Entrevista com Carol Meirelles, diretora de arte, cenógrafa e ex-aluna do CPII Caxias

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Hoje entrevistamos a nossa ex-aluna Caroline Meirelles, 22 anos, graduada em Cinema e Audiovisual pela UFF, e que hoje trabalha como diretora de arte e cenógrafa. Ela também fez diversos cursos na área, como cinema documentário na Academia Internacional de Cinema, direção de arte no SESC, e linguagem cinematográfica. Carol participou de diversos projetos no cinema independente, incluindo 12 curta-metragens, um médio-metragem e um espetáculo infantil.

Para ela, o cinema independente foi um grande aprendizado, porque, como há baixo orçamento e a dificuldade de contratar pessoal para todas as áreas, ela se viu obrigada a participar em todas as áreas da direção de arte, que é responsável pela identidade visual do projeto. Por causa dessa experiência, ela tem o próprio acervo e um portfólio, aprendeu o que gosta e o que não gosta de fazer e desenvolveu sua própria marca artística.

Um dos projetos de audiovisual independente no qual ela trabalhou foi a Tela Preta TV, que foi uma TV no YouTube, com material produzido diariamente relativo a programas diferentes sobre assuntos diferentes, como moda, cinema, empreendedorismo, cultura, entre outros. Chamava-se assim porque todas as pessoas envolvidas, tanto na frente quanto atrás das câmeras, eram pretas. O projeto foi encerrado em 2018 por diversas questões, mas o material continua no YouTube para visualização.

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Carol Meirelles e suas colegas de turma Loíse Mello e Gabrielle Albuquerque, em evento no campus Duque de Caxias, em 2016 (arquivo do campus).

Para ela, trabalhar em diversos projetos com pessoas pretas foi bastante importante. “O cinema é uma área muito elitista, muito racista e muito machista, por mais que eu tivesse um currículo bacana, não consegui abertura. Comecei a criar estratégias para trabalhar e encontrei com pessoas que estavam na mesma posição que eu, de marginalizado, inferiorizado e descartado na área”. Ela diz que conheceu diversas pessoas que contribuíram decisivamente com experiência e com a possibilidade de consumo de audiovisual de coletivos pretos, especialmente de outros estados, como a Bahia. Além disso, ela diz que conheceu pessoas que simbolizam a pluralidade, no sentido de serem pessoas pretas que produzem audiovisual das mais diferentes formas, inclusive produzindo material sem racializar tanto, o que, de acordo com ela, a ajudou “a me livrar desse peso de ser uma mulher negra que faz cinema”.

O sucesso no seu início de carreira, aparentemente, contrasta com seu suposto fracasso no Colégio – ela não acredita que era uma boa aluna no Ensino Médio, por ter feito provas finais em todos os anos. “Eu me achava muito incapaz, porque eu não conseguia atingir numericamente as médias satisfatórias para o sistema”, diz ela. “Isso só serve pra mostrar que o Pedro II, a escola, é só um iniciozinho da caminhada”.

Ela destaca também a importância do Colégio em outras questões, como as questões raciais, que começou a estudar nas aulas de Sociologia do prof. Fabio Braga. Carol revela que decidiu sua carreira depois de um trabalho interdisciplinar na Feira de Línguas, em 2015, quando a turma teve que adaptar um conto de fadas, e quando participou da parte de cenografia do musical. Também lembra que começou a aprender bateria porque fez três anos a oficina de pandeiro (Pandeirada) do prof. Thiago Aquino.

O campus Duque de Caxias celebra o sucesso da Carol Meirelles e deseja a ela que seja muito feliz na sua carreira!

 

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Carol Meirelles e o prof. Gabriel Santos, no evento “Agora é que são elas”, de 2016 (arquivo do campus).

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