Entrevista com a historiadora Tayná Louise de Maria, ex-aluna do CPII Caxias

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Hoje trazemos uma entrevista com Tayná Louise de Maria, ex-aluna do CPII Caxias, historiadora formada pela UFRJ e mestranda do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da mesma universidade. Tayná estava confirmada como palestrante do Sympósion 2020, evento que estava programado para abril deste ano, mas que foi suspenso por conta da pandemia de COVID-19. Ela foi convidada para palestrar especialmente por conta da publicação do livro “Ressureição – recepções na literatura e na cultura material antigas cristãs”, do qual ela é coautora e co-organizadora. Com a impossibilidade da palestra, a equipe de Comunicação do campus a entrevistou sobre o assunto. Confira:


Como foi o processo de publicação do livro? Vocês procuraram muitas editoras?

Tayná Louise: “Fui convidada pelo professor André Chevitarese e Juliana Cavalcanti no início de 2019. O processo foi de aprendizado para mim, pois, além de publicar o livro, também publiquei dois artigos. De forma geral, o processo precisou ser lento e bem estudado, pois, por ser uma obra organizada, contava com o texto de outros autores. Contudo, o resultado foi super positivo, e já estamos organizando um próximo livro sobre Fundamentalismo Religioso Cristão.
Não procuramos muitas editoras. A Editora Kline é uma das poucas editoras que topam produzir conteúdo sobre o cristianismo histórico.”


É difícil publicar um livro na sua área?
Tayná Louise: “Sim. No campo da História, no geral, há muitas editoras abertas para produzir conteúdo, contudo preferem chamar outros profissionais para falar de um tema histórico.
Outro ponto que precisa ser levantado, já na minha área específica que é História das Experiências Religiosas/ História dos Cristianismos, é que pouquíssimas editoras topam produzir um conteúdo histórico de qualidade sobre a religião cristã. Talvez seja pelo medo de perder público. Eu prefiro as outras poucas editoras que topam e incentivam historiadores.”


Como foi organizar um livro com vários autores?
Tayná Louise: “Bom e complicado ao mesmo tempo. Foi ótimo, pois acompanhei de perto do início ao fim. O início foi o mais legal, pois é pensar no esqueleto do livro. Naquele momento as ideias surgiram e organizamos todo o trabalho. Durante o processo, li todos os textos enviados para conferir se respondia a proposta do livro. Essas partes são interessantes e produtivas.
Contudo, há uma parte complicada, pois é preciso lidar com prazos e autores que fogem do tema ou não respeitam o prazo.”

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A historiadora Tayná Louise (foto: arquivo pessoal)



O que te levou a seguir na pesquisa nesta área em específico?

Tayná Louise: “Minha área é História das Experiências Religiosas, com ênfase no fundamentalismo religioso cristão. O que me levou a seguir essa área foi minha paixão pelo tema. Uma pesquisa só pode ser bem produzida e estudada se o pesquisadxr amar seu objeto. E, claro, fui próxima a esta área por muito tempo. Sempre fugi de estudar Religião durante a graduação, mas paixão é paixão. Até a graduação, ouvia falar sobre religião a partir da teologia ou da fé. Mas, quando encontrei a possibilidade de estudar a religião a partir da História, me apaixonei. Estudar experiências religiosas cristãs possibilita entender muito melhor nossa sociedade.”

De que maneiras a sua formação no CPII contribuiu para a sua carreira acadêmica?
Tayná Louise: “O Colégio Pedro II campus Duque de Caxias me preparou bem para esse caminho. Primeiro, porque, enquanto estudante do CPII, sempre fui motivada a ser uma pesquisadora. No meu primeiro ano do EM, fui aluna do Programa de Vocação Científica da FIOCRUZ. Lá foi meu primeiro contato direto com a pesquisa e tive uma ótima orientadora que me ensinou o passo a passo de um cientista.
Além disso, pude perceber que o CPII me ofereceu uma bagagem cultural muito grande: como me incentivar a debater temas, a estar antenada ao que está acontecendo no mundo, a ter um pensamento crítico. Na UFRJ, no curso de História, eu era a única estudante da Baixada Fluminense e posso afirmar, com toda certeza, que o CPII – Duque de Caixas me deu todo o suporte para estar lá.”
A historiadora Tayná Louise na época de aluna do CPII Caxias (Foto: arquivo pessoal)
Tayná Louise na época de aluna do CPII Caxias (Foto: arquivo pessoal)

O que você tem a dizer para um aluno do CPII que deseje seguir a carreira de historiador?
Tayná Louise: “Preciso dizer que é uma profissão difícil, contudo todos os dias me vejo satisfeita com o que eu sou hoje: uma historiadora. Se você deseja seguir essa carreira, leia muito, esteja aberto a discussões. Para mim, é uma das disciplinas mais necessárias. Fazer História, pensar ideias, é gratificante.”

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