CPII 180 anos: comunidade tem participação inédita em nova política pedagógica e institucional

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No ano em que completa 180 anos de existência, o Colégio Pedro II vai ganhar um novo Projeto Político Pedagógico Institucional (PPPI). Iniciado no final de 2014, o documento que tem por objetivo nortear as políticas educacionais e ações pedagógicas do CPII está previsto para ser entregue à comunidade escolar por ocasião do aniversário do colégio, em 2 de dezembro.

 

A pró-reitora de Ensino, Eliana Myra, explica que houve a necessidade de se construir um novo PPPI porque o documento em vigor está desatualizado. O Projeto Político Pedagógico, ou PPP, foi publicado em 2002, em uma época em que não existiam ainda os Campi Realengo I e II, o Centro de Referência em Educação Infantil (Creir) e os colégios implantados nos municípios de Niterói e Duque de Caxias.

 

Na época funcionavam em cada campus, que eram ainda unidades educacionais, uma Seção Técnica de Ensino e Aprendizagem (STEA) e um Setor de Orientação Educacional (SOE), que foram fundidos e se transformaram no Setor de Supervisão e Orientação Pedagógica (Sesop).  Nesse período, o Departamento de Línguas Neolatinas foi desmembrado, surgindo os Departamentos de Espanhol e de Francês, e foi criado o de Educação Infantil.

 

A mudança mais importante, todavia, ocorreria dez anos depois, com a equiparação do colégio aos institutos federais – o Colégio Pedro II passou a fazer parte da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica com a promulgação da Lei nº 12.677, de 25 de junho de 2012.  Entre outras finalidades, o CPII passaria a desenvolver programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica; realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico, de acordo com o previsto na Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que criou os institutos federais.

 

 “Nosso colégio mudou muito nesses 12 anos e estava na hora de construir um novo PPPI”, ressaltou Eliana Myra, lembrando que a elaboração das propostas pedagógicas por parte dos estabelecimentos de ensino está prevista na Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

 

Nesse meio tempo, também foram iniciados os trabalhos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “fruto de amplo processo de debate e negociação com diferentes atores do campo educacional e com a sociedade brasileira”, segundo informações publicadas na página da BNCC. Os docentes do CPII participaram desse processo, sendo a BNCC tema de diversos debates realizados pela Proen, Propgpec e departamentos pedagógicos ao longo do ano de 2016 e também neste ano.

 

Chefe da Seção de Projetos Educacionais e coordenadora do PPPI, Mônica Pinto destaca o caráter democrático da elaboração do documento. “A participação da comunidade escolar foi intensa, desde a escolha dos membros que iriam compor as Câmaras Setoriais à realização das audiências públicas, que tiveram como finalidade receber contribuições de todos para a minuta do documento, construída coletivamente por muitos grupos de trabalho formados dentro das Câmaras Setoriais”, ressaltou.

 

Câmaras Setoriais

O início do processo de elaboração do PPPI aconteceu em agosto de 2014, seguido das eleições dos representantes das Câmaras Setoriais que atuariam na construção do documento. Os integrantes foram reunidos em grupos: Educação Infantil e Ensino Fundamental (Câmara A); Ensino Médio (Câmara B); e Pós-Graduação (Câmara C).  Cada Câmara Setorial contou em média com 20 membros, representantes dos segmentos que compõem a comunidade escolar: docentes, técnico-administrativos, estudantes e responsáveis de alunos.

 

FOTO: em Duque de Caxias, alunos participaram em peso da audiência pública

 

Mas apenas em maio de 2015 as câmaras passaram de fato a se reunir, a princípio separadamente, para começar a construção do PPPI. Em 2016, as câmaras iniciaram as reuniões conjuntas que culminaram na elaboração da minuta prévia do PPPI, apresentada à comunidade escolar em agosto deste ano em oito audiências públicas, começando pelo Complexo de São Cristóvão e finalizando no Campus Tijuca II.

 

“A participação nas audiências foi muita diversificada, com os auditórios de alguns campi lotados de estudantes, como em Duque de Caxias. Mas em todas elas houve uma intensa participação da comunidade escolar, com muitas contribuições por parte dos participantes”, relatou Monica, lembrando que a minuta prévia do PPPI havia sido disponibilizada com antecedência no site do CPII.

 

Além dos elogios ao documento produzido, os participantes fizeram muitas contribuições, como era de se esperar. Entre os temas mais debatidos destacam-se a avaliação da aprendizagem, a organização curricular (funcionamento da escola), disciplinas e suas interdisciplinaridades, educação integral e transição do 5º para o 6º ano do Ensino Fundamental. “Essas contribuições estão sendo agora analisadas pelas Câmaras Setoriais para posterior incorporação ao texto final”, explicou Monica.

 

 Próximos passos

As Câmaras Setoriais vão fechar o documento até o final de outubro, quando será submetido à Comissão do PPPI, formada por representantes das Pró-Reitorias de Ensino (Proen), Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (Propgpec) e de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Prodi). No início de novembro será a vez da comunidade escolar apreciar de novo o documento, dessa vez em uma única audiência pública no Teatro Mário Lago.  Em seguida, o PPPI será submetido aos Conselhos Superior do Colégio Pedro II (Consup) e de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe), última etapa antes da entrega oficial à comunidade escolar.

 

Dois grupos de trabalhos criados para a elaboração do PPPI vão continuar em atividade, segundo Monica, uma vez que os assuntos neles abordados não se esgotaram. O GT de Avaliação de Aprendizagem e o de Organização Curricular são assuntos que implicam mudanças estruturais e complexas nos campi e que envolvem a comunidade escolar como um todo. “Precisamos de mais tempo de escuta para as demandas que envolvem essas temáticas, que vão exigir a elaboração de proposta que devem ser discutidas e aprovadas pelos nossos órgãos colegiados”, enfatizou Monica, informando que os dois grupos permanentes ficarão subordinados à Proen.

 

O que esperar do novo PPPI

A pró-reitora Eliana Myra destaca como uma característica importante do novo PPPI o fato de ele ser um documento que reúne de forma clara as diretrizes e estratégias voltadas para as demandas da comunidade escolar. “É um documento mais acessível para todos, principalmente em termos de organização e estrutura”, observou.

 

No novo PPPI, o leitor vai encontrar as descrições da política, programas, projetos e rotinas acerca das atividades docentes, discentes e administrativas do CPII. Os componentes curriculares elaborados pelos departamentos e demais setores pedagógicos também estarão ali descritos.  “Todo esse trabalho está voltado para concretizarmos a missão do CPII, que é a promoção da ‘educação de excelência, pública, gratuita e laica, por meio da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, formando pessoas capazes de intervir de forma responsável na sociedade’”, ressaltou Eliana.

 

Na avaliação de Monica, a comunidade escolar deixou claro nas audiências públicas que quer a continuidade do CPII enquanto escola pública de qualidade, democrática, plural e que atende milhares de alunos, da educação infantil à pós-graduação, com todas as suas diversidades.  “O PPPI caminha nesse sentido, de manter o CPII como uma escola pública que atua na Educação Básica, na educação de jovens e adultos e na pós-graduação”, observou.

 

Eliana Myra lembrou que o CPII é a única escola pública do Brasil com esse perfil e que atua ainda na área da pesquisa e da extensão. “Esse é o nosso diferencial”, completou.

 


As coordenadoras das câmaras setoriais Maria de Lourdes Jeanrenaud, Leda Aló, a pró-reitora Eliana Myra, Lygia Vuyk e a coordenadora do PPPI, Monica Pinto

 

Depoimentos das coordenadoras das Câmaras Setoriais

À frente da Câmara Setorial que reuniu representantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, a diretora de Ensino Fundamental (anos iniciais) e Educação Infantil da Pró-Reitoria de Ensino (Proen), Leda Aló ressaltou que as reuniões foram marcadas por muitas discussões e pela busca da elaboração de um texto que refletisse os anseios dos profissionais que atuam no colégio. “Nossa preocupação era construir um documento que fosse marcado pela necessidade de desenvolvermos um trabalho que acompanhe o constante processo de evolução da sociedade”, enfatizou.

 

“O melhor ganho que obtive coordenando a Câmara Setorial de Ensino Médio foi a possibilidade de escutar o pessoal que atua nos campi. Eles trouxeram questões que muitas vezes não chegam até você enquanto gestora que trabalha na pró-reitoria”, observou Maria de Lourdes Jeanrenaud, diretora de Ensino Fundamental (anos finais) e do Ensino Médio da Proen. 

 

Foi uma experiência única coordenar a Câmara Setorial de Pós-Graduação, na opinião de Lygia Vuyk, responsável pela Seção de Ensino Técnico da Proen. “Simplesmente não tínhamos nada sobre pós-graduação no PPP para nos orientar acerca do novo texto. Partimos do zero para construir o texto que vai fazer parte do novo PPPI acerca desse segmento que já está deixando sua marca na história do CPII”, comemorou.

 



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Assessoria de Comunicação Social

 

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