Mesa-redonda ‘Liberdades: mulheres, trabalho e leitura’ lota biblioteca do HU2

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Alunos do turno noturno do Ensino Médio do Humaitá II compareceram em peso à mesa-redonda realizada na Biblioteca do campus intitulada “Liberdades: mulheres, trabalho e leitura”. O evento aconteceu no dia 17 de junho e teve como convidadas a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Nazira Camely; a escritora, compositora e percussionista Manu da Cuíca; e as ex-alunas do Humaitá II, a advogada Thais Teixeira Mattos e a estudante de Designe de Moda Vitória Flores.

As palestrantes Thais Teixeira Mattos (esquerda), Vitória Flores e Nazira Camely
As palestrantes Thais Teixeira Mattos (esquerda), Vitória Flores e Nazira Camely

Primeira a falar, a professora Nazira Camely  falou das estatísticas que comprovam a discriminação das mulheres no mercado de trabalho: as mulheres ganham em média 25% menos que os homens, apesar de exercerem a mesma função e com igual escolaridade. Segundo a professora,  1/4 dos lares do Brasil hoje é chefiado por Mulheres.“O Brasil é o país  que apresenta altos índices de crimes como contra a mulher, entre eles o feminicídio, inclusive  contra meninas”, enfatizou.

Em seguida, Manu da Cuíca abordou sua trajetória como compositora, inclusive de samba, um mundo ainda predominantemente masculino. Ela foi uma das autoras do samba-enredo da escola campeã de 2019, Mangueira, com o samba “História para ninar gente grande”. O samba, por sinal, fala das narrativas de mulheres da nossa história, como Dandara, líder do Quilombo dos Palmares; Luíza Mahim, mãe do poeta e abolicionista Luís Gama e participante da Revolta dos Malês (1835); Maria Felipa, conhecida na Bahia como heroína negra da Independência daquele estado (1922/23); a compositora e sambista Leci Brandão, ex-aluna do CPII; e a vereadora Marielle Franco, militante dos Direitos Humanos e que foi assassinada em 2018.

Manu da Cuíca falou sobre sua trajetória como compositora de samba
Manu da Cuíca falou sobre sua trajetória como compositora de samba

Literatura

A ex-aluna Vitória Flores iniciou sua palestra lembrando da importância de ter estudado no Colégio Pedro II. “Minha vida é dividida em antes e depois do CPII. Aqui tive contanto, ainda que tardio, com a literatura”.   E foi a partir do livro “Pele Negra, Máscaras Brancas”, de Frantz Fanon, que Vitória falou para a plateia sobre sua trajetória de mulher negra que precisa usar máscaras a fim de atravessar espaços predominante de pessoas brancas.

Vitória Flores disse que estudar no CPII foi fundamental para sua trajetória
Vitória Flores disse que estudar no CPII foi fundamental para sua trajetória como mulher negra que atravessa espaços ocupados predominantemente por pessoas brancas

Durante a palestra, Vitória citou ainda a brasileira Conceição Evaristo e a ganesa Yaa Gyasi como autoras que influenciam seu percurso como estudante e agora designer de modas de uma grife famosa. “O meu trabalho é um dos pilares fundamentais de produção da minha liberdade, como mulher negra, nascida e criada na Rocinha, para além do ‘perigo das histórias únicas’, concluiu.

A última a falar foi a também ex-aluna Thais Mattos, especialista em direito de família com foco em mulheres. Ela confirmou a informação da colega da mesa, ressaltando que, na maior parte dos escritórios de advocacia, as mulheres seguem ganhando menos que homens, embora exercendo a mesma função.

Também ex-aluna,  Thais Mattos disse que a mesa tem o objetivo de tornar-se um espaço para sediscutir experiências de mulheres
Também ex-aluna, Thais Mattos disse que a mesa é um espaço para se discutir experiências de mulheres

Thais escolheu Simone de Beauvoir para abrir sua palestra. A escritora e filósofa francesa pensou as condições históricas que fabricam o gênero e destacou o caráter central do trabalho como condição material de afirmação da liberdade da mulher, liberdade que não se configura como um atributo intrínseco, mas como uma tarefa. “Nesse sentido, esta mesa tem o objetivo de tornar-se um espaço de fala e escuta ativa para discutir experiências de mulheres no mercado de trabalho e os atravessamentos da leitura em suas práticas profissionais”, observou.

Mediação

Mylena Almeida e Nathalia Dias, da 3ª série, foram mediadoras da mesa
Mylena Almeida e Nathalia Dias, da 3ª série, foram mediadoras da mesa e também organizadoras dos evento

A mesa-redonda foi mediada pelas alunas da 3ª série Mylena Almeida e Nathalia Dias e teve como objetivo tornar-se um espaço de fala e escuta ativa para discutir experiências de mulheres no mercado de trabalho e os atravessamentos da leitura em suas práticas profissionais.

A mesa-redonda foi uma iniciativa da professora de Língua Portuguesa do campus, Nathalia Cardoso, das alunas Débora Pitasse (2ª série), Natalia Dias e Mylena Almeida, e dos servidores da Biblioteca Maria Conceição Novaes (chefe do setor) e Jorge Macena. O evento contou com o apoio dos professores de Geografia José Carlos Alvim Flores e Stella Mendes Ferreira.

A programação incluiu ainda a exposição de obras do acervo no Salão de Leitura intitulada  “Mulheres além do seu tempo”.

Confira aqui mais fotos do evento!!


Setor de Comunicação do Campus Humaitá II

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