Palestra no CPII aborda tema dos movimentos sociais campesinos no México


Os palestrantes Arturo Lomeli e Dolores Camacho falaram sobre os movimentos campesinos e o zapatismo na região de Chiapas, no México
 

Nesta quarta-feira, 8/7, aconteceu no Anfiteatro C do Campus São Cristóvão III a palestra “Movimentos sociais em uma perspectiva latino-americana”, com o professor da Universidade Intercultural de Chiapas Arturo Lomeli e a pesquisadora de movimentos campesinos indígenas mexicanos Dolores Camacho.


Durante três horas, os palestrantes falaram sobre os movimentos sociais contemporâneos da região de Chiapas, no sul do México. O professor Arturo explanou acerca das experiências autonomistas dos povos campesinos, indígenas em sua grande maioria, enfatizando as formas de autogoverno ali adotadas, que seguem os princípios da gestão coletiva e da participação popular. “Isso significa que o que o povo decide, o governo deve cumprir”, ressaltou.



Foto: a palestra foi mediada pelo professor de Sociologia do CPII Selmo Nascimento, com participação da chefe do Dep. de Espanhol, Cláudia Estebam



Arturo também falou sobre a pluralidade ética e cultural desses povos e demonstrou como esse processo organizativo e baseado nos valores culturais dos indígenas se chocam com o sistema capitalista e o estado mexicano.


Dolores, por sua vez, abordou a influência do zapatismo na região. Inspirados no líder da Revolução Mexicana de 1910, Emiliano Zapata,  o Movimento Zapatista se tornou conhecido em todo o mundo a partir de 1º de janeiro de 1994, quando  passou a se manifestar contra o acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá (Nafta)), criado na mesma data. Além da gestão autônoma e democrática do território, o movimento defende a participação popular e a partilha da terra e da produção agrícola.


O zapatismo, segundo Dolores, não é um partido político, mas um movimento social que não se submete ao estado e busca formas alternativas de autogestão das comunidades onde atua. O Movimento Zapatista, explicou, se inspirou em muitas tradições e experiências indígenas, mas com um recorte socialista.


Educação


Arturo também falou sobre a educação praticada nas comunidades campesinas sob influência do zapatismo. O ensino é universal, mas baseado nos valores indígenas e zapatistas. Segundo ele, ao final de seis anos do ensino primário, tendo em média 13 anos, o aluno recebe um certificado que o capacita a iniciar um trabalho comunitário, que pode ser auxiliar em saúde ou monitor de estudos, por exemplo.


A outra etapa da educação básica do Sistema Autônomo Educativo Zapatista é o ensino secundário, composto por três anos, que o torna apto a ingressar em uma universidade, desde que passe por uma avaliação do algum órgão oficial da área da educação do estado mexicano. “Como o sistema de educação zapatista não é reconhecido pelo estado, muitos alunos das comunidades campesinas acabam estudando também nas escolas oficiais do México”, observou Arturo.

Foto: palestra aconteceu no Auditório C, do Campus São Cristóvão III, para um públicos de alunos e professores

Parceria

Segundo o chefe do Departamento de Sociologia, Luiz Felipe Bon, trazer para o CPII esse tipo de evento é fundamental para que a escola fique conectada aos grandes debates que ocorrem no mundo acadêmico. “Para realizar um debate desse nível foi necessário o envolvimento de outros atores”, ressaltou, destacando a participação da chefe do Departamento, Cláudia Estebam Costa.

Além do Departamento de Sociologia, estiveram envolvidos na organização do evento o Núcleo de Estudos para o Ensino da Sociologia (Nupes) o Laboratório Lincoln Bicalho, do Campus São Cristóvão III, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (Propgpec) e a Reitoria do CPII.

 

 

 

Coordenadoria de Comunicação Social

 

 

Acessos Hoje:8447  Total Acessos:17100983