Ererebá – Apresentação

O Ererebá – Curso de Especialização em Educação das Relações Étnico-Raciais no Ensino Básico é uma iniciativa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do Colégio Pedro II (NeabCp2), e de membros do Grupo de Pesquisa GEPARREI (Grupo de Estudos, Pesquisas e Ações sobre Racismo, Relações Étnico-Raciais e Indígenas), os quais vêm atuando no contexto do Colégio Pedro II, na promoção da Educação das Relações Étnico-raciais desde outubro de 2013, quando o NeabCp2 foi fundado.

A proposta deste curso atende à necessidade não só de formação continuada do corpo docente do Colégio e do público em geral, mas à urgente demanda por reparação, através da educação, dos danos sofridos, em território brasileiro, pelas populações negras e indígenas em situação de flagrante opressão social e racial. Uma dessas medidas de reparação ficou marcada em 2003 pela promulgação da Lei Federal 10.639/03, que altera a LDB, e estabelece como obrigatório o ensino de Culturas Africanas e Afrobrasileiras em todo o currículo escolar, em especial nas disciplinas Literatura, História e Educação Artística. Essa lei foi revista e alterada em 2008, ampliando-se para o ensino de Culturas Indígenas, ainda em todo o currículo escolar, e com igual destaque, para as disciplinas anteriormente citadas.

É preciso que docentes e demais profissionais envolvidos na educação brasileira reconheçam os altos padrões civilizatórios que englobaram as organizações africanas e indígenas no mundo até o século XIX e que hoje ainda subsistem em resistência ao avanço do capitalismo e racismo europeus. Sem que se estabeleça esse acordo de honestidade com boa parte da população brasileira, nossa educação continuará aquém da capacidade de desenvolver seres humanos capazes de construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Assim, o Ererebá se constitui do propósito de revisar, repensar, analisar os projetos políticos pedagógicos que vigoram à luz da centralidade europeia e, a partir disso, propor, negociar, desenvolver novas práticas educacionais que se balizem por princípios civilizacionais outros, quer sejam africanos, afrodiaspóricos ou indígenas, resistentes à sanha colonizadora por tanto tempo.