Neab completa 2 anos

 

 

 

Promover o desenvolvimento de políticas de diversidade étnico-racial e estimular a igualdade e valorização das populações de origem africana e indígena. Com esta finalidade, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) do Colégio Pedro II foi criado em 2013. À frente da coordenação do núcleo, Alessandra Pio conta nesta entrevista um pouco sobre o caminhar do Neab nesses dois anos, destacando os avanços e os desafios pela frente.

 

O Neab completou dois anos em 2015. Como ele contribuiu para a educação das relações étnico-raciais no CPII?

O Neab foi criado institucionalmente no final de 2013. Mas ele só existe porque já havia um movimento de alguns professores negros dentro da Instituição nesse sentido. Esses professores trouxeram essa demanda em várias gestões anteriores, até que o professor Oscar Halac apoiou a criação do Neab, encarregando os professores de darem segmento aos trabalhos. No final de 2013, tivemos nossa primeira reunião e daí criou-se um Grupo de Trabalho provisório para construção de um regimento. A dificuldade que encontramos na época deveu-se ao fato de que os Neabs são pensados para universidades, para auxiliar na formação de profissionais que têm que lidar com a aplicação da Lei 10.639. A preocupação que tivemos naquele momento de formação do Neab foi utilizar os regimentos que já existiam e adequá-los a nossa realidade. Fizemos visitas a todos os campi para conversar com professores, alunos, servidores, terceirizados. Nelas, perguntávamos sobre a implementação da Lei e percebemos certo desconhecimento. Nesse período também tivemos avanços maravilhosos. Conseguimos fazer boas parcerias, como a com Direção de Culturas. Sem ela, não teríamos conseguido ganhar o 10º Prêmio Construindo a Igualdade de Gêneros, onde colocamos os trabalhos desenvolvidos no I Circuito Cultura Afro-brasileiro, trazendo como foco a representação da mulher negra na mídia, nas artes cênicas, no mercado de trabalho. Ganhamos um prêmio de 10 mil reais para a realização do próximo Circuito.

 

Como fortalecer o debate sobre as questões étnico-raciais na escola?

O currículo do CPII é muito denso e eurocentrado. Se se fala numa África independente da colonização, as pessoas não conseguem entender o sentido do que se está falando. É preciso estudar a África fora do olhar do Brasil colônia, antes da colonização portuguesa. Ainda é difícil colocar a figura dessa pessoa negra, trazida da África para cá, como colonizadora e como protagonista de cultura e de linguagem. Fazer isso é ajudar a criança negra, que está começando a estudar, a entender que ela é linda, que ela vem de uma tradição belíssima. Quando só mostramos o negro escravizado, que criança vai achar que aquilo é algo que ela queira se identificar? Temos professores que trabalham muito essa questão, mas precisamos de reforço institucional nesse sentido.

 

Quais as frentes de atuação do Neab?

Dividimos algumas tarefas em frentes de trabalho. Uma cuida da reelaboração/discussão do Regimento Interno; outra se tornou o GEPARREI (Grupo de Pesquisa, Estudos e Ações sobre Racismo e Relações Étnicorraciais e Indígenas) e a terceira trata de Cultura, promovendo eventos, palestras e “cineabs”, onde trazemos algum filme para debater com os alunos, levantar polêmicas, desconcertar. No Brasil, o racismo sempre foi muito silencioso e precisamos trazer uma imagem que choque e gere o debate. Também realizamos os circuitos que são como uma culminância anual onde professores e alunos trazem propostas de participação.

 

Como foi a experiência com o I Circuito Cultural Afro-Brasileiro?

No I Circuito, em 2014, promovemos uma injeção de temas afro-brasileiros através de atividades nos campi. Sentimos algo muito bacana. Não é necessário partir primeiro para a formação do professor. Podemos falar com nossos alunos e tê-los se mobilizando. E foi isso o que aconteceu. Sentimos uma comoção e necessidade deles de conversarem sobre esses temas. Eles se organizaram e buscaram os representantes do Neab, disponíveis em alguns campi, sempre que precisaram.

 

O que podemos esperar do II Circuito Cultural Afro-Brasileiro?

Neste ano o tema é “Caminhos da Diáspora” que trata dessas sementes que nossos ancestrais deixaram e estão fazendo história. No II Circuito vamos dar mais autonomia para os alunos, que acabaram protagonizando o I Circuito. Eles estão construindo o Eco Negro – Encontro de Coletivos Negros, pontuando os temas mais importantes a serem trazidos com a presença de ícones do movimento negro. Na nossa ancestralidade, o conhecimento é passado em rodas de saberes. É pela conversa que passamos conhecimento. No ano passado isso deu muito certo e rendeu mais do que imaginávamos. Percebemos que essa ligação ancestral funciona.

 

 

 

Bianca Souza - Coordenadoria de Comunicação Social

 

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