Aluna selecionada em concurso literário e seu orientador falam sobre a experiência de participar em evento do Mercosul

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A estudante Joyce Maravilha, do Campus Engenho Novo II, foi selecionada para publicar um conto em livro digital, no concurso literário “La educación media por una cultura sin violencia hacia las mujeres”, promovido pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos, do MERCOSUL. O texto da aluna foi revisado pelo professor do Departamento de Português e Literaturas, Luiz Guilherme Ribeiro Barbosa, com quem Joyce já havia participado, em 2019, do Projeto de Iniciação Científica Jr. promovido pelo professor no campus.

Participaram do concurso literário alunos entre 14 e 18 anos de instituições de ensino médio públicas e privadas da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e as histórias foram criadas individualmente ou em grupo. O foco estabelecido para a construção das histórias foi o direito das mulheres, provocando nos participantes a reflexão sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra o sexo feminino.

Joyce e o professor Luiz concederam à Comunicação do Campus Engenho Novo II uma entrevista relatando um pouco da experiência vivida com a participação neste concurso internacional e o caminho percorrido até alcançarem este êxito.

Confira: 

Joyce Maravilha: 

Qual a importância do projeto para seu desenvolvimento como leitora e escritora? 

Ter a oportunidade de receber esse tipo de orientação é, com certeza, fundamental para o meu desenvolvimento na escrita. Sinto que isso me torna mais atenta a detalhes e faz com que eu tenha uma percepção mais teórica do que é escrever, o que ajuda muito na hora de expressar as ideias no papel. No projeto de Iniciação Científica Jr. que realizei em 2019 com o professor Luiz Guilherme, por exemplo, aprendi muito sobre a importância da revisão e sobre meu estilo.

Como foi participar e ter seu conto selecionado pelo concurso? 

Foi emocionante! Sonho com uma experiência assim desde criança e me senti extremamente honrada por ter sido escolhida. Pensar que meu conto estará em um livro digital, junto a outros textos escritos por estudantes tão talentosos e de outros países e culturas, é fascinante. Estou me sentindo muito feliz e grata.

De que forma sua família e a escola contribuíram para sua conquista? 

Minha família é minha base, eles são sempre meus maiores incentivadores em tudo, principalmente na escrita. Sou muito grata às oportunidades que todos eles se esforçam para me proporcionar. Já o CPII contribuiu com todas as atividades extras que são oferecidas. Para mim, esse é o grande diferencial da escola. As iniciações científicas e artísticas no ensino médio, os modelos diplomáticos, os projetos de pesquisa. Todas as atividades das quais participei no colégio colaboraram para minha formação e para essa conquista.

Professor Luiz Guilherme:

Como foi a participação da aluna no Projeto de Iniciação Científica Jr. em 2019?

Durante o ano letivo de 2019, a estudante Joyce Maravilha foi bolsista de iniciação científica jr. no projeto de oficina literária que desenvolvo no campus Engenho Novo II. Partimos da sua experiência como leitora de romances policiais, então lemos juntos um romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, que foi escolhido por ela, e depois, sob orientação, ela escreveu o seu próprio conto policial, chamado “Mistério na escola”. Eu e Joyce refletimos sobre essa experiência de orientação em produção literária e formação de escritores adolescentes no ensaio “Não escrever escondido: Literatura, adolescência e escola”, que foi publicado nesse ano de 2021 na Revista MESA.

Como souberam do concurso promovido pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos?

Desde que Joyce integrou o projeto de oficina literária, passei a acompanhar a sua trajetória como leitora e escritora e incentivá-la a participar de concursos literários. A professora Juliana Berlim, da equipe de Português do campus Engenho Novo II, é escritora e está sempre atenta a concursos literários. Graças a ela, tomo conhecimento de alguns concursos e divulgo entre os estudantes do campus. O concurso do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do MERCOSUL foi divulgado para os estudantes. A Joyce escreveu o seu conto e me enviou, antes de enviar para o concurso. Li o conto da Joyce e sugeri algumas revisões e alterações, como é comum na vida dos escritores. Os escritores leem muito uns aos outros antes de publicar, a gente é que às vezes não fica sabendo disso! Assim, orientei a preparação dos documentos para a inscrição no concurso, pois foi necessária a autorização da família e da direção do campus.

Qual seu vínculo com os Direitos Humanos? 

Em relação aos direitos humanos: isso foi deciviso para incentivar os estudantes a participar desse concurso. Como professor, não me interesso por competições literárias, mas sim por oportunidades de publicação e leitura dos textos inventados pelos nossos alunos. É assim que entendo os concursos literários. Pode não constar na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas penso que é direito de toda criança e todo adolescente ter suas obras de arte lidas pelos adultos.

Qual a importância do projeto para o desenvolvimento da leitura e escrita dos estudantes? 

Diversos profissionais da literatura entendem cada vez mais que fazer literatura tem a ver com inclusão social e cidadania. Não se trata de uma atividade de exceção, exercida por uma parcela inspirada da sociedade. Escrever literatura na infância ou na adolescência é uma oportunidade de reimaginar o mundo ao redor e inventar usando a gramática da língua, que é o mais característico meio de expressão da vida humana. Por isso, entendo que o projeto de oficina literária que desenvolvo com os estudantes aprofunda o que é realizado dia a dia nas aulas de Português no Colégio Pedro II. Ler e fazer literatura significa compartilhar com a turma e a comunidade escolar o seu estilo e a sua imaginação, é um ato de coragem e, por isso mesmo, de confiança no outro. Por isso, penso que escrever literatura pode ser uma experiência fundamental para a construção de uma sociedade justa e plural. Fazer literatura como um fazer da democracia, esse foi o lema que inventei para guiar o trabalho de ensinar literatura na escola. Uma sinopse do projeto de oficina literária está publicada no blog do Departamento de Português.

Veja também: Estudante do Campus Engenho Novo II é selecionada em concurso literário internacional

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