Pais do CPII relatam experiências com a paternidade ativa

 

A presença da figura paterna no desenvolvimento dos filhos é de uma importância inquestionável. Mas qual o papel do pai na vida dos filhos? Se até pouco tempo atrás, a sociedade concebia que o dever do pai na criação dos filhos poderia ou devia se limitar à imposição de regras e ao sustento financeiro da família, hoje essa visão é cada vez mais questionada, dando lugar a discussões sobre o exercício ativo da paternidade.

 

Estimular vínculos de carinho, estar comprometido com o desenvolvimento emocional e cognitivo dos filhos, dividir as tarefas que envolvem o cuidado com os filhos e com a casa, são exemplos de ações cotidianas de uma paternidade responsável. E os benefícios deste cuidado e envolvimento são incalculáveis. Pais comprometidos contribuem positivamente para a autoestima, o desempenho cognitivo e social dos filhos, além de servirem como exemplos. Mais do que isso, pais dedicados contribuem para formar indivíduos mais conscientes sobre relações igualitárias e respeitosas entre homens e mulheres.

 

No Dia dos Pais, compartilhamos algumas histórias de pais, que integram a comunidade escolar do Colégio Pedro II e que, nos mais variados formatos de estrutura familiar, dão exemplos de dedicação na criação de seus filhos:

 

Julio Nascimento

“Penso que a criação de um filho é a mais importante tarefa que uma pessoa pode ter. A divisão de responsabilidades deve ser feita conforme a dinâmica do casal, de forma que seja assegurada à criança o seu bem-estar. Não acredito na divisão rígida de tarefas onde cabe somente à mãe determinadas coisas e outras ao pai. Acredito que os pais, na medida do possível, estão cada vez mais conscientes e participativos”, comenta Julio Nascimento, servidor assistente em administração do Campus Centro.

 

Pai do Lucas, aluno do Campus Tijuca II, Julio se envolve ativamente nas atividades do filho, desde a ida e o retorno da escola, as aulas de capoeira e de inglês e também estimula sua paixão pela ciência. “Lucas é uma criança maravilhosa, muito educado e inteligente. Ele sonha em ser paleontólogo. O museu da Quinta da Boa vista é como uma casa para ele, pois lá, além dos fósseis em exposição, temos contato direto com o Marílio, um atencioso palioartista que adora conversar com ele”, conta.

 

Para Julio, o maior desafio é manter o filho em um bom caminho. “Temos muito cuidado em sempre conversar com ele sobre tudo, explicando o que é correto e o que não é, adaptando a linguagem a sua faixa etária”, afirma. 

 

Saulo Amorim

Os desafios da paternidade surgiram a poucos meses na vida do servidor assistente em administração, Saulo Amorim. No entanto, o desejo de ser pai o acompanhava desde quando ainda era aluno do Campus São Cristóvão III. “Naquela época, o desejo de ser pai aflorou com tal intensidade que era assunto recorrente nas conversas com os amigos. Ser pai era uma certeza que o tempo constituiria”, afirma. Há sete anos, ele e seu marido decidiram que a paternidade viria através da adoção. “Descartamos a barriga solidária, pois percebemos que seria uma grande besteira limitar a paternidade aos vínculos biológicos. Havíamos alcançado a compreensão de que os laços de afeto são construídos pelo pertencimento e não pelo código genético”.

 

Com a chegado de Teodoro, a rotina do casal mudou por completo. “Assumi todos os cuidados diários do bebê. À noite, meu marido assume as funções comigo, ao chegar do trabalho. Aqui em casa o modelo binário não vigora e não há papel exclusivo de um e de outro. Ambos somos pais e assumimos essa responsabilidade na íntegra”, relata. Para se dedicar aos cuidados do filho, Saulo foi o primeiro servidor do CPII a requerer a Licença Adotante com período estendido (180 dias), conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que prevê o mesmo período de licença independentemente da origem do filho (biológica ou adotiva).

 

Nas redes sociais, Saulo compartilha sua experiência sobre a paternidade. “O blog que criei, Diário de Pai, foi o meio que encontrei de compartilhar minha experiência e manter a proximidade com o mundo para além das fraldas e das mamadeiras. Já no primeiro mês, alcançamos 500 seguidores e milhares de visualizações semanais. As interações foram além das questões pessoais, demonstrando o quanto é gostoso refletir sobre o papel e a experiência da paternidade”, conta.

 

Pedro Lezan

Ser pai da Luiza, aluna do Campus Humaitá II, e da Maria foi uma grande mudança na vida de Pedro Lezan. “Posso dizer que amadureci muito junto com o crescimento da Luiza e da Maria, em cada uma de suas fases. Eu precisava entender e aprender como ensinar aquelas crianças e passar minha experiência para elas. Aprendo até hoje com cada momento que vivemos juntos, somos grandes amigos!”, afirma.

 

Separado da mãe de suas filhas desde 2013, Pedro casou-se novamente. A criação das filhas é feita por meio de guarda compartilhada e alternada. “Na separação, minha única exigência foi ficar metade do tempo com as minhas filhas, acho muito importante que os pais estejam presentes e atuem diretamente na educação das crianças. Todas as crianças precisam de uma figura paterna para lhes passar suas visões e entendimentos da vida”, explica.

 

Com responsabilidades dividas, Pedro, que é analista de sistemas e um dos pais/responsáveis de aluno que integram o Conselho Superior do CPII, faz questão de dar bons exemplos de estudo, aprendizado, trabalho e atitudes do dia a dia para suas filhas.  “Esse padrão que uso na minha vida, vale muito para formar um referencial masculino íntegro e correto para que elas tenham como exemplo e levem isso para seus futuros relacionamentos”, afirma, reforçando a necessidade de harmonia e respeito entre pais divorciados. “A divisão de responsabilidades, o respeito entre os pais e o respeito mútuo às suas responsabilidades é importante no desenvolvimento das crianças. Todos os pais com os quais converso sobre esse assunto estão conscientes e interessados na participação e no respeito de seu espaço e responsabilidade. Infelizmente, apesar dos tempos atuais que vivemos, a justiça de família brasileira é antiquada e maternalista (tendendo sempre para as mães), não respeitando os direitos dos pais nas decisões”, pontua.

 

Alfredo Sotto

O professor de Física do CPII, Alfredo Sotto, conta que sempre quis ter filhos. Ao lado da esposa, Ana Luiza, ele divide a rotina entre escola, estudos em casa, atividades físicas e cursos de línguas dos filhos Vinícius, de 14 anos, e Lara, de 11, ambos alunos do CPII. “Tentamos dividir todas as tarefas de casa e de educação. Ambos ajudamos os dois quando precisam. Fico com algumas disciplinas e ela com outras. Como professor de física, acho demais quando eles contam algo de ciência que fizeram no colégio ou quando entendem algo que explico”, comenta.

 

Para Alfredo, sua maior preocupação como pai é em relação à segurança dos filhos e a transmissão de valores relacionados ao respeito e à tolerência.  “Acredito que os responsáveis pela criação dos filhos, de qualquer tipo de família, devem dividir as tarefas. Não há mais espaço para práticas antigas de educação. É preciso que os pais acompanhem o mundo e percebam que o ser humano tem o direito de ser feliz. E deve ser criado para ser feliz. Cada responsável deve contribuir educando a criança para que ela se torne um adulto capaz de conviver com todos. Acredito que muitos pais já entendem essa necessidade de atuar juntos na criação. Contudo, na nossa sociedade ainda há muita coisa para melhorar. Muitas barreiras a serem quebradas para que nossas crianças sejam adultos melhores do que nós”, defende.

 

Flavio Balod

Ao casar com sua esposa, Cintia, o professor de Filosofia, Flavio Balod, ganhou de presente dois filhos: Leonardo e Gabriela, na época com 3 e 6 anos, respectivamente. Os dois cresceram e hoje estão na faculdade, mas durante esse período, Flavio acompanhou todo o processo de desenvolvimento da infância até o início da fase adulta. Com a esposa, ele dividiu as responsabilidades relacionadas à escola, às atividades físicas e aos “dramas” e questões típicos do crescimento dos filhos.

 

“Sempre fiz questão de manter claro no nosso ambiente familiar que eu sou o padrasto, não sou o pai, pois, embora distante – o pai deles mora em outro país-, eles têm uma relação afetiva forte com o ex-marido da Cintia. Nunca tentei ocupar um lugar que já tem dono, digamos assim. Mas isso não significa que lhes tenha negado o amor e a preocupação, o cuidado que o pai teria se o casamento se tivesse mantido. Errei minha cota de erros (que pais biológicos também erram), mas acho que meu saldo é positivo. ‘Viver é desenhar sem borracha’, disse uma vez Millôr Fernandes, e a relação que tenho com eles hoje mostra que os acertos que tive pesaram e pesam mais, creio”, afirma.

 

Com o passar dos anos, e ao acompanhar os dois começarem a trilhar seus próprios caminhos como adultos, Flavio percebe que ainda há trabalho pela frente – se é que é possível dizer que um dia ele estará concluído! “Gabi está cursando Pedagogia e Leonardo está no curso de Serviço Social. Moram conosco, brigam conosco e riem muito conosco – frequentemente, de nós! De vez em quando também levam suas broncas, porque o processo de educar não acabou. Nem o de educarmos a eles, nem o de eles ensinarem a nós”, conclui.

 

 

 

Assessoria de Comunicação Social

 

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