III Mostra Pérola Negra de São Cristóvão III

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Pérola Negra 2019 - alguns participantes (1)

Fantástica a III Mostra Pérola Negra de São Cristóvão III Evento idealizado pelos integrantes do Projeto Resgate da Autoria Negra na Literatura Brasileira emociona plateia

No dia 6/11/19, em São Cristóvão III, ocorreu a III Mostra Pérola Negra 2019, idealizado pelo projeto Resgate da Autoria Negra na Literatura Brasileira, integrado pelos professores Helio de Sant’Anna dos Santos, Márcio Vinícius do Rosário Hilário e Sirley Ribeiro Siqueira. A atividade, desenvolvida pela Equipe de Português de São Cristóvão III, não só atende à aplicação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, como procura contribuir para a valorização da diversidade cultural inerente à formação da sociedade brasileira. O Resgate da autoria negra na literatura brasileira é uma das ações do Grupo de Pesquisa LEPELL (Laboratório de Estudo de Práticas Educativas em Língua Portuguesa e Literatura) desde 2017.

Contamos nesta edição com as brilhantes participações da escritora Sílvia Barros, professora do Departamento de Português e coordenadora do NEABICP2, do poeta Paulo Sabino e do ator Nando Cunha, os quais compartilharam suas histórias de vida, desafios, poemas… oferecendo ainda mais argumentos e experiências em favor de uma educação antirracista. A equipe de Música esteve presente com a solícita Maria Lúcia, o Max com as belíssimas apresentações dos estudantes de São Cristóvão II e o estreante Pedro Borges com a surpreendente RH116, empolgando a todos com o repertório afro-brasileiro – e a arte afro-brasileira, orientados pela Jackline Torres. Adaptando o que mencionou o Diego Ramalho, outro entusiasta do Pérola, “assim nascem ídolos”. E Lia Gautério e sua oficina de Artes? Redescobrindo e levando ao público a arte dos autores negros, pesquisando os não canônicos, desde a primeira edição, uma superparceira.

O Pérola Negra 2019 estimulou a produção criativa por estudantes autodeclarados negros do Campus São Cristóvão III e pretende divulgar em breve os belíssimos textos. Uma das principais intenções era contribuir para a maior visibilidade da participação de estudantes negros no âmbito escolar, objetivo alcançado. Foi emoção pura! Uma apresentação de verdadeiras pérolas! Aliás, a pérola negra que dá nome ao concurso é considerada a mais rara e mais valiosa do mundo. Dentro de um contexto histórico em que infelizmente a autoria negra foi silenciada, essa joia rara metaforiza bem toda uma produção artística que, embora muito valorosa, permanece desconhecida.

Além do valor simbólico por si só do termo, homenageamos Luiz Melodia, morto em 2017. Ele é o compositor de uma belíssima canção chamada “Pérola Negra” e sempre valorizou a beleza da afrodescendência, com canções que se tornaram clássicas, como, por exemplo, “Negro gato”. Homenageamos também a rainha Elza Soares, exibindo uma breve entrevista em que explica a sua interpretação para a canção “A carne”, em que ela faz questão de reiterar: “a carne mais barata do mercado já foi a carne negra!”

A mensagem já é fato entre os participantes, como comprovam os versos: “[Ser preta no Brasil] é ser ocultada nos livros de História / ser ocultada dos livros de Literatura”, da Frente Negra Sankofa, declamação em conjunto do poema de Aline Silveira; ou “Existir é um ato político”, de Andressa Oliveira (turma 1301); “Minhas emoções me fazem sentir mais culpado / que o contraste da nossa pele”, de João Gomes (IN315); “sobrevivemos a esse inferno / de onde tiramos esses versos”, de Rudson (1101); “Corpo de mulher, nordestino e negro castigado até o pé / Hoje, quase nos 80, de muleta e só o pó, / eu passo por uma grande guerreira todo o dia edigo: ‘Bença, Vó’.”, de Paulo MC (9º ano – SC II); “Então, quem sou eu? / Qual é a cor do meu / cabelo?” e “Ainda há presas / a seus braços e pernas / correntes?”, de Pietra (2108); “Pensa que isso arde?! / A dor do chicote doía bem mais”, de João Carlos (RH116); “é ali sentada no chão do trem, em um bado do mês de agosto que, para outros, era mais um bado motono, é ali que a poesia toma conta do meu corpo”, de Ana Clara (MA114); “Meu sol deixa vermelho quem tem sangue meu nas mãos e minha lua eu não via no navio negreiro” ou “eu sigo morrendo, tu ligado? / nem sei se eu vou ler a tal poesia”, de Leonardo/Marginal (2302).

Pérolas negras de São Cristóvão III, do Colégio Pedro II, desta sociedade que precisa se reconstruir, reparando o quanto antes o mal que muitas vezes sequer se dá conta de que fez e faz. E que a consciência negra de fato ultrapasse o mês de Zumbi; que em todos os meses tenhamos o compromisso com a educação antirracista.

Equipe de Português - estudantes e convidados
Equipe de Português, estudantes e convidados
Evilyn_ex-aluna e turma RH116 - no palco (1)
Evilyn_ex-aluna e turma RH116 – no palco
Frente Negra Sankofa
Frente Negra Sankofa
Max e estudantes de SC II
Max e estudantes de SC II
Nando Cunha e Márcio Hilário
Nando Cunha
Paulo MC
Paulo MC
Plateia
Plateia

 

 

Sílvia Barros e Sirley Ribeiro
Sílvia Barros e Sirley Ribeiro
Bonecas confeccionadas pela Profa. Jackline Amazonas
Bonecas confeccionadas pela Profa. Jackline Torres

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