Samba de enredo é tema de mesa-redonda no HU2

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O Samba de enredo conta histórias que não se aprendem na escola. Com essa proposta de debate, dois palestrantes participaram de uma mesa-redonda no dia 11 de julho no Campus Humaitá II:  o historiador Luiz Antônio Simas, vencedor do Prêmio Jabuti de livro do ano de não ficção em 2016, e o compositor Deivid Domênico, que faz parte do grupo de intérpretes oficiais da Estação Primeira de Mangueira. A mesa-redonda teve como público as seis turmas do 6° ano do campus que trabalham interpretação de samba de enredo nas aulas de Português deste trimestre.

O primeiro a falar foi Luiz Antônio Simas, que abordou sua relação com as escolas de samba desde a infância. Nascido em uma família que respirava Carnaval, ele lembrou que a primeira vez que ouvi falar em Zumbi dos Palmares foi em 1960, no desfile do Salgueiro. “A  história do Zumbi foi contada na avenida antes de entrar para os livros didáticos”, observou.

Historiador Luiz Antônio Simas
Historiador Luiz Antônio Simas

Simas enumerou outros personagens históricos que já foram temas das escolas de samba bem antes de serem estudados na escola, como Tereza de Benguela,  líder quilombola do século XVIII que viveu no estado de Mato Grosso e foi tema da Viradouro em 1994. “Aprendi sobre Canudos com a escola Em Cima da Hora em 1976, bem antes de estudar essa guerra na escola”, ressaltou o professor de História.

Para Simas, o samba de enredo era a única chance que as populações tinham de contar suas histórias. “As escolas de samba sempre contaram as histórias que a História não conta”. Um exemplo são as diversas revoluções que já aconteceram no país, ainda pouco estudadas nas escolas, mas que já foram temas das escolas de samba, segundo o historiador.

Professora Thais Velloso acompanha os alunos do 6º ano que fizeram perguntas aos convidados
Professora Thais Velloso acompanha os alunos do 6º ano que fizeram perguntas aos convidados

Artes

Deivid Domênico  foi um dos compositores do samba de enredo  “História pra ninar gente grande”, o  grande campeão do Carnaval de 2019. A história do compositor com as escolas de samba vem de berço. Filho de um dos compositores da Imperatriz Leopoldinense, Deivid já desfilava aos três anos de idade e começou a compor aos 13 anos.

Deivid disse que era a primeira vez que ele dava uma palestra sobre uma obra sua em uma escola.  “Acredito que a função do artista é dialogar com a sociedade, e compor foi a forma que eu encontrei”, afirmou. Sobre as escolas de samba, ele ressaltou que elas são compostas em sua grande maioria por pessoas pobres das comunidades, mas que realizam uma festa para todo o Brasil e para o mundo.

Compositor Deivid Domênico
Compositor Deivid Domênico

O samba vencedor do Carnaval 2019 “Histórias para ninar gente grande” não foi o primeiro que Deivid compôs a vencer o concurso para o desfile da Mangueira. Em 2015, ele foi um dos autores do samba de enredo “Agora chegou a vez, vou cantar: Mulher de Mangueira, Mulher Brasileira em primeiro lugar”.

Confira aqui mais fotos do evento!!

Luta

Mas foi a primeira vez que um samba seu venceu o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Deivid conta que o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, queria contar uma outra história do Brasil, a versão daqueles que perderam as batalhas. “Ele queria dizer que nosso país não foi descoberto pelos portugueses, que foi na verdade invadido e conquistado”, observou.

Deivid conta que a proposta do samba de enredo “Histórias para ninar gente grande” era falar para todas as pessoas, independentemente de crenças e ideologias. “Em um momento tão polarizado de nossa história, não queríamos dividir ainda mais, mas mostrar para as pessoas que os sofrimentos são de todos, bem como a indignação, e que é na luta que a gente se encontra”, enfatizou.

O evento contou com a participação dos alunos do 6º ano
O evento contou com a participação dos alunos do 6º ano

Deivid acredita que as escolas de samba são assim chamadas porque ali pessoas de todas as idades podem aprender diversas formas de arte e também história. “A função da escola de samba é ser um espaço com diversas formas de pensamento. A escola de samba ensina a arte popular, que nasce do povo. Elas são democráticas, igualam, socializam. Elas ensinam a democracia”, pontuou.

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