Nota Pública nº 01/2018

 

Confira a Nota Pública nº 01/2018 onde o Reitor do Colégio Pedro II, Oscar Halac, rebate o pedido de intervenção no Colégio Pedro II, solicitado pelo deputado Sóstenes Cavalcante. Acesse também o Ofício nº 45/2018/GR em resposta a Indicação Parlamentar.

 

Leia abaixo a íntegra da nota:

 

O REITOR pro tempore DO COLÉGIO PEDRO II, designado pela Portaria MEC/1280, de 4 de outubro de 2017, publicado no Diário Oficial da União, Seção 2, página 12, de 5 de outubro de 2017, no uso de suas atribuições legais, esclarece que:

 

Como se pode perceber pelo teor do ofício nº 046/2018 (em anexo), remetido ao Ministério da Educação como forma de responder à solicitação de intervenção no Colégio Pedro II, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante, as acusações não correspondem a verdade dos fatos.

 

Faltou verdade ao texto do deputado.

 

Como um Deputado Federal, eleito democraticamente, pertencente aos quadros de um Partido Político denominado Democratas solicita intervenção do Ministério da Educação no Colégio Pedro II, onde a sua comunidade, recentemente, reelegeu com 78% dos votos válidos o seu Reitor?

 

Não é democrático, não é Republicano.

 

Como confiar em um parlamentar que, por escrito, maquia a verdade dos fatos?

 

Como confiar em um parlamentar que face aos tantos problemas graves nacionais se ocupa exclusivamente de vilipendiar o Colégio Pedro II?

 

Ele, só ele. O deputado Sóstenes.

 

Membros respeitáveis de seu Partido, com serviços relevantes prestados em prol do bem comum, como o Presidente da Câmara Federal, certamente não fazem parte desta ação particular de ataques gratuitos ao Colégio Pedro II.

 

Este, o Presidente da Câmara Federal, algumas vezes nos proporcionou emendas parlamentares para a manutenção física do nosso Colégio; espontaneamente, assim como outros e de outros Partidos Políticos, já que esta ação não é monopartidária.

 

O deputado Sóstenes nos ofereceu uma emenda parlamentar para instalação de aparelhos de ar condicionado quando todos sabem que todas as salas de aulas do Colégio são providas deste dispositivo. Recusei e sei que o deputado irá dizer que o Reitor não aceitou.

 

Ao contrário do deputado Sóstenes, entusiasmado defensor do inconstitucional Movimento Escola sem Partido, o Exmo. Senhor Ministro de Estado da Educação – Deputado Mendonça Filho, jamais esteve parceiro deste movimento e nunca demonstrou atitudes miúdas em relação ao Colégio Pedro II.

 

Ambos são do DEM.

 

Não é o Partido que faz o Deputado e lhe empresta a nobreza. A nobreza é virtude do Homem e não da sigla partidária a que pertence.

 

Queria saber o motivo do desserviço prestado pelo deputado Sóstenes à comunidade do Colégio Pedro II quando reproduz e alardeia notícias de fatos passados, resolvidos e que não tiveram a conotação apresentada em seu texto onde solicita a intervenção do Ministério da Educação no Colégio Pedro II.  Ele, só ele, deputado Sóstenes.

 

Para que serve isto? Pergunto-me. A quem serve isto?

 

Saibam todos que tomam ciência destas justificativas do Colégio Pedro II, que em verdade apresentamos indicadores educacionais que negam sobejamente a tentativa destrutiva do deputado Sóstenes em relação ao mais que sesquicentenário Educandário.

 

Sóstenes, sempre à frente dos denuncismos contra o Colégio Pedro II e presente nas situações que visam o comprometer transformando-os em fatos consumados.

 

Nenhum outro Deputado pressionou-me para autorizar o uso de força policial para debelar uma manifestação estudantil ocorrida no Colégio em 2016.

 

O Exmo. Senhor Ministro de Estado da Educação, Deputado Mendonça Filho, a quem devo me reportar sempre por questões de ordem, optou pela solução pacífica. Assim cumpri.

 

Apenas o deputado Sóstenes pressionou-me. Ele, somente ele, o deputado Sóstenes. Sempre ele.

 

O mesmo que, em plena Audiência Pública no Congresso Nacional a qual compareci na qualidade de convidado, xingou-me de “paspalho” publicamente, fato disponível nos anais daquela Casa.

 

Casa que ele deveria saber respeitar como eu respeitei não revidando a falta de decoro. Ele, sempre ele, o deputado Sóstenes.

 

Mas este Colégio, tão atacado pelo deputado e cujos objetivos não posso imaginar, mantém-se com elevados patamares de excelência educacional.

 

Inscreveram-se em 2017 para nossos Concursos de Admissão de Novos Alunos cerca de 34 mil candidatos redundando absurda relação candidato/vaga de 45:1 na Educação Infantil; 115:1 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; 18:1 no Ensino Médio e 30:1 no Ensino Técnico e Tecnológico, o que denota o interesse da comunidade fluminense em ter seus filhos estudantes no Imperial Colégio, mas da qual não me regozijo pois ela é cruel para as crianças.

 

Ministramos cursos de pós-graduação em todos os níveis para cerca de 850 (oitocentos e cinquenta) estudantes, temos 79 (setenta e nove) coletivos de pesquisas, 155 (cento e cinquenta e cinco) projetos de pesquisas, ofertamos 810 (oitocentos e dez) bolsas de iniciação científica, realizamos 115 (cento e quinze) projetos e eventos científicos, culturais e artísticos.

 

Ele, só ele, o deputado Sóstenes não considera como ação de sucesso o trabalho aqui realizado.

 

Atendemos em nossos NAPNE’s 730 (setecentos e trinta) estudantes portadores de diferentes distúrbios e deficiências, além de 25 (vinte e cinco) estudantes com altas habilidades e com todos e todas incluídas no cotidiano escolar, o que por certo concorre para uma evasão escolar entre 3% e 5%, digna de países desenvolvidos.

 

Todos estes e mais os estudantes em vulnerabilidade social; 1400 estudantes, são assistidos pelo orçamento da rubrica específica, em torno de 7 milhões anuais. Aliás, contingenciada em 2 milhões em relação ao ano anterior.

 

Esta rubrica fomenta concessão de bolsas estudantis, auxílios financeiros, complementação da merenda escolar e viagens de estudos.

 

Quem desejar ajudar de fato o Colégio Pedro II e aumentar o número de estudantes assistidos, eis aí uma boa causa, deputado Sóstenes! E então eu acreditaria nas suas intenções.

 

Cabe ressaltar que os órgãos fiscalizadores não emitiram qualquer recomendação nos exercícios anteriores a 2018, denotando um cumprimento administrativo ético e responsável do nosso corpo técnico.

 

Sempre que nos ataca utiliza o deputado em tela como pano de fundo o PSOL.

 

Nada temos com o PSOL que não tenhamos com os demais inúmeros Partidos Políticos existentes. Não sou filiado ao PSOL e nem a nenhum outro Partido, apesar de podê-lo ser.

 

O Colégio Pedro II é um ambiente plural, um mosaico da sociedade fluminense, republicano e zelador do direito de todos e todas – apesar do deputado discordar. Ele só ele, o deputado Sóstenes.

 

Parece-me, de modo peremptório, que o problema do deputado Sóstenes não é com o Reitor do Colégio Pedro II e nem com o Colégio Pedro II e sequer é uma desmedida defesa de dogmas sociais ante a indelével existência de diferentes gêneros. É com o PSOL!!!!

 

Não se apoquente, deputado! Só os imaturos políticos,  não é o seu caso, creem que se vota na legenda partidária. Sobremaneira vota-se no Homem (ou na Mulher);  vota-se na confiança, vota-se nos sonhos.

 

Eleições parecem-me ser processos onde devemos primeiro nos vencer para então vencermos os adversários.

 

Não se vota em projetos de desconstruções. Vota-se em projetos construtivos. Os destrutivos, via de regra e como mostra a história, são repelidos pelo Povo Brasileiro.

 

Mas nem tudo que escreveu o deputado solicitando intervenção no Colégio Pedro II foi em vão. Pude apreender que de fato este Colégio é de excelência como lhe pareceu ser.

 

Pelo seu texto apreendi que é uma escola de todos e para todos e todas. Ela é inclusiva, é ética, é plural e formadora de cidadãos e cidadãs como preconiza a política emanada pela SETEC/MEC.

 

Sim, deputado. Respeitamos as diferenças!

 

Estamos a caminho de encerrar ciclos históricos de racismos, promovemos a ascensão social de jovens advindos de classes sociais desfavorecidas por políticas zanagas, possuímos 50% de alunos oriundos de Escolas públicas e aqueles em vulnerabilidade social.

 

Acolhemos os indivíduos, nossos estudantes, com necessidades específicas, os de gêneros não considerados dominantes pelo deputado, todos os credos e todas as raças.

 

Aqui não formamos quadros de extrema direita e nem de extrema esquerda. Isto é velho e extemporâneo – acabou com o fim da guerra fria e com o encerramento das carreiras futebolísticas do Zagallo e do Garrincha.

 

Vivemos em tempos dos meias esquerdas, meias direitas, dos apoiadores. Mudou o mundo, mudou a política. Não mais aquela do maniqueísmo partidário, dos dogmas sociais, do “toma-lá-dá-cá”.

 

Aqui, deputado, formamos cidadãos e cidadãs críticos e que decodificam mensagens. Nossos estudantes não são extremistas, nem de esquerda e nem de direita.

 

Nossos alunos, entenda deputado, leem e compreendem o que está contido em um texto e certamente compreenderam seu intento de intervir no Colégio Pedro II.

 

Política não é força – é jeito, é diálogo, é debate. Política é, ou deveria ser, um ato nobre.

 

Bem, não vou ensiná-lo sobre política, afinal o deputado é o senhor.

 

Fiquemos então assim combinados: enquanto o Reitor do Colégio Pedro II não cometer algum ato doloso ou realmente próximo aquilo que o senhor exarou em seu pedido de intervenção no Colégio Pedro II eu não me intrometo em seu mandato parlamentar e o senhor permitirá que eu cumpra o meu, em nome de aproximados 15 (quinze) mil alunos, 3 (três) mil Servidores Públicos e uma comunidade com efeito multiplicador com cerca de 60 (sessenta) mil pessoas. Deixe que estes me julguem como certamente julgarão o deputado.

 

Oscar Halac

Reitor pro tempore

 

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