Seminário do Litescola debate múltiplos letramentos

 

 

Discutir os múltiplos letramentos literários na escola. Essa é proposta da quarta edição do Seminário do Litescola. O evento, realizado nos dias 17 e 19 de setembro, no Colégio Pedro II, reúne professores da educação básica e universitários, pesquisadores, estudantes e profissionais interessados no tema.

 

A programação inclui mesas redondas, conferências e comunicações orais que abordam temas diversos como a literatura indígena e de cordel, o letramento étnico-racial e em línguas estrangeiras e a formação de professores leitores, por exemplo. “É uma preocupação nossa falar sobre o uso da literatura em sala de aula e como nossas pesquisas e encontros com o ensino superior, nos mestrados e doutorados, podem chegar a sala de aula de forma produtiva e que valorize a arte literária. Queremos formar leitores, mas queremos que esses leitores tenham acesso a uma diversidade de literaturas. Isso é importante não apenas para atender uma exigência legal, mas para promover a formação humana do aluno leitor”, comentou a professora Yandara Moreira (Campus Engenho Novo II), que integra a comissão organizadora do evento.

 

Neste ano, o número de inscritos dobrou em relação a edição anterior do evento, totalizando 237 inscrições. Segundo Yandara isso se deve a maior divulgação do seminário entre grupos de professores da educação básica e da universidade, assim como em grupos de estudo de literatura infantil e juvenil.

 


Os professores Yandara Moreira, Marcio Hilário, Reginaldi Prandi, Jorge Marques, Silvia Barros e Juliana Berlim

 

“Esse é um evento de professor para professor. Fazemos questão de romper algumas hierarquias que existem, principalmente, entre professores universitários e professores de educação básica, colocando-os numa mesma mesa para pensar a literatura real que vai para a sala de aula.  Valorizamos as práticas, as trocas mútuas e a experiência do aluno”, destacou Yandara, ressaltando que durante o seminário estudantes da educação básica ganham protagonismo a apresentar trabalhos desenvolvidos em projetos de iniciação científica e de extensão.

 

Troca de experiências

Durante o seminário, os participantes podem ter contato com diversas iniciativas desenvolvidas na educação básica. Um exemplo é o Projeto Oxe desenvolvido desde 2014 no Campus Santo Amaro do Instituto Federal da Bahia (IFBA) pela professora Gal Meirelles.

 


A professora Gal Meirelles com os alunos Gutiery da Anuanciação, Evelyn Letícia dos Santos, Maria Aparecida Brandão e Eva Victoria Bispo, do IFBA

 

O Oxe é um projeto de mediação de leitura que tem como objetivo a formação de leitores, valorizando a produção de autores baianos contemporâneos.  “Sempre defendi que a literatura deveria promover um processo de identificação. Então nada melhor do que promover escritores que no tempo e no espaço estejam próximos do leitor. O desafio é fomentar a leitura e pensá-la como uma prática social”, explicou Gal.

 

 No site do projeto, os alunos tem acesso a mais de 500 textos de diversos gêneros, produzidos e disponibilizados por autores baianos contemporâneos. A escolha por autores contemporâneos permite ainda que os alunos tenham contato direto e possam interagir com eles, seja pelas redes sociais ou pelas oficinas promovidas pelo projeto – 22 autores já participaram desses eventos.

 

 

Letramento Étnico-Racial

O primeiro dia do evento promoveu uma mesa-redonda sobre letramento literário étnico-racial na Educação Básica com a participação da professora do CPII (Campus Tijuca II), Silvia Barros, e do sociólogo, professor da USP e escritor, Reginaldo Prandi.

 

Silvia apresentou os projetos e atividades desenvolvidos no Campus Tijuca II com o objetivo de promover a literatura afro-diaspórica, como a oficina Mulheres Negras e Literatura -  de leitura exclusiva de autoras negras brasileiras-, o clube de leitura interdisciplinar, desenvolvido em parceria com as disciplinas de línguas, e as atividades desenvolvidas em sala de aulas com turmas do 6º, onde busca dar destaque a autores negros ou a textos que tragam personagens negros ou temas da cultura africana.

 


Silvia Barros apresentou ações desenvolvidas no Campus Tijuca II

 

“Ao promover essas questões temos por um lado uma obrigação legal e por outro uma questão de reparação histórica. Nossa formação foi toda baseada em valores e conhecimentos produzidos na matriz europeia. Nossa mentalidade é embranquecida, independentemente das pessoas serem brancas ou pretas. Então, essas iniciativas são um processo também de descolonialização e de desconstrução simbólica”, destacou.

 

Autor de livros infato-juvenis como Aimó e Xangô, O Trovão, Reginaldo falou sobre a importância da literatura infanto-juvenil para descontruir preconceitos raciais e aproximar os leitores da cultura afro-brasileira.

 


Reginaldo Prandi falou sobre o papel da literatura infantil para romper preconceitos

 

“Em meus livros, buscava que as crianças não simplesmente gostassem do que liam, mas que gostassem dos personagens. Ao gostar dos personagens, você acaba gostando de uma parte fundamental da nossa cultura que é muito rejeitada. Eu acredito que não é uma lei que vai acabar com o preconceito racial e o preconceito contra as religiões afro-brasileiras, mas a relação que se estabelece com esses temas. Se você passa a gostar e ter uma afinidade é meio caminho andado para incorporar isso na sua própria vida, nos seus valores e visão de mundo”, ressaltou.

 

O IV Seminário do Litescola continua no dia 19 com diversas atividades na Propgpec. Acesse a a programação. Durante o evento, os participantes também conferir a exposição Gandhi descobrindo os múltiplos universos da Índiadescobrindo os múltiplos universos da Índia.

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação Social

 

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