Dia da Consciência Negra: Colégio Pedro II promove e valoriza a cultura africana

  

Nesta quarta-feira, dia 20 de novembro, celebra-se o Dia da Consciência Negra. O marco, instituído pela Lei Federal 12.519/2011, faz referência ao dia da morte de Zumbi, líder negro do Quilombo dos Palmares, que lutou contra a escravidão e morreu em 1695 enquanto defendia os direitos de seu povo.

 

Além de promover o combate ao racismo, à discriminação e à exclusão da população negra, a data tem o objetivo de estimular a conscientização e a reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana na formação social, cultural e histórica do Brasil.

 

O Colégio Pedro II já difunde, por meio de seu conteúdo curricular, os diversos saberes e culturas negras que compõem a identidade cultural brasileira. A instituição também realiza, em seus campi, inúmeros projetos, eventos e atividades que ajudam a valorizar a cultura africana e promovem a representatividade negra no ambiente escolar. Essas iniciativas vão ao encontro das leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008,  que, respectivamente, tornaram obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana (e indígena) em todas as escolas do país e regulamentaram suas diretrizes programáticas.

 

VÍDEO: O que o dia da Consciência Negra significa para você?

 

Para a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígena (Neabi) do Colégio Pedro II, Sílvia Barros, a valorização da cultura africana e sua promoção nas escolas é um compromisso coletivo que ajuda a construir senso de identidade e proporciona o encontro dos estudantes com sua própria história e origem:

 

-  O principal benefício dessas iniciativas é que elas permitem o contato com a matriz africana, que originou tantos conhecimentos necessários para o desenvolvimento da humanidade. Além disso, proporcionam o acesso a uma cultura muito rica que se fortaleceu ainda mais no Brasil a partir da resistência e da luta dos africanos e seus descendentes, que é desvalorizada. Para os estudantes negros, em especial, esses projetos ainda ajudam a promover uma nova narrativa escolar, em que nos sentimos valorizados a partir de nossas origens e ancestralidade e encontramos referências de intelectualidade, arte e ciência com as quais nos identificamos - concluiu Sílvia.

 

Dentre os diversificados trabalhos desenvolvidos nos campi do Colégio Pedro II sobre este tema tão importante quanto necessário, estão incluídas as seguintes iniciativas:

 

 

Curso de extensão "Introdução à Cultura e Mitologia Nagô-Yorubá", da Diretoria de Extensão do CPII:

 

 

Realizado pela primeira vez em 2015, o curso é um dos mais procurados do Colégio Pedro II, com direito a lista de espera a cada período de inscrições. Só em 2017, teve mais de mil candidatos inscritos. Ministrado pelo professor Arthur Baptista, do Campus Centro, o curso é voltado também ao público externo e tornou-se referência na capacitação de professores da rede pública de ensino, especialmente da rede municipal:

 

- É um curso pioneiro, que ajuda os professores a transmitir essa rica mitologia que, ao contrário da grega, romana e até celta, não era considerada cultura, e sim superstição. Embora a cultura  Yorubá sirva de fundamento às religiões afro-brasileiras, o curso não é sobre religião, e sim sobre a mitologia que deu sentido à vida das pessoas na África e na diáspora africana. Além disso, é uma forma de mostrar que a participação dos negros na história do Brasil não se restringe à escravidão, pois as populações africanas trazidas para o país chegaram portadoras de mitos, ciências, tecnologias e conhecimentos que foram incorporados ao cotidiano brasileiro e que ajudaram a formar nossa sociedade. Esse é o diferencial do nosso curso, pois ensinamos a ensinar a África nas escolas - explicou Arthur Baptista que, na esteira do sucesso do curso de extensão, anunciou aulas sobre a cultura dos bantos para 2020.

 

Feira de Africanidades "Kizomba", do Campus Realengo II:

 

 

O evento surgiu em 2015 a partir da necessidade de se reunir diversos trabalhos sobre a cultura negra que estavam sendo feitos no colégio em diversas disciplinas. Outro ponto que culminou na criação da Kizomba foi a ida dos alunos ao Terreiro de Crioulo, tradicional reduto do samba e da cultura negra, localizado nas proximidades do colégio, em Realengo, que resultou  na produção de um documentário.  O Terreiro de Crioulo organiza mensalmente uma roda de samba para mostrar a beleza da cultura negra.

 

A Feira de Africanidades, que acontece sempre no mês de novembro, tem caráter multidisciplinar e é aberta à comunidade.

 

O evento anual reúne uma diversidade de atividades, incluindo oficinas de artes, de culinária, produções artesanais de bonecas e turbantes, rodas de samba, apresentações de capoeira e jongo, sessões de filmes, além de palestras e mesas redondas sobre as culturas africana e afro-brasileira.

 

- Nossos estudantes se reconhecem na atividades e temas discutidos, e demandam sempre mais desses assuntos. A Kizomba surge, então, ao final dos anos letivos, como um momento de catarse e de construção coletiva do empoderamento de negros e negras e seus saberes. A aceitação do evento é enorme: todos os anos, desde a primeira edição, cerca de duas mil pessoas participam da feira, entre alunos, ex-alunos, funcionários e familiares. A cada ano que passa a adesão pelos estudantes aumenta, e a feira é ampliada - disse uma das professoras organizadores da Kizomba,Gabriele Liaño, que leciona Ciências e Biologia no colégio.

 

Evento "Sawabona", do Campus São Cristóvão I:

 

 

Campus São Cristóvão I desenvolveu, em setembro de 2019, um evento multidisciplinar inspirado nas saudações Sawabona (que significa "Eu respeito e valorizo você") e Shikoba(Eu sou bom e existo para você), utilizadas entre tribos do sul da África.  A programação contou com atividades de artes, literatura e história e ainda com o trabalho da equipe de Educação Física com o tema" Vivendo a África, seus jogos e suas brincadeiras", em que os pequenos alunos do 3° ano do Ensino Fundamental puderam aprender sobre a cultura africana de forma lúdica e divertida:

 

- Esse trabalho já faz parte da nossa proposta pedagógica e foi ótimo incluí-lo também no Sawabona. A cada brincadeira realizada, contextualizamos as características de um determinado país africano, com suas histórias de luta, resistência, músicas, danças e belezas naturais. O intuito é romper a visão estereotipada da África e retratar sua incrível diversidade, formando pessoas que respeitem e valorizem as diferenças e que também reconheçam suas origens. Conhecer mais sobre os povos africanos, é conhecer mais sobre nós mesmos, nossas raízes e nossa formação identitária  - disse a professora de Educação Física de SCI, Catharina Romeiro.

 

 

 

Projeto "Potere: o lugar da mulher negra no Colégio Pedro II", do Campus São Cristóvão II:

 

Criado em 2018, o projeto pretende investigar a vivência e registrar o cotidiano de meninas, adolescentes, professoras, servidoras e funcionárias terceirizadas negras no Colégio Pedro II, fazendo uso de pesquisas e processos artísticos audiovisuais como exposições fotográficas, produção de filmes, além de debates e rodas de conversas. 

 

 

A iniciativa surgiu por sugestão da estudante Lauanny Brandão, que, na época, cursava o 9º ano do Ensino Fundamental em SCII, quando sentiu a necessidade de desenvolver um projeto em prol da visibilização e da autoestima das mulheres negras do colégio.

 

- A intenção é trazer à tona o debate sobre situações cotidianas vividas pelas mulheres negras que estudam e trabalham no colégio, que vão desde tópicos como beleza e autoestima até temas como exclusão social e racismo. É uma forma de acolher e valorizar as mulheres, que têm se sentido à vontade para expor suas experiências e questionamentos.  Já fizemos uma exposição de fotos, baseada na valorização da beleza negra, e também vamos produzir um documentário sobre esse coletivo - destacou a coordenadora do projeto, a professora de Artes Visuais de SCII, Carine Castilho.

 

 

 Mostra "Pérola Negra", do Campus São Cristóvão III:

 

 

Parte do projeto "Resgate da Autoria Negra na Literatura Brasileira", a mostra surgiu em 2017 após a realização de um festival de poesia aberto aos estudantes de SCIII. Sua proposta é incentivar a participação de estudantes negros no ambiente escolar, por meio da produção de obras literárias e criativas. A iniciativa tem sido tão bem sucedida que, em 2018, foi lançado o livro "Pérola Negra", com a compilação de textos produzidos por estudantes autodeclarados negros.

 

-  Com o Pérola Negra, estimulamos a produção, a divulgação, a autoestima e o desejo de conhecer autores e autoras negros silenciados ao longo dos anos. Fala-se da trajetória de cada um deles, dos desafios, de um falar comprometido e preparado para tratar da diáspora, da ancestralidade, da língua e da literatura do povo preto, tantas vezes ignorada ou deturpada em nossa sociedade. Os jovens autores vão ganhando cada vez mais confiança e autonomia porque, dente outros aspectos, veem suas histórias na vida dos autores que vieram antes - ressalta o professor de Português de SCII e um dos idealizadores da iniciativa, Hélio Santos.

 

 

 

Oficina "Mulheres negras e literatura", do Campus Tijuca II:  

 

 

A iniciativa, que teve início em novembro de 2015,  visa à ampliação do universo literário dos (as) estudantes com conhecimentos sobre a literatura de mulheres negras no ambiente escolar.  A partir das obras selecionadas, são discutidos temas relativos à cultura negra e às experiências vividas no cotidiano. Criada pela professora de português do Tijuca II, Sílvia Barros, a oficina também preza pela construção de um espaço de identidade racial no qual alunos e alunas se sintam ouvidos e representados:

 

- A oficina é um espaço para a livre expressão. É um momento em que pessoas podem se encontrar para conversar sobre a potência das produções literárias criadas por autoras negras - afirmou Sílvia, que também coordena o Neabi do CPII.

 

 

 

Esther Medina - Setor de Comunicação Social do Campus Tijuca II

Assessoria de Comunicação Social

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