Foliões do CPII falam da paixão pelo Carnaval

 

 

O Carnaval está chegando e, para aproveitar a festa mais popular do ano, preparamos uma matéria sobre os foliões do Colégio Pedro II. Alunos, ex-alunos e servidores, cada um dos entrevistados compartilha com os leitores do site do CPII sua relação toda especial com a festa de Momo. Boa leitura e divirtam-se!!!

 

“Explode coração”

 

 

Bárbara Mylena Oliveira Moura de Almeida tem 14 anos e é aluna do 8º ano do Campus São Cristóvão II. Ela, que é aluna do colégio desde os 6 anos, também começou cedo em outra escola, só que de samba: a “Aprendizes do Salgueiro”, onde desfila desde os 9 anos. Há três anos ela é a primeira porta-bandeira da escola, ao lado do mestre-sala Alessandro.

 

Moradora do Rio Comprido, Bárbara Mylena, como não poderia deixar de ser, sonha em ser um dia a primeira porta-bandeira da Acadêmicos do Salgueiro, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro.  Mas para isso, ela sabe, tem de treinar muito. Os ensaios acontecem todas às terças-feiras, além do samba de domingo, na quadra da escola, em Silva Teles.

 

Bárbara Mylena garante, no entanto, que dá para conciliar o colégio com os ensaios na “Aprendizes do Salgueiro”. “ Eles começam no meio do ano, mas são mensais. Só às vésperas do Carnaval é que são mais intensos, mas nesse período estou de férias ou de recesso no CPII”, ressaltou.

 

Este ano a “Aprendizes do Salgueiro” vai homenagear os 25 anos do enredo “Explode Coração”, que deu o título à Acadêmicos do Salgueiro. “Estou muito ansiosa para o desfile e torcendo bastante para este ano sermos campeões”, enfatizou.

 

Os desfiles das escolas de samba mirins acontecem na terça-feira de Carnaval, na Marquês de Sapucaí.

 

 

 "Sou uma apaixonada pela Mangueira"

 

Servidora do Setor de Pesquisa, Extensão e Cultura do Campus São Cristóvão II e militante do combate ao racismo no ambiente escolar, Marli Azevedo é também diretora cultural da Estação Primeira de Mangueira desde 2013. Mas a história dela com a Mangueira vem desde a adolescência, quando passou a frequentar a escola com o tio.

 

“Mas eu não nasci na Mangueira. Sou uma apaixonada pela escola, pela sua história e pelos seus compositores”, enfatizou Marli. Depois de uns anos afastada, primeiro por estudo e depois por ter sido convidada para ser diretora cultural da Unidos de Vila Isabel, nos anos 80, onde foi uma das fundadoras da escola mirim “Herdeiros da Vila”, Marli, que mora próximo ao “Petisco da Vila”, voltou a frequentar a Mangueira.

 

“Antes de ser diretora cultural eu já era integrante da vice-presidência cultural da Mangueira e participei da reestruturação e reabertura do Centro de Memória da escola, espaço que conta hoje com uma exposição permanente que já recebeu mais de três mil visitantes”, ressaltou, lembrando que no dia 28 de abril a agremiação completa 90 anos de fundação.

 

Para comemorar a data, foi lançado um calendário que trata dos segmentos fundamentais da escola. Mangueirenses ilustres foram convidados para escrever sobre a escola, entre eles Carlinhos de Jesus e o ex-presidente Álvaro Caetano. “Eu também escrevi um texto sobre a Velha Guarda”, disse Marli orgulhosa.

 

 

"Nova maneira de brincar o Carnaval"

 

 

A professora de Educação Musical Mônica Leme, do Campus Humaitá II, participa do bloco  “Mulheres de Chico” desde 2008, quando tocava a guitarrinha baiana. Com a entrada de Lalila Aurore, ex-aluna do CPII, no cavaco, ela ficou responsável pelo violão e guitarra.

 

O “Mulheres de Chico” foi fundado em 2006 pelas cuiqueiras Vivian Freitas e Glaucia Cabral com a proposta de representar as mulheres numa época em que a participação feminina nas baterias das escolas de samba era bem difícil.

 

Segundo Mônica, a ideia de relacionar Chico Buarque com o Carnaval veio pela forma como ele aborda a cultura popular e também pelas mudanças na maneira de “brincar o carnaval”.

 

“Diferentemente dos antigos carnavais, que priorizavam as marchinhas e sambas de enredo, hoje o folião brinca dançando e cantando rock, samba, funk, baião, axé e muitos outros gêneros. O ‘Mulheres de Chico’ propõe-se a trazer para a folia as músicas de Chico, com arranjos originais e diversos ritmos, inserindo-se assim nessa nova maneira de brincar o Carnaval,” contou.

 

O bloco se concentra no final da Praia do Leme e reúne cerca de 60 mil pessoas. O Mulheres de Chico se apresenta sempre no sábado seguinte ao Carnaval. Este ano será no dia 17 de fevereiro.

 

“Teremos um desfile dedicado à diversidade, é o desfile PARATODOS. Por isso teremos a participação de Jane Di Castro, umas das Divinas Divas, que irá cantar conosco algumas marchinhas antológicas”, disse Mônica.

 

 

“É Tudo ou Nada?!”

 

 

O bloco “É Tudo ou Nada?!” tem seu nome inspirado na famosa Tabuada do CPII e foi fundado no final de 2007 por um grupo de ex-alunos, sendo a maioria do Campus Humaitá II. Augusto Tundis, membro do bloco e ex-aluno do Campus Centro, conta que naquele ano cerca de mil pessoas acompanharam o desfile. “No primeiro ano o bloco já mostrava que tinha futuro, por ter reunido tanta gente em um desfile quase improvisado, que nem mesmo carro de som tinha”, ressaltou.

 

Já no carnaval de 2009, o bloco continuou a mostrar força, agora com carro de som, reunindo cerca de duas mil pessoas em seu desfile pelas ruas do Humaitá e de Botafogo. “Este ano pode ser considerado o da consolidação do ‘Tudo ou Nada’, que já entrou oficialmente no calendário do Carnaval de rua carioca,” contou Augusto.

 

O bloco conta com 45 integrantes, divididos em bateria, cantores, cavaquinista, guitarrista e baixista, sendo 90% dos componente ex-alunos do CPII. O repertório conta com o tradicional samba enredo, além de pop rock brasileiro, funk, axé e, como brinca Augusto, o que mais der para aprender nos ensaios.

 

“Carnaval é sonho, é brincadeira, alegria, celebração. Para quem toca e canta, é o momento do ano que você traz à tona seu lado músico. Para quem organiza, é o orgulho de ver toda a comunidade do CPII, reunindo várias gerações. Para todos, é a nostalgia dos bons tempos de colégio, reencontrar os amigos que fizemos durante e depois do período que estivemos lá”, comentou Augusto, declarando seu amor pelo carnaval e pelo CPII.

 

Além de desfiles, o “É Tudo ou Nada?!" também se apresenta em eventos, como formaturas de alunos do CPII e festas da Associação dos Docentes do Colégio Pedro II (ADCPII) do  Sindicato dos Servidores do colégio (Sindscope).

 

Em 2018, o bloco desfila no dia 13 de fevereiro, às 10h. A concentração será na Rua Voluntários da Pátria, 446.

 

 

'Ser jurado é coisa séria'

 

 

Supervisor do Complexo Poliesportivo de São Cristóvão e chefe adjunto do Departamento de Educação Física, há três anos Marcus Vinícius Monteiro realiza um sonho de criança: ser jurado de desfiles de escolas de samba. Marcus conta que com oito anos ele já assistia aos desfiles na TV com seu avô Érico e pensava que seria jurado quando crescesse. “Costumo dizer que quis ser jurado de Carnaval antes mesmo de pensar em ser professor de Educação Física”, ressaltou.

 

Mas só mais recentemente, depois que se estabilizou na carreira que escolheu, resolveu levar a sério seu sonho de criança. “Passei a estudar o Carnaval. Tenho uma biblioteca considerável sobre o tema, frequentei encontros em universidades e museus e, em um desses, conheci uma pessoa que me apresentou ao coordenador de jurados da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj), que reúne as agremiações da Série A ou Grupo de Acesso”, comentou.

 

Depois de estrear como jurado de conjunto, quesito que não existe mais, em 2015, no desfile das escolas dos grupos C e D, Marcus foi convidado para julgar samba-enredo nos desfiles do Grupo de Acesso. “Ser jurado é uma experiência única. É tudo que eu imaginava”, revelou, ressaltando que não tem crise de consciência, porque sabe ser muito criterioso e técnico em seu julgamento. “Ser jurado é coisa séria, você não está julgando apenas um quesito, mas o trabalho de um ano inteiro de muitas pessoas. O Carnaval envolve muita gente”, observou.

 

Segundo o professor de Educação Física, os jurados fazem um curso, em geral de dois dias, antes do desfile e recebem materiais contendo a descrição do enredo de cada escola. “São em torno de mil páginas para cada jurado ler. Mas esse não é o documento final. No dia do desfile recebemos um novo material, agora com as alterações promovidas pelas escolas. As notas têm de ser dadas com base nesse documento”, explicou.

 

Depois que a última escola desfila, é hora de começar o julgamento de fato. “Em geral ficamos de duas a três horas nesse processo. Cada nota abaixo de 10 precisa ser justificada”, observou Marcus. O samba-enredo, segundo ele, é avaliado quanto à melodia e letra. “Na primeira, é preciso verificar a variação melódica e a criatividade; se é um samba de verdade e não uma marchinha. Já a letra precisa ter riqueza poética, adequação ao enredo e obedecer a norma culta, mas devemos observar quando se trata de licença poética”, esclareceu.

 

Desde que se tornou jurado dos desfiles de escolas de samba, Marcus não revela para ninguém a agremiação para a qual torce. “E olha que tem sempre alguém querendo saber qual é a minha escola”, ressaltou. Com a repórter não foi diferente. 

 

 

 

Assessoria de Comunicação Social

 

 

Acessos Hoje:12273  Total Acessos:3159567