Colégio Pedro II homenageia servidores que se aposentaram nos últimos 12 meses

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Cartela-Aposentado

No dia 21 de setembro se comemora o Dia do Aposentado do Colégio Pedro II, data instituída pela Reitoria em 2017 em reconhecimento aos esforços daqueles que fizeram parte da história da instituição. Em 2018, as comemorações passaram a ser realizadas nos campi. Devido à pandemia da Covid-19, neste ano a instituição vai homenagear seus servidores aposentados de forma diferente, fazendo um relato sobre suas passagens pelo colégio.

A homenagem é feita aos servidores que se aposentaram nos últimos 12 meses. Pelo Campus Humaitá II se aposentaram as professoras Claudia Maria de Luca (Educação Física), Lucienne Mariano Leão (Francês) e Monica Repsold (Educação Musical) e os professores Nelio Galsky (História) e Ronald Schneider (Educação Física). Veja abaixo um pouco da trajetória dessses docentes no Colégio Pedro II.

 Claudia

Claudia passou em 5º lugar no concurso de 1984, sendo sua primeira lotação a então Unidade Engenho Novo. Depois de um período afastada da instituição (ela acompanhou o marido que foi estudar na Inglaterra), a professora passou a fazer parte do quadro de docentes do Humaitá II. E foi no campus que ela começou a desenvolver o que viria a ser depois denominado por ela de Meditação Laica Educacional.

“Eu comecei a perceber que os alunos do Ensino Médio perdiam o interesse pela Educação Física. Até o 9º ano as aulas são muito frequentadas, eu diria até desejadas, pelos alunos. Queria saber o que acontece com o Ensino Médio e resolvi escutar os alunos”, contou Claudia. A formação de psicóloga, curso que ela fez em paralelo a sua carreira no magistério, foi fundamental para entender o problema: os alunos estavam estressados e sobrecarregados pelas atividades escolares e também já sentiam o peso da responsabilidade em relação ao futuro.

Claudia e alunos do HU2 durante o II Seminário de Meditação Laica Educacional  Aplicada, realizado em 2015
Claudia e alunos do HU2 durante o II Seminário de Meditação Laica Educacional Aplicada, realizado em 2015

“No CPII estudantes de condições sociais e econômicas restritas têm a oportunidade de obter uma educação de qualidade e se espera deles que possam ingressar em uma universidade. Muitos deles serão as primeiras pessoas da família a concluírem um curso superior”, observou a docente.

Praticante da meditação desde 1992, Claudia começou a aplicar a técnica com seus alunos. Depois resolveu pesquisar para saber se os resultados foram satisfatórios. Toda essa experiência ela levou para seu mestrado e depois para o Programa de Residência Docente (PRD) da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (Propgpec), onde foi uma das primeiras supervisoras.

Cllaudia coordenou três seminários sobre Meditação Laica Educacional Aplicada
Cllaudia coordenou três seminários sobre Meditação Laica Educacional Aplicada

A Meditação Laica Educacional une três linhas do conhecimento: a meditação, a psicologia e a educação física. Mas Claudia faz questão de enfatizar que o desenvolvimento da técnica foi uma construção participativa e coletiva que se deu durante as aulas no Humaitá II. “Foram meus alunos que me inspiraram, através da escuta das suas dificuldades e anseios e depois do retorno que me deram durante as pesquisas que fiz com eles”, ressaltou.

Legado

Para Claudia, a Meditação Laica Educacional foi o maior legado da sua carreira como docente. E ela pôde levar a técnica para muitos outros docentes do  CPII e também do PRD, para quem ofereceu cursos de capacitação e também durante os cursos de extensão que ofereceu pela Propgpec. Claudia acredita que mais de 300 professores foram capacitados de 2012 até o ano passado.

A professora durante uma sessão de Meditação Laica Educacional realizada com alunos do Humaitá II
A professora durante uma sessão de Meditação Laica Educacional realizada com alunos do Humaitá II

Para sua felicidade, a técnica que ela desenvolveu vai continuar sendo ensinada no CPII, por meio do Núcleo de Meditação Laica Educacional, que criou em 2015 junto com o professor Tiago Arruda Sanches, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O Tiago conheceu a técnica durante um seminário que coordenei no CPII e depois ele ministrou comigo duas aulas sobre neurociências e meditação”, lembrou a docente.

O núcleo atualmente está sob responsabilidade do coordenador-geral do Departamento Educação Física do CPII Marcos Vinicius Pereira Monteiro, que também assumiu a Coordenação- Geral do Departamento Pedagógico de Educação Física. Marcos disse que já admirava o trabalho da Claudia antes mesmo de se tornar coordenador geral do departamento e do núcleo e passar a ter mais contato com ela.

“O que me encantou foi perceber que todo esse processo que ela desenvolveu sobre a meditação laica foi uma busca para resolver problemas da Educação Física, para que a disciplina não se torne descontextualizada do restante da escola e não se esgote em uma aula, por mais prazerosa que seja. Claudia pensou uma técnica que o aluno pudesse levar para a sua vida. O enfoque dela sempre foi o aluno”, observou Marcos.

Marcos também destacou a atuação da colega à frente da Coordenação da Equipe de Educação Física do Humaitá II. “Como gestora, Claudia conseguiu resolver antigos problemas da equipe e também integrar mais os professores ao departamento”, afirmou.

Lucienne

” A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a re sponsabilidade por ele.” Lucienne citou a filósofa Hannah Arendt para falar sobre a profissão pela qual se aposentou no início deste ano, após 33 anos de magistério. “Fiz muitas coisas diferentes e a última etapa da minha trajetória foi como professora de Francês do Colégio Pedro II. Amei cada momento, amei cada um de meus alunos”, ressaltou, para em seguida lembrar quem nem sempre foi tão fácil lidar com sua escolha.

Em novembro de 2014 Lucienne viajou com um grupo de alunos do 9° ano do  campus para a França. Eles fizeram parte do projeto de intercâmbio cultural E-ducasport
Em novembro de 2014 Lucienne, primeira da esquerda, viajou com um grupo de alunos do 9° ano do campus para a França. Eles fizeram parte do projeto de intercâmbio cultural E-ducasport

“Não é fácil assumir a responsabilidade pelos diferentes mundos que temos a honra de encontrar dentro das salas de aula, na vida de cada um dos alunos, e também dos colegas que encontramos em nossa trajetória”, observou a professora. Lucienne diz que se sente privilegiada por ter exercido a profissão que sempre  amou “ao lado de pessoas extraordinárias, em um colégio tão especial como o Pedro II.”

Agora que já se encontra fora da instituição onde trabalhou nos últimos 12 anos, Lucienne pode afirmar que sua passagem pelo Colégio Pedro II fez dela uma pessoa muito melhor e só tem a agradecer a oportunidade que teve. “Trabalhar no Campus Humaitá II foi a minha última etapa na carreira de professora. Sempre estive em sala de aula e no Humaitá II. Porém, em 2014, acumulei a função de coordenação de série ( 9º ano), cargo que não existe mais na instituição”, informou.

 Lucienne, primeira da direita, com os colegas de equipe: Ana Cândida Brandão (esquerda), Diva Rocha (Já aposentada), Felipe Dezerto e Fernanda- Brack

Lucienne, primeira da direita, com os colegas de equipe: Ana Cândida Brandão (esquerda), Diva Rocha (Já aposentada), Felipe Dezerto e Fernanda- Brack

“A aposentadoria chegou junto com a pandemia.  Isso foi estranho.  Mas eu voltei a cursar Psicologia, curso que estava trancado. Quem sabe não virá uma nova profissão?”, perguntou.

Relações

O coordenador da Equipe de Francês do Humaitá II, Felipe Dezerto, entrou para o Colégio Pedro II  no mesmo concurso que Lucienne, em 2008, e, como ela, também sempre trabalhou no Humaitá II. O professor disse que a colega era muito solicita e acolhedora, que sabia trabalhar em equipe e cultivar as relações dentro do grupo de professores.

Lucienne e alunas da turma 1201 durante o lançamento da Revista “Un, deux, zero, un”,  que aconteceu na Primeira Feira de Línguas Estrangerias “Línguas e Culturas” do HU2,  em setembro do ano passado
Lucienne e alunas da turma 1201 durante o lançamento da Revista “Un, deux, zero, un”, que aconteceu na Primeira Feira de Línguas Estrangerias “Línguas e Culturas” do HU2, em setembro do ano passado

“Com certeza foi uma pessoa com que aprendi muito sobre relações no serviço público,  valores pessoais e como ser professor, didática e pedagogia. Lucienne foi alguém que somou na minha experiência como professor do Colégio Pedro II”, enfatizou o Felipe, ressaltando  que foi um  grande prazer ter dividido o mesmo espaço de trabalho e  experiências com a colega “que foi tão importante para o nosso colégio”.

 Monica

Professora de Educação Musical do Colégio Pedro II desde 1984, primeiramente na então Unidade Tijuca II, onde trabalhou com turmas de Ensino Fundamental (2º segmento), no ano seguinte Mônica também deu aulas na recém-criada Unidade do Humaitá I (1º segmento do Ensino Fundamental).  Em 1986, ela ficou só na Tijuca, onde permaneceu até 1998.

Mônica, primeira da esquerda,  no IV Encontro de Educação Musical do Colégio Pedro II e I Encontro Nacional dos Cursos Técnicos em instrumento, ocorrido em Setembro de 2018, no Campus Realengo II. Na foto eles estão em frente ao Teatro Bernardo de Vasconcellos
Mônica, primeira da esquerda, no IV Encontro de Educação Musical do Colégio Pedro II e I Encontro Nacional dos Cursos Técnicos em instrumento, ocorrido em Setembro de 2018, no Campus Realengo II. Na foto eles estão em frente ao Teatro Bernardo de Vasconcellos

Em 1993, Mônica passou a integrar a o Centro de Estudos de Informática na Educação do Colégio Pedro II, onde participou da elaboração do projeto de implantação e implementação dos Laboratórios de Informática da instituição. O projeto foi aprovado pelo MEC e os laboratórios implantados nas 10 unidades existentes”, lembrou a professora.

Nomeada responsável pelo Laboratório de Informática da Unidade Tijuca II, em 2000 Mônica se tornou Coordenadora-Geral de Informática Educativa do CPII, cargo que ocupou até 2003. No ano seguinte, foi nomeada Coordenadora-Geral do Núcleo de Informática Aplicada à Educação do CPII.

Na Unidade Humaitá II, Mônica foi coordenadora do Laboratório de Informática Educativa de 2005 a 2009. Em 2011, tornou-se Coordenadora-Geral do PRONATEC no CPII, função que exerceu até 2013. No ano seguinte, foi responsável pelo Setor de Pesquisa, Extensão e Cultura do Campus Humaitá II, mesmo ano em que se tornou Adjunta da Chefia do Departamento de Educação Musical (2014-2016).

Da esquerda para direita:  Anna Cristina Cardozo da Fonseca na época adjunta do Departamento de Educação Musical, atualmente é a Coordenadora Geral do Departamento de Educação Musical.  Depois eu, em seguida a Prof ª Ana Cristina Santos de Paula na época Coordenadora do Curso Técnico em Instrumento musical da Escola de música do Campus Realengo e ao lado a Profª Liziléia Drummond professora e regente Coral  da Escola de Música RII
No mesmo encontro  de música realizado em Realengo Mônica está ao lado da então adjunta do Depto de Educação Musical, Anna Cristina Cardozo da Fonseca , atualmente coordenadora geral do Departamento de Educação Musical (à esquerda). A sua direita estão as professoras Ana Cristina Santos de Paula, na época coordenadora do Curso Técnico em Instrumento Musical da Escola de Música de Realengo II, e Liziléia Drummond, regente do Coral da Escola de Música RII

no IV Encontro de Educação Musical do Colégio Pedro II e I Encontro Nacional dos Cursos Técnicos em instrumento

Portal

Entre tantas contribuições para a instituição, a professora destaca a criação do Portal da Educação Musical do Colégio Pedro II, o Educa Música CP2, em parceria com a professora de Educação Musical Mônica Neves Leme e da servidora Vanessa Marinho (Informática Educativa). “O projeto foi apresentado à Petrobrás e teve o patrocínio efetivamente aprovado pouco antes do final do ano de 2007, sendo executado a partir fevereiro de 2008. O lançamento do Porta foi em Dezembro de 2009”, ressaltou Mônica.

Mônica se aposentou em outubro de 2019 como coordenadora-geral do Departamento Pedagógico de Educação Musical, cargo que ocupava desde 2017.

Vanessa Marinho, que também participou da implantação do Centro de Estudos de Informática na Educação do Colégio Pedro II e depois trabalhou com Mônica no Laboratório de Informática do Humaitá II, conta que as duas costumavam brincar que passavam mais tempo juntas do que com as famílias.

Venessa e Mônica trabalharam juntas por mais de 25 anos no Colégio Pedro II
Venessa e Mônica trabalharam juntas por mais de 25 anos no Colégio Pedro II

“Só tenho coisas boas para falar sobre a nossa parceria, que durou mais de 25 anos e sempre funcionou muito bem. Uma adivinhava o que a outra queria fazer, apesar de termos competências diferentes. Sempre nos completamos muito, foi um grande aprendizado trabalhar com a Mônica e hoje temos uma admiração mútua”, ressaltou Vanessa.

Nelio

O professor de História começou tarde no magistério, depois de ter trabalho por anos na iniciativa privada. Aos 50 anos resolveu voltar para os bancos da escola e seis anos mais tarde ingressava no Colégio Pedro II. Começou na Unidade São Cristóvão II, onde permaneceu até 2013. No ano seguinte, veio para o Humaitá II e começou a dar aulas para o Ensino Médio, principalmente para as turmas do período noturno.

Nélio sempre realizava em sua casa aulões com suas turmas da 3ª série às vésperas do Enem. Na foto ele está com uma das turmas de 2019
Nélio sempre realizava em sua casa aulões com suas turmas da 3ª série às vésperas do Enem. Na foto ele está com uma das turmas de 2019

Nelio confessa que prefere dar aula para esse segmento e também para os alunos que estudam à noite. “Os estudantes da noite estão ali porque querem, geralmente trabalham durante o dia e têm como objetivo ingressar em uma faculdade”, refletiu o professor.

Durante o tempo em que trabalhou no CPII, Nelio sempre atuou em sala de aula. “Eu fui burocrata a minha vida toda. O magistério foi outra experiência da qual só abri mão por conta de possíveis mudanças na Previdência Social. Muitos colegas foram levados a fazer o mesmo”, lamentou.

O professor conta que não deu tempo ainda de curtir a aposentadoria como gostaria, porque logo veio a pandemia da Covid-19. Nelio foi uma das pessoas que se infectaram no Rio de Janeiro e permaneceu por um mês internado. “Ainda preciso de fisioterapia, mas estou bem”, assegurou.

A doença serviu para mostrar o carinho dos ex-alunos, e também de colegas do campus, que se mostraram preocupados com o seu estado. “Pelo Facebook eu recebi muitas mensagens de afeto e carinho. Ainda bem que existem as redes sociais, assim não perdemos o contato com as pessoas depois que aposentamos”, comemorou.

Isabela Milani e  a amiga Mariah com o professor Nelio Galsky
Isabela Milani e a amiga Mariah com o professor Nelio Galsky

Os alunos também lembram com carinho do ex-professor de História, como é o caso da Isabela Millani, aluna do noturno até 2019. Atualmente na França, onde cursa  Direito Internacional, ela citou o professor Nelio em uma entrevista que concedeu ao Site do Humaitá II no final de junho.

Até o fechamento desta edição não foi possível apurar as informações sobre a trajetória do professor Ronald Schneider no Colégio Pedro II.

 

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