Cultura surda é tema de palestra realizada no Humaitá II

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A tradutora e intérprete de Libras Adriana Lopes e a professora de Libras Alexandra Ferreira realizaram nesta terça-feira, 24 de setembro, no auditório do Humaitá II a palestra “Cultura Surda” para uma plateia formada por alunos da 1º série e servidores do campus. O evento foi uma iniciativa do Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Específicas (Napne).

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A palestra teve como objetivo comemorar o Setembro Azul, mês da visibilidade da comunidade surda brasileira, e prestar uma homenagem ao “Dia Nacional do Surdo”, que se comemora em 26 de setembro. A inclusão de surdos passou a ser realidade no campus desde 2015, com a vinda do aluno Felipe Nascimento, que apresenta diagnóstico de surdez. A primeira a falar foi Adriana Lopes, que é tradutora intérprete de Libras e Língua Portuguesa do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).

A Tradutora e intérprete  Adriana Lopes falou sobre a cultura surda
Os tradutores e intérpretes de Libras Adriana Lopes (Ines) e Alexandre Mattos (Humaitá II)

Mestranda em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adriana contou que a história da educação dos surdos no Brasil começa pela iniciativa do Imperador Dom Pedro II, que fundou em 26 de setembro de 1857 o Instituto Imperial de Surdos-Mudos, hoje Ines. “Por isso que 26 de setembro foi adotado como o Dia Nacional do Surdo”, explicou a tradutora e intérprete. Já a cor azul foi adotada a partir da década de 80 para marcar o mês da visibilidade da comunidade surda brasileira porque essa era a cor que identificava os deficientes em Auschwitz, lembrou a intérprete de Libras. 

Diferenças

Falando sobre cultura surda, Adriana explicou que existem comprometimentos diferenciados da audição. Algumas pessoas apresentam surdez parcial, outras total e existem também os indivíduos que são oralizados. “O que caracteriza a cultura surda é o uso de uma língua própria, que é a de sinais ou Libras, mas existem diferentes culturas dentro da comunidade de surdos. Eles não são iguais”, ressaltou.

Plateia aprende alguns sinais de Libras com palestrante
Plateia aprende alguns sinais de Libras com palestrante

Segundo a tradutora e intérprete, o Brasil conta com 5% de surdos em sua população e a grande maioria (cerca de 80%), não apresenta escolaridade completa, o que compromete a leitura e a escrita dessas pessoas. “A luta da comunidade surda passa pelo uso da língua de sinais na educação dos surdos, mas também para que não sejam considerados deficientes e, sim, reconhecidos como diferentes, além de terem sua  cultura respeitada”, enfatizou.

Experiência

Alexandra Ferreira falou em seguida e contou sua experiência como surda oralizada. Disse que aprendeu a falar quando pequena para se comunicar com a família, que era de ouvintes. Depois de um trauma, parou de falar e hoje utiliza apenas a língua de sinais para se comunicar.

A professora contou sobre a dificuldade que teve para estudar, mas que conseguiu vencer. Hoje ela é licenciada do curso de Libras da UFRJ. Há mais de 20 anos se tornou também professora da língua de sinais para ouvintes. “Foi a forma que encontrei de ajudar os surdos, que estão em toda a parte e é preciso que as outras pessoas se comuniquem com eles”, observou. 

Alexandra Ferreira faz o sinal do Colégio Pedro II em Libras
Alexandra Ferreira faz o sinal do Colégio Pedro II em Libras

Alexandra gostou muito de saber que existe um aluno surdo no Humaitá II. “ Eu queria muito estudar aqui, mas não foi possível. Fico feliz pelo Felipe ter conseguido e peço aos colegas dele que o apoiem”, enfatizou a professora, que afirmou ser relevante para um colégio como o Pedro II  oferecer cursos de Libras a alunos e servidores.

O tradutor e intérprete de Libras do Humaitá II Thiago Carlos da Silva ressaltou que o Campus Niterói começou a oferecer neste ano um curso pós-técnico em Libras. A chefe do Napne do campus, Christina Salles, lembrou que o Humaitá II ofereceu duas oficinas da língua de sinais para a comunidade acadêmica

“Gostaria de agradecer a minha equipe pela organização do evento, em particular à tradutora e intérprete de Libras Maria de Fátima Silva Vieira que, mesmo se encontrando em licença maternidade, foi a responsável pelo convite feito à Alexandra e à Adriana, a quem também agradeço pelas palestras”, ressaltou Christina. 

Felipe se apresenta em Libras para a plateia
Felipe se apresenta em Libras para a plateia

Felipe disse que gostou muita das duas palestrantes, principalmente da história da Alexandra. “Não foi fácil, mas ela conseguiu vencer. Serve como exemplo.”

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