Entrevista com a farmacêutica Isadora Lameirão, ex-aluna do CPII Caxias

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Hoje entrevistamos a farmacêutica Isadora Lameirão Duarte Fonseca, 25 anos, que faz residência em Farmácia Hospitalar num hospital público de referência para a COVID-19 na cidade de São Paulo (SP). Isadora foi aluna do CPII Caxias e se formou no Ensino Médio Regular em 2012, antes de se graduar farmacêutica pela UFF.
Esta é a quinta parte de uma série de entrevistas com ex-alunos que trabalham na área de saúde e que nos trazem informações e experiências sobre a COVID-19. Também é uma homenagem aos trabalhadores de serviços essenciais que estão fazendo o possível para servir à sociedade neste momento de grave crise humanitária. (Confira as outras entrevistas aqui)

Como está sendo a experiência de trabalhar como farmacêutica nesta crise, num hospital de referência para a Covid-19?
Isadora: “A experiência de trabalhar num cenário tão atípico como esse do COVID 19 tem sido bastante agitada. Comecei a residência esse ano e todas as atividades sofreram modificações para que todos os residentes pudessem atuar de forma ativa no combate ao coronavírus. O consumo de medicamentos aumentou muito e todos os farmacêuticos estão envolvidos em fornecer os suprimentos necessários para os pacientes, tornando a rotina muito agitada. Atualmente estou no setor de manipulação e a produção de medicamentos manipulados aumentou muito sendo necessário a realocação de outros residentes para auxiliar na produção”.

A farmacêutica Isadora Lameirão na formatura. (foto: arquivo pessoal)
A farmacêutica Isadora Lameirão na formatura. (foto: arquivo pessoal)

Como você sente que estão seus colegas de trabalho do hospital?
Isadora: “Meus colegas, cada um em seu setor, estão cada vez mais atarefados. Os que atuam na farmácia clínica têm cada dia mais prescrições para avaliar, os que estão no setor de logística, acompanham o consumo diário de medicamentos para que não tenha falta dos essenciais, os da manipulação, como eu, estão produzindo cada vez mais medicamentos para atender a demanda… Como não temos contato direto com os pacientes, não estamos em risco tão direto quanto médicos e enfermeiros, porém nosso perfil de trabalho mudou bruscamente e só de estarmos dentro do hospital, já sentimos medo e apreensão de sermos contaminados”.

A realidade da farmácia está sendo como você sonhava que seria?
Isadora: “A realidade do farmacêutico hospitalar está sendo de acordo com o que eu esperava, talvez esteja até superando minhas expectativas. Sempre fui apaixonada por essa área e estar tendo a oportunidade de  vivenciá-la, só reforça que eu escolhi o caminho certo. É uma área muito ampla e muito bonita que nos permite trabalhar em conjunto com médicos e enfermeiros, sendo um verdadeiro trabalho multiprofissional visando sempre o bem-estar do paciente”.

Isadora Lameirão trabalhando no hospital, com o equipamento de proteção adequado. (foto: arquivo pessoal)
Isadora Lameirão trabalhando no hospital, com o equipamento de proteção adequado. (foto: arquivo pessoal)

Qual o papel dos farmacêuticos no combate à Covid-19?
Isadora: “O papel do farmacêutico hospitalar, não só no combate ao coronavírus, é controlar o consumo e fornecer os medicamentos necessários para atender os pacientes atingidos, avaliar as prescrições médicas para evitar erros de dose, interações medicamentosas, erros de forma farmacêutica (comprimido, solução, cápsula) adaptando-as para as condições do paciente (utilização de sondas por exemplo), avaliação dos horários de administração dos medicamentos, entrando em contato com o médico sempre que um erro for encontrado e produzir os medicamentos que necessitarem de formas farmacêuticas específicas (como omeprazol em solução)”.

O que você diria para um aluno do ensino médio do CPII que sonha em seguir sua carreira? 
Isadora: “Eu diria que é uma profissão linda, completa e que exige muito do profissional. Infelizmente somos pouco reconhecidos, mas temos que usar disso pra mostrar nosso valor. O farmacêutico é um profissional completo, que tem diversas áreas de atuação e um leque enorme de opções. É um curso muito difícil, vai exigir muito do aluno mas que no final é gratificante ver o quanto a gente aprende e o quanto a gente sabe”.

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