Literatura de resistência: linguagem e identidade em diálogo

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Com o intuito de promover uma reflexão ampla sobre a temática da consciência negra no contexto atual, os alunos participantes projeto de Iniciação Científica Jr. “Representatividade negra na literatura hispano-americana: linguagem, poder e construção de identidades”, sob a orientação da professora de espanhol Cecília Bevilaqua, elaboraram as seguintes frases:

– Sou resistência e memória.  E você?

– Negro do Brasil, herdeiro de antigas culturas.

– Por que me chamam de morena, se moreno não é cor?

– Você pratica o afroamor próprio?

 

Inspirados em obras de autores negros hispano-americanos, objeto de suas pesquisas individuais no bojo do referido projeto, os alunos Ana Luíza do Nascimento da Cruz, Gabriel Rodrigues Martins, Júlia Andrade da Silva e Juliana Barreiros dos Santos Salomão, buscaram ressaltar a importância do diálogo sobre aspectos relativos à construção da identidade negra na sociedade, a começar pelo ambiente escolar. Dessa forma, ao destacar elementos da produção literária de autores negros, pretende-se estimular o debate e a ampliação de conhecimentos acerca do tema.

Abaixo, seguem fragmentos dos poemas selecionados pelos bolsistas e suas respectivas traduções:


 

– Sou resistência e memória.  E você?

MEMORIA Y RESISTENCIA

Cristina Rodríguez Cabral (autora uruguaya)

[…]

Soy resistencia y memoria.

Construí el camino del amo

así como el de la libertad.

Morí en la Casa Grande

igual que en la Senzala.

Dejé el ingenio y descalza

me hice cimarrona.

Sola fui comunidad, casa y gobierno

porque escasas veces estuviste allí;

[…]

Ausente en tus memorias

         Y hallada culpable

         vivo

        prisionera del tiempo

        y del estereotipo.

[…]

 

 

MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

Cristina Rodríguez Cabral (autora uruguaia)

[…]

Sou resistência e memória.

Construí o caminho do amo

assim como o da liberdade.

Morri na Casa Grande

assim como na Senzala.

Deixei o engenho e descalça

me tornei quilombola.

Sozinha fui comunidade, casa e governo

porque poucas vezes estivestes ali;

[…]

Ausente em tuas memórias

e encontrada culpada

vivo

prisioneira do tempo

e do estereótipo.

[…]

 


 

– Negro do Brasil, herdeiro de antigas culturas.

POEMA SIN ODIO NI TEMORES

Jorge Artel (autor colombiano)

[…]

Negro del Brasil, 

heredero de antiquísimas culturas,

arquitecto de músicas,

en el sortilegio de las macumbas 

surge la patria integral,

robustecida por tus alegrías y tus lágrimas. 

[…]

Nuestro dolor es la fuente

de nuestras propias ansias.

Nuestra voz está unida, por su esencia,

a la voz del pasado,

trasunto de ecos

donde sonoros abismos

pusieron su profundidad, y el tiempo

sus distancias.

[…]

 

POEMA SEM ÓDIO NEM TEMORES

Jorge Artel (autor colombiano)

[…]

Negro do Brasil

herdeiro de antiquíssimas culturas,

arquiteto de músicas

no sortilégio das macumbas

surge a pátria integral,

fortalecida por tuas alegrias e tuas lágrimas.

[…]

Nossa dor é a fonte

de nossas próprias angústias.

Nossa voz está unida, por sua essência,

à voz do passado,

cópia de ecos

onde sonoros abismos

colocaram em profundidade, e o tempo

suas distâncias.

[…]


 

– Por que me chamam de morena, se moreno não é cor?

 

NEGRA SOY

Mary Grueso (autora colombiana)

 

¿Por qué me dicen morena?

Si moreno no es color,

yo tengo una raza que es negra

y negra me hizo Dios.

[…]

Yo soy negra como la noche,

como el carbón mineral,

como las entrañas de la tierra

y como el oscuro pedernal.

Así que no disimulen

llamándome de color,

diciéndome morena,

porque negra es que soy yo.

 

 

NEGRA SOU

Mary Grueso (autora colombiana)

Por que me chamam de morena?

Se moreno não é cor

Eu tenho uma raça que é negra

E negra Deus me criou.

[…]

Eu sou negra como a noite,

como o carvão mineral,

como as entranhas da terra

E como o escuro pedregal.

Assim, não dissimulem

me chamando de cor

me chamando de morena

porque negra é o que sou.

 

 


 

– Você pratica o afroamor próprio?

 

LA AFRODIVA ERA MI ABUELA

Manifiesto de afroamor propio

 

Yolanda Pizarro (autora puertorriqueña)

 

Yo me amo y me afroamo

mi identidad es sublime e importante

mi afrointelecto viene de las divinidades

de la sabiduría de las tatarabuelas

de los juegos de la aldea,

de la afrosororidad en tribu

mi reconocimiento de los ancestros

y su recuerdo es primordial

[…]

Yo me amo y me afroamo

y defenderé mi derecho a existir

y ser tratado con igualdad y liberación

[…]

 

A AFRODIVA ERA MINHA AVÓ

Manifesto de afroamor próprio

 

Yolanda Pizarro (autora porto-riquenha)

 

Eu me amo e me afroamo

Minha afroidentidade é sublime e importante

Meu afrointelecto vem das divindades

Da sabedoria dos tataravós

Dos jogos das aldeias

Da afro sororidade na tribo

Meu reconhecimento dos ancestrais

E sua recordação é primordial

[…]

Eu me amo e me afroamo

E defenderei meu direito a existir

E ser tratado com igualdade e libertação

[…]

 


 

 

Cabe ressaltar que as atividades do projeto de Iniciação Científica Jr., que privilegiam o enfoque sobre a construção de identidade(s) no âmbito da literatura negra, ancoram-se em alguns referenciais teóricos que podem ser encontrados na biblioteca do nosso campus. Abaixo, segue o link com o amplo acervo sobre a temática racial disponível para consulta e empréstimo:

temática racial – títulos

 

REFERÊNCIAS:

ARROYO, Y.  Afrofeministamente. Editorial EDP University, 2020.

ARTEL, Jorge. Tambores de la noche. Bogotá, Ministerio de Cultura, 2016. Disponível em: <https://issuu.com/educacionintercultural/docs/tambores_en_la_noche._jorge_artel>. Acesso em novembro de 2022.

 

CABRAL, Cristina Rodríguez. Memoria y resistencia. Antología [Selección de poemas y relatos]. Alicante: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, 2016. Disponível em: < https://www.cervantesvirtual.com/nd/ark:/59851/bmck37s2>. Acesso em novembro de 2022.

 

¡Negras Somos!: Antología de 21 Mujeres Poetas Afrocolombianas de la Región Pacifica/ Compiladores Guiomar Cuesta Escobar, Alfredo Ocampo Zamorano. Santiago de Cali, Programa Editorial Universidad del Valle, 2008. Disponível em: < https://bibliotecadigital.univalle.edu.co/ bitstream/handle/10893/20192/Negras_somos.pdf?sequence=1&isAllowed=y> . Acesso em novembro de 2022.

 

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