo desejos e interesses, ganham configurações plurais: um portal de entrada para o tempo das cavernas, um laboratório para a investigação de monstros e animais fantásticos, borboletários ou qualquer sorte de coisas que uma prática ancorada em uma estética da invenção permita criar, isto é, algo em torno de possibilidades infinitas.

Dentro das especificidades de cada turma podem surgir, ao longo do processo, apresentações, entrevistas, exposições, festas, inaugurações de produções das crianças e outras propostas. Neste contexto, os projetos não estão vinculados às datas comemorativas do calendário brasileiro convencional. Entendemos que este calendário configura-se como um campo de disputas e restringe relações culturais, religiosas, históricas, sociais, econômicas e políticas. Optamos pelo desenvolvimento de questões significativas para as crianças, respeitando as diversidades de histórias de vida.

É importante ressaltar que os projetos atravessam e são atravessados por aspectos latentes, sempre presentes em nossas escolhas, como cultura, identidade e alteridade, diversidade e espaço, alimentação entre outros.

Alguns projetos são considerados institucionais por nortearem as práticas pedagógicas de todas as turmas por um determinado período ou por todo o ano letivo. Estes projetos são permanentes, porém cada grupo tem autonomia e autoria para desenvolvê-los dentro dos interesses e demandas específicas de cada turma. Entre eles está a Ciranda Literária, que consiste na troca e circulação do acervo literário da escola, com o objetivo de potencializar o envolvimento das crianças, famílias e servidores de forma prazerosa com a literatura. Para enfatizar a importância da parceria com as famílias, abrimos as portas da nossa escola para receber os responsáveis, com apresentações artísticas e oficinas contextualizadas sobre esse projeto.

 

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