CPII 180 anos: colégio abre as portas à comunidade externa com projetos para todas as idades

"Programa CPII Aberto à Terceira Idade" e "Vivenciar" são algumas das ações do CPII voltadas para a comunidade externa


Prestes a completar 180 anos, o Colégio Pedro II está entre as instituições de ensino que mais contribuições traz para a sociedade, uma vez que, dos seus bancos, sempre saíram gerações de cidadãos que ajudaram a construir a história desse país, uma tradição que se perpetua nos dias atuais. Integrante da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica desde 2012 (Lei nº 12.677, de 25 de junho de 2012), o CPII passou a ter entre suas finalidades o desenvolvimento de programas de extensão. A partir dessa nova realidade, o colégio passa a atuar ainda mais em prol da comunidade, agora no atendimento de públicos diversos, compreendendo desde alunos de escolas municipais a moradores de várias regiões do Rio, entre estudantes, profissionais liberais, servidores e aposentados.


Criada no final de 2013 com a instituição da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (Propgpec), a Diretoria de Extensão começou suas atividades em 2014. Sua principal linha de ação naquele ano foi a coordenação do Pronatec. No final daquele ano, a diretoria realizou sua primeira ação educativa, uma campanha antitabagismo no Campus Duque de Caxias, tendo à frente a atual diretora Martha Yvonne de Almeida.


Martha já trabalhava na Propgpec, na Diretoria de Pesquisa, onde desenvolvia ações de extensão, como o "Projeto Vivenciar". A diretora gosta de lembrar que esse projeto nasceu de uma demanda feita por uma professora de um curso preparatório de uma das áreas mais carentes do Rio, a Maré. Kelly Marques era professora do projeto Redes da Maré em 2014 e fez uma proposta à Reitoria: levar os alunos do curso para conhecer o Colégio Pedro II, uma forma de incentivar os estudantes a prestarem o concurso daquele ano para acesso de novos alunos.


Os programas e projetos da Diretoria de Extensão atendem crianças de escolas municipais em projetos como o "Hora de Brincar" e pessoas da terceira idade. Nesta foto, os participantes do "CPII Aberto à Terceira Idade" durante visita à Ilha de Paquetá


O Complexo de São Cristóvão, onde funciona a Reitoria, foi escolhido para receber os visitantes que puderam conhecer desde o Complexo Poliesportivo às salas de aula dos Campi II e III, além de laboratórios, bibliotecas, mediatecas e o Espaço Cultural. A experiência deu tão certo que o projeto se transformou em programa. Em 2015, já na Diretoria de Extensão, o Vivenciar atendeu naquele ano 540 alunos, da 5ª e da 9ª série, de 15 instituições de ensino, entre escolas públicas e projetos de organizações não governamentais.  “Enviamos convites para escolas municipais de todo o Rio, do Leme a Mangaratiba, e para cursos preparatórios de ONGs, desde que gratuitos, informando sobre o projeto”, recordou Martha.


Por conta da greve dos servidores de 2016 o programa foi suspenso. Mesmo assim, naquele ano o Complexo de São Cristóvão recebeu a visita de 293 alunos. Neste ano, 367 estudantes de 14 escolas visitaram o colégio durante o primeiro semestre. A expectativa é de que a mesma quantidade de alunos também conheça o CPII até o final de 2017.


“O retorno que temos dos professores que trazem os alunos para visitar o CPII é muito positivo. Eles contam que os estudantes ficam muito mais motivados a fazer o concurso do colégio depois que conhecem de perto o Colégio Pedro II”, conta Andrea Félix Sampaio, integrante da equipe responsável pelo projeto.


Os alunos também deixam seus depoimentos em uma ficha de avaliação. Um dos mais emocionantes, para Martha, foi o do aluno Leonardo da Silva (veja abaixo o depoimento), da Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza. “A visita aconteceu no dia 31 de março, tempos depois da morte de uma aluna da escola por bala perdida. A diretora da escola disse na época que a vinda dos alunos ao CPII ajudou muito na reconstrução do emocional das crianças, abaladas com aquela tragédia”, lembrou.


Vivenciar Sênior



Maura Pires, aluna do curso de "Autonomia Intelectual, uma aprendizagem"; aula inaugural do curso de "Cultura e Mitologia Iorubá" e Luciano Nascimento, professor do curso de "Autonomia Intelectual"


Aproveitando as comemorações dos 180 anos do CPII, a Diretoria de Extensão adaptou a experiência do "Vivenciar" e criou o "Vivenciar Sênior" com a proposta de trazer egressos para fazer uma visita guiada ao Complexo de São Cristóvão. A primeira turma de ex-alunos já passeou pelo antigo colégio em meados de agosto. “Recebemos dez ex-alunos de faixas etárias variadas, alguns se formaram na antiga Seção Norte, na Tijuca, outros estudaram nas décadas seguintes e alguns mais recentemente, a partir de 2000”, ressaltou Martha Ivonne.


Outras oito visitas estão programadas para acontecer até o final de novembro, antes do aniversário do CPII, em 2 de dezembro. “Mas como esse projeto bombou e temos hoje mais de 300 inscritos, nossa intenção é estender o Vivenciar Sênior até 2018”, afirmou Martha Yvonne.


Terceira idade


Ação inédita do Colégio Pedro II, o "Programa CPII aberto à 3ª Idade" foi iniciado em agosto de 2015 com 10 oficinas. De um total de 139 inscritos, 100 começaram as atividades que incluíam línguas estrangeira, informática, artes, tecnologia e saúde.  Naquela época a diretoria também firmou parcerias importantes para o programa, entre elas com as Sociedades Brasileira de Geriatria (SBG) e de Alimentação e Nutrição (SBAN) e com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio.


Oficinas oferecidas para o "Programa CPII Aberto à Terceira Idade" e número de participantes


As oficinas seguem os eixos temáticos previstos na Política Nacional de Extensão dos Institutos Federais, a saber: comunicação, cultura, direitos humanos, educação, saúde, tecnologia e meio ambiente, segundo informou a responsável pelo programa Susana Victor da Costa.


Em 2016 o número de participantes aumentou para 176 inscritos, e as oficinas também passaram a acontecer no Campus Duque de Caxias. Até então eram realizadas apenas no Complexo São Cristóvão. Naquele ano foram oferecidas as oficinas de Informática, Inglês, Espanhol e Artes; em São Cristóvão foram incluídas as de Origami, Reciclagem, Alemão e Coral.


Neste ano, 215 participantes estão inscritos nas oficinas. Em Duque de Caxias acontece apenas a de Inglês. As demais, que inclui ainda Teatro, Dança e Direito do Idoso, ocorrem em São Cristóvão. “Não foi a procura pelas oficinas que diminuiu, mas a falta de proponentes que impossibilitou a oferta de novas oficinas em Duque de Caxias”, explicou Susana, lembrando que os proponentes podem ser professores do CPII e também de fora.


FOTO 1: primeira turma de ex-alunos do "Vivenciar Sênior" durante visita ao CPII  FOTO 2: Participantes do "CPII Aberto à Terceira Idade" participam da oficina "Livro Criativo"


“É importante destacar que essa foi a primeira vez na história do CPII que o colégio trabalhou efetivamente com a terceira idade, uma experiência que nos levou a receber o Prêmio Experiências Exitosas da Reunião dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Reditec), em 2015. E nós  fomos a Fortaleza receber o prêmio”, comemorou a diretora de Extensão.


Cursos


No ano passado a Diretoria de Extensão começou a oferecer cursos de extensão para a comunidade. Os dois primeiros foram “Aprender a aprender” e “Arte e patrimônio”. Outras 11 capacitações aconteceram em 2016, atendendo 746 pessoas. Neste ano foram realizadas duas chamadas para novos cursos: dez para o primeiro semestre e nove para o segundo.


Confira os cursos oferecidos pela Diretoria de Extensão no período 2016/2017


Somam-se a essas capacitações outras dez, consideradas de fluxo contínuo, totalizando 30 cursos que contam em média com 30 participantes. Professores do CPII e de fora são os facilitadores. A carga horária também varia, com aulas presenciais e à distância. Esses cursos seguem os eixos do Plano nacional da Extensão e contam com uma temática variada.


Um dos cursos com maior procura, o de " Cultura e Mitologia Iorubá" chegou a ter mais de mil inscrições nas duas edições que foi oferecido. Outro curso muito procurado foi o da “História do Samba no Rio de Janeiro”, com 600 inscritos. Em média, o número de inscrições chega a 100 por curso, informou Marcelo Freitas, responsável pelas capacitações na Diretoria de Extensão.



FOTO (parte de cima):  equipe da Diretoria de Extensão (esquerda para a direita):Tayná Salvina (Estagiária); Martha Yvonne de Almeida (Diretora de Extensão);Fernanda Britto da Costa (Assistente em Administração); Andréa Félix de Andrade Sampaio (Assistente em Administração; Victória Vidal Lima (Bolsista de Extensão) e Susana Victor da Costa (Assistente em Administração)   FOTO 2: Martha Yvonne e o assistente de administração Marcelo Freitas

 

A grande procura por esses dois cursos, na avaliação de Marcelo, deve-se a uma lacuna que existe nas universidades no oferecimento de cursos com essa temática.  Outra capacitação que teve bastante procura foi a de “Prática em Educação Infantil”, que é ofertada no Campus Realengo II, no período noturno. "Teríamos ainda mais inscritos se as prefeituras liberasse seus professores para se qualificarem", enfatizou.


De acordo com Marcelo, a Diretoria de Extensão pode oferecer cursos de temáticas variadas, desde que atendam aos eixos do Plano Nacional da Extensão. “ E também que surjam novos proponentes para os cursos”, observou.

 
Dissertação


Em 2016, um total de 3.853 pessoas participou de uma ou mais atividades da Diretoria de Extensão. No primeiro semestre deste ano, foram registrados 2.207 participantes. Essa atuação da Diretoria de Extensão já rendeu uma dissertação de mestrado, defendida pela servidora Sayonara Brito, uma das alunas do Mestrado Profissional em Qualidade Total do Colégio Pedro II, curso de qualificação ofertado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), uma parceria entre o CPII e a Universidade Federal Fluminense.


Com o tema “Avaliação dos projetos de extensão do Colégio Pedro 2: indicadores de desempenho sociais e institucionais”, Sayonara concluiu que a instituição tem procurado estabelecer ações de colaboração, intercâmbio de experiências e contextualização da aprendizagem a partir das questões sociais, educacionais e culturais locais. Atualmente, segundo a pesquisadora, as atividades permanentes de extensão estão organizadas em torno de quatro focos de atuação: inclusão digital, educação, inclusão social e cultural.


“Considerando os relatos e depoimentos dos envolvidos, pude constatar um impacto positivo das atividades de extensão junto aos segmentos sociais envolvidos. Institucionalmente, verificou-se que os projetos de extensão impactam o Colégio Pedro II de forma positiva, o que foi verificado por meio das ações que comprovaram o seu reconhecimento externo junto à comunidade, tais como o Projeto Vivenciar, Projeto Alfabetizando Jovens e Adultos, Combate ao Aedes aegypti, dentre outros, e parceiros importantes, tais como a Rede PEA-UNESCO, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Associação de Nutrição do Estado do Rio de Janeiro, as secretarias de educação, escolas públicas municipais, dentre outras”, destacou Sayonara.


No dia 28 de setembro Sayonara vai apresentar a sua pesquisa durante o Congresso Nacional de Excelência em Gestão, que acontece em São Paulo. Ela vai levar para o congresso o artigo "Proposta de indicadores para avaliar projetos de extensão em instituições públicas de ensino."


Outros projetos da Diretoria de Extensão



FOTO: Curso de Alimentação saudável -  Alunos da escola municipal Orsina da Fonseca fizeram brigadeiro de abacate


Alimentação Saudável – desenvolvido em 2016 em parceria com a Associação de Nutrição do Estado do Rio (Anerj) e o curso de Nutrição da UFRJ. A equipe visitou escolas municipais localizadas na Tijuca, Lagoa, Barreira do Vasco e São Cristóvão, atendendo um total de 386 crianças com informações sobre alimentação saudável.


Conexão Matemática – desenvolvido em 2016 e 2017 em parceria com o Departamento de Matemática do CPII, leva reforço escolar para alunos de escolas municipais de Niterói e Duque de Caxias. Cerca de 120 alunos foram atendidos nos dois anos. As aulas aconteceram nos Campi Niterói e Duque de Caxias.


Projeto Dialogando – ciclo de palestra realizado em 2016 no Complexo São Cristóvão e nos Campi Tijuca II e Realengo II. Foram abordados nesses encontros temas como família e escola, bullying e ciberbullying, ambientes virtuais e aprendizagem, entre outros. Foi registrado um total de 360 participantes nas palestras.


Hora de Brincar –  com a proposta de resgatar as brincadeiras infantis, o projeto foi desenvolvido em escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental do município em 2016. Cerca de 120 crianças de 12 escolas participaram do projeto.



FOTO 2: Equipe da Diretoria de Extensão do CPII leva informações sobre o Aedes aegypti às crianças de escola municipal de São Cristóvão


CPII contra o aedes – durante a campanha nacional contra o mosquito transmissor da dengue, realizada em 2016, a Diretoria de Extensão esteve à frente das ações e atividades que envolveram um trabalho de prevenção e combate ao mosquito no CPII. Além da realização de um seminário no Teatro Mário Lago para toda a comunidade escolar, foi feito um trabalho  de sensibilização dos servidores dos campi e Reitoria. Também foram realizadas palestras em escolas municipais. A Fiocruz foi a parceria desse projeto.


Programa de bolsas de apoio  a equipes esportivas, Conexão Matemática, bolsistas de extensão e do Espaço Cultural -   de 2015 a 2017 cerca de 370 alunos do CPII foram bolsistas da Diretoria de Extensão


Depoimentos dos participantes do projetos e programas de extensão



FOTO: Lolita Merker e participantes do "Programa CPII Aberto à Terceira Idade" durante visita exposição de arte naif em cartaz no Espaço Cultural do CPII


“Participo das oficinas de Dança de Salão, Origami e Sabores da Memória. Estou aposentada como pedagoga e gosto muito do universo das artes e sou muito interessada em atividades lúdicas e em conhecer pessoas. Fiquei sabendo das oficinas por amigos e estou adorando participar de todas elas.” Lolita Merker, moradora de São Cristóvão e integrante do "CPII Aberto à Terceira Idade"


“Quando vi o curso de Autonomia Intelectual na internet fiquei muito interessada. Minha filha estuda no CPII e foi muito bom participar desse curso no colégio dela. O curso aumentou minha percepção do mundo e meus posicionamentos também. Estou mais segura agora nas discussões. Estou lendo Nietzsche e isso mexe demais comigo.” Maura Santana Pires, costureira e aluna de Pedagogia da Estácio. Atualmente também faz o curso de Auxiliar de Biblioteca oferecido pela Diretoria de Extensão.


"Estou emocionado, o colégio está maravilhoso! Passei cinco anos aqui como interno e foi a melhor época da minha vida. Tenho muito amor pelo CPII que virou minha família e minha casa. Estudar no Colégio Pedro II foi a melhor escolha que minha mãe fez para mim.” Hamilton de Oliveira Guimarães foi aluno do CPII Internato de 1959 a 1964


Depoimento dos alunos participantes do Programa Vivenciar


“Eu amei! O colégio é realmente incrível, é um colégio de outro nível, e espero que no ensino médio eu esteja aqui.”  Letícia Soares, da Escola Municipal Frederico Trotta


“Eu amei. Foi uma ação que vai me fazer focar mais, já que não sou focado. Não tem como descrever o dia de hoje, essa escola é um sonho para mim e eu vou fazer de tudo para entrar.”  Leonardo da Silva, Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza


“Eu adorei a visita. Pretendo fazer prova para essa escola! Adorei muita coisa, principalmente, as aulas de música e polo aquático e a biblioteca da escola.” Pollyana de Souza Araujo, da Escola Municipal Victor Hugo.

 

 

Veja na galeria mais informações sobre os projetos e programas de extensão do CPII

 

 

CPII 180 anos: trajetória que se confunde com a história do ensino no Brasil

 

 

Assessoria de Comunicação Social

 

 

 

 

 

 

 

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