Acontece na rede: Rede Federal combate homofobia e todo preconceito

 

 

 

Hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional Contra a Homofobia, assunto que, em pleno século XXI, ainda é delicado e desperta o preconceito de quem não compreende a individualidade do próximo. No ensino público brasileiro, as instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica combatem permanentemente qualquer tipo de discriminação, sendo o Colégio Pedro II (CPII) uma das referências nacionais na batalha contra a intolerância. Nesse cenário, uma servidora e um estudante da instituição carioca mostram como percebem a sociedade e o que já enfrentaram por causa da rejeição ao vínculo afetivo entre pessoas do mesmo sexo.

 

Foi na adolescência, ao se perceber mais consciente, que a professora Carolina Mary Medeiros, 41 anos, observou o desinteresse por meninos e passou a lidar com as mais diversas reações, em grande parte ofensivas. “Ouso dizer que não há, no Brasil, homossexual que nunca vivenciou ao menos uma situação homofóbica. Já vivi várias que vão de olhares de reprovação à homofobia mais agressiva”, conta.

 

Mestre em Ciências Sociais e atual diretora-geral do campus Engenho Novo II, hoje ela milita contra o preconceito e, no CPII, encontra apoio para disseminar o respeito incondicional. “O colégio tem sido pioneiro em buscar internamente o respeito a sua comunidade LGBT. Há ainda muito a caminhar, mas o apoio institucional é fundamental para nossos alunos e servidores”, reconhece.

 

Ao lado da esposa e da filha, Carolina comemora o fato de ter sua família respeitada, embora o percurso para essa conquista tenha sido difícil, inclusive na relação com os parentes. “É muito triste quando nossos alunos são rejeitados por quem mais amam e necessitam. Muitos são expulsos de casa por seus familiares que não aceitam a orientação de seu filho. Para muitos, a escola tem sido um local de acolhimento”, afirma, deixando ainda uma reflexão: “o amplo debate na sociedade é importante, mas a criminalização da violência homofóbica é fundamental”.

 

Demonstrando segurança em cada palavra, Rodrigo Verol Rocha, 17 anos, modelo e estudante do terceiro ano do Ensino Médio no Colégio Pedro II, conta que chegou a viver uma negação pessoal até compreender que não se sentir atraído por meninas faz parte da sua essência, embora nem sempre os outros o vejam com naturalidade. “É mais difícil perceber essa aceitação em pessoas mais conservadoras e/ou com mais idade. Porém eu acho que a gente não tem que ‘entrar’ na mente dessas pessoas, por serem de uma geração mais antiga, elas não vão mudar o pensamento agora”, acredita.

 

Mesmo com a pouca idade, Rodrigo já viveu experiências homofóbicas. Uma delas foi durante um evento no CPII, o movimento “saiato”, quando compartilharam uma foto sua vestindo saia. “Pessoas de um partido político de direita usaram como uma forma de afronte. A foto rodou a internet e eu cheguei a receber ameaças de morte e tive que me isolar por umas semanas”, recorda. Por outro lado, encontrou total apoio em casa. “Minha mãe trabalha na área de educação e sempre conversou com a gente sobre isso. Sempre fui muito aberto com ela sobre tudo e isso nunca foi um tabu”.

 

Assim como no ambiente familiar, o estudante afirma que convive com a aceitação no CPII. “Sempre me senti muito confortável no colégio, por haver diversos programas, eventos etc. que promovem o respeito, e não a homossexualidade em si. Todos no campus têm uma ideia bem construída de que todos, não importa a sexualidade, são seres humanos e merecem respeito acima de tudo”, reforça.  

 

Para Rodrigo, “toda forma de repulsão a algo, no fundo, é um tipo de interesse. Pode ser um tipo de inveja da pessoa, ao ver que alguém é feliz da maneira que ela é e não precisa se esconder por isso”, afirma. Aos que estão aprisionados em si, o estudante aconselha: “aceite-se, respeite os outros e se respeite. Se dê o direito de ser feliz sendo você. E a quem tem receio, converse sobre isso com uma pessoa de confiança para não enfrentar isso sozinho. No final, vai dar tudo certo”.

 

Gestão – Sobre as ações de combate ao preconceito, o reitor do Colégio Pedro II, Oscar Halac, destaca que a instituição não apenas defende, mas, principalmente, vive a inclusão. “A orientação sexual não interfere em nada. Muitas dessas pessoas não se sentem incluídas e evadem da escola. Então, à medida em que elas se retiram da sala de aula, ficam sem escolaridade e colocação no mercado de trabalho. Além disso, a aceitação do gênero é uma questão de humanização e também de inclusão social, até porque a escola pública é de todos e para todos, independentemente de qualquer coisa”, finaliza.

 

Calendário – O Dia Internacional Contra a Homofobia entrou para o calendário brasileiro em 2010. A data marca o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), em 17 de maio de 1990. Em todo o mundo, são realizadas ações de promoção da igualdade de direitos dos homossexuais e da comunidade LGBT.

 

 

 

Fonte: Conif

 

 

 

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