Alunos do HU2 assistem a documentário que fala sobre racismo e sua superação pela educação

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Heloise da Costa e a aluna Beatriz Salz
Heloise da Costa e a aluna Beatriz Salz

Alunos do 8º e 9º anos do Campus Humaitá II assistiram nesta terça-feira, 11 de maio, ao documentário “A Pedra”, de Davidson Davis Candanda, que aborda três histórias de resistência ao racismo por meio da educação. Foram duas sessões, seguidas de debate com uma das personagens do filme, a professora de Português e Literatura Heloise da Costa Silva.

A projeção do documentário foi uma das ações do Cine-debate 2019, um dos GTs do “Que CPII Queremos?”, que tem como objetivo abordar as questões que perpassam o cotidiano da escola utilizando o cinema como ferramenta. Em 29 de abril, o filme também foi exibido para professores e servidores do campus. “Pretendemos com esse GT criar mais um espaço de diálogo e reflexão para a comunidade escolar do Humaitá II”, explicou o coordenador do GT, Felipe Dezerto. A iniciativa conta com o apoio do Setor de Orientação e Educacional e Pedagógica (Soep).

Heloise da Costa e Felipe Dezerto
Heloise da Costa e Felipe Dezerto (Francês)

Depois das sessões, Heloise conversou com os alunos, que fizeram comentários e perguntas sobre o racismo. Heloise contou sobre o projeto ‘Entrelivros’, desenvolvido com alunos do Ensino Fundamental (primeira fase) em uma escola da Vila Cruzeiro, na Penha, e do qual participa como voluntária desde 2014. “No começo era apenas um projeto de promoção do hábito da leitura, mas percebemos que as crianças tinham problemas com o pertencimento racial. Passamos então a trabalhar com literatura infantil afro-brasileira”, explicou.

Segundo a professora, hoje já é possível perceber uma pequena mudança no pertencimento e aceitação das crianças. “Muitas meninas já deixaram de alisar os cabelos e aderiram às tranças, turbantes ou simplesmente os deixam natural. Os meninos usam cabelo black ou dread”, comentou.

Professora Fernanda Brack, Frânces, falou sobre os esteriótipos das mulheres na mídia e na moda
Professora Fernanda Brack (Francês) falou sobre os esteriótipos das mulheres na mídia e na moda
Professor Leandro, Artes Visuais, fala sobre o protagonismo dos negros nas artes pláticas
Professor Leandro Sousa (Artes Visuais),fala sobre o protagonismo dos negros nas artes plásticas

Resistência

Heloise também falou que o combate ao racismo não deve se limitar aos negros. Toda a sociedade, observou, precisa lutar contra essa realidade perversa que existe no país. “Não somente contra o racismo, mas também contra diversos tipos de preconceitos, como a homofobia. Só não concordar não vale. É preciso combater essas práticas”, opinou a professora, ressaltando que   a falta de informação é um dos fatores do racismo. “Existem pessoas que nem se reconhecem como racistas”, sentenciou.

A sessão da manhã contou com a participação dos alunos do 8º ano
A sessão da manhã contou com a participação dos alunos do 8º ano e das professoras Conceição Leal (Biologia), ao centro, e Milena Tibúrcio (Ed. Musical), à direita

O racismo está presente até mesmo na linguagem, na opinião da professora. “Tenho uma preocupação muito grande com a linguagem, porque ela contribui muito com o fortalecimento dos estereótipos. Dizer, por exemplo, que os negros no Brasil são descendentes de escravos é não contar toda a verdade, não dizer que eles foram escravizados e, antes disso, sequestrados”, enfatizou.

O coordenador do Cine-Debate, Felipe Dezerto, reforçou a fala de Heloise, lembrando que a História do Brasil foi escrita pelos brancos. Para Felipe, o combate ao racismo deve ser feito no dia a dia, principalmente no cotidiano escolar, mas também são necessários debates sobre o lugar do negro na sociedade e seu protagonismo.  “Devemos todos ser promotores da igualdade no nosso campus”, afirmou.

Professores Conceição Leal,  Biologia, Bernardo Sansevero, Filosofia, e  Daniel de Azevedo, Geografia
Professores Conceição Leal (Biologia), Bernardo Sansevero  Filosofia) e Daniel de Azevedo (Geografia)

O que disseram os alunos…

“Esse documentário me deixou triste, principalmente por saber que os alunos da Heloise não gostavam de ser negros”.

João Victor Bem Senõr Machado, 8º ano.

João Victor Ben Señor Machad
João Victor Ben Señor Machado

“Acho importante conversar sobre racismo. Os negros precisam ter os mesmos espaços dos brancos.”

João Victor Freitas, 8º ano.

“Já sofri bullying por ter o cabelo black power, quando era mais comprido. Eu acho legal ser negro. Gosto de mostrar que existimos.”

Diego Donizeti de Lima, 8º ano.

Diego Donizeti de Lima (óculos) e João Victor Freitas
Da esquerda para direita: Diego Donizeti de Lima e João Victor Freitas

“Minha tia me contou que quando era criança uma professora levou para a sala uma boneca de cor preta. No lugar do cabelo tinha Bombril.”

Beatriz Salz, 9º ano (foto da capa).

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