Valor da língua ensinada nas escolas é tema de conferência de abertura do II ReFLEtindo


Primeiro dia do ReFLEtindo reuniu professores, pesquisadores e estudantes de línguas no auditório C do Campus São Cristóvão


Aconteceu na manhã desta quinta-feira, 10/9, no auditório C do Campus São Cristóvão III, a segunda edição do ReFLEtindo. O tema do encontro deste ano é “O Francês como Língua Estrangeira Escolar: Sua trajetória, seu espaço, seus desafios”.


A programação do evento, que prossegue até sexta-feira, 11/9, inclui debates, conferências e mesas-redondas. O ReFLEtindo é organizado pelos professores de Francês do CPII Felipe Dezerto, Patrícia Corrêa e Cláudia Almeida, do Núcleo de Estudos Franco-Brasileiros (NEFB)/ Departamento de Francês.


Confira a programação



FOTO: Diva Rocha, Eduardo Dezerto e Fernanda Brack, diretor-geral do Campus São Cristóvão III

 

A chefe do Departamento de Francês do CPII, Diva Rocha, destacou a importância do evento, pensando para ser um espaço de troca de acadêmicas que contribuam para o fomento de projetos de pesquisa e extensão no CPII. “Acredito que, como no ano anterior, teremos um encontro muito produtivo e que reflexões profundas vão brotar nesses dois do ReFLEtindo”, enfatizou.


Segundo Dezerto, o objetivo do evento é trazer para o âmbito escolar as discussões sobre o ensino da língua estrangeira na escola, com enfoque no Francês. “Essa é uma oportunidade para colocar em discussão as questões relacionadas ao ensino dessa língua no Brasil, refletir sobre o lugar do professor de Francês na educação, qual língua ensinamos, os desafios que se apresentam nas salas de aulas, além de repensar nossas ações”, ressaltou.


Outro objetivo do evento, de acordo com Patrícia, é estabelecer vínculos com as universidades. Neste ano, ressaltou, estarão presentes professores e pesquisadores das Universidades do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Federal Fluminense (UFF) e Federal da Paraíba (UFPB), além dos professores do CPII.  


O público-alvo são professores e pesquisadores de língua estrangeira, principalmente o francês, e licenciandos dos cursos de letras. “Abrimos espaço para professores de outras disciplinas, como Inglês, Alemão e Espanhol, porque existem questões em comum no ensino de uma língua estrangeria e queremos trocar experiências com esses profissionais”, observou Cláudia.


Conferência


FOTO:Eduardo Dezerto e Bethânia Mariani


A conferência de abertura do ReFLEtindo foi com a professora do da UFF Bethânia Sampaio Mariani, que falou sobre “O político, o institucional e o pedagógico: quanto vale a língua que ensinamos?”.


A professora abordou a questão da ancestralidade da língua, no caso a portuguesa, que data do Século X. Segundo Bethânia, havia em Portugal naquela época uma tensão entre a língua materna, o latim e o espanhol, a ponto de o rei instituir uma lei proibindo o uso de outra língua em textos escritos que não fosse o português. “É importante pensarmos no aspecto histórico da língua e perceber como ela foi imposta às pessoas”, salientou.


A palestrante falou também do papel da língua nacional, que ela chama de oficial, em colocar em comum, ou seja, em acordo, os cidadãos de um mesmo estado nacional.  Mas ressaltou, no entanto, a falta de identificação de muitos brasileiros com a língua nacional.


Isso acontece, segundo Bethânia, devido a uma relação vacilante entre o sujeito, a língua nacional e a língua materna. “Estou me referindo aqui às pessoas que não falam corretamente o português e isso ocorre com muita gente, não só iletrados, mas também profissionais como médicos e advogados”, ressaltou.


A professora questionou se não caberia à escola reconhecer a heterogeneidade da língua, além de ensinar as normas. “O ensino da língua, nacional ou estrangeira, deve levar em conta a sua diversidade e, no caso das línguas estrangeiras, deve-se adotar uma postura descolonizadora no ensino do idioma”, enfatizou.

 

 

 

Coordenadoria de Comunicação Social

 

 

Acessos Hoje:100  Total Acessos:21081849