Entre paisagens e distâncias: O jogo Geoguessr e seu potencial para a construção do pensamento conceitual nas aulas de geografia

Daniel Luiz Stefenon

Resumo


O presente relato objetiva apresentar e discutir possibilidades e limites de utilização do jogo online Geoguessr, tanto como uma alternativa didático-metodológica quanto uma ferramenta para a construção conceitual nas aulas de Geografia na educação básica. A experiência que deu origem às reflexões presentes nesse artigo foi realizada com estudantes do quarto ano de um curso de Licenciatura em Geografia, que depois de vivenciarem situações reais de jogo ofereceram depoimentos na forma de um questionário estruturado sobre seu potencial para a motivação e para a aprendizagem dos estudantes. Depois de apresentar uma reflexão essencial sobre possíveis papéis que os jogos pedagógicos podem desempenhar dentro da prática docente como suporte para a construção conceitual, faz-se uma breve caracterização dos principais aspectos do jogo e possíveis adaptações que poderão ser empreendidas a fim de adequar os procedimentos de sua realização a diferentes objetivos pedagógicos. A partir dos referenciais discutidos e dos depoimentos dos participantes da experiência, destaca-se que o jogo possui um potencial significativo para o trabalho com conteúdos escolares, especialmente os que envolvem o estudo das paisagens e a linguagem cartográfica. Considerando tal potencial, conclui-se que a utilização do jogo Geoguessr nas aulas de Geografia tende a promover um canal efetivo para a aproximação dos estudantes com diferentes dimensões do saber geográfico escolar, a partir de uma linguagem de comunicação didática incluída em contextos e repertórios comunicativos comuns em tempos de difusão digital.

Palavras-chave


Geoguessr; Ensino de Geografia; Jogos Pedagógicos; Construção de Conceitos.

Texto completo:

PDF

Referências


BERNSTEIN, B. A estruturação do discurso pedagógico: Classes, Código e Controle. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

_______. Vertical and horizontal discourse: An essay. British Journal of Sociology of Education, v. 20, n. 2, p. 157-173, 1999.

BERTRAND, G. Paisagem e geografia física global: um esboço metodológico. Revista IGEOG/USP, n. 13, 1971.

CASTELLAR, S. A psicologia genética e a aprendizagem no ensino de Geografia. In: CASTELLAR, S. (Org.). Educação Geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Contexto, 2007. p. 38-50.

CAVALCANTI, L. S. A Geografia e a construção de conhecimentos. Campinas: Papirus, 1998.

COUTO, M. A. C. Pensar por conceitos Geográficos. In: CASTELLAR, S. (Org.). Educação Geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Contexto, 2007. p. 79-96.

DARDEL, Eric. O homem e a terra: natureza da realidade geográfica. São Paulo: Perspectiva, 2011.

DUARTE, Ronaldo Goulart. Educação geográfica, cartografia escolar e pensamento espacial no segundo segmento do Ensino Fundamental. 310 f. Tese (Doutorado em Geografia)-Departamento de Geografia/FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

LEONTIEV, A. N. Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil. In: VYGOTSKY, L. S.; LEONTIEV, A.; LURIA, A. R. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1988. p. 119-142.

LIBÂNEO, J. C. O dualismo perverso da educação pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 1, p. 13-28, 2012.

MORAES, Jerusa Vilhena de. A alfabetização científica, a resolução de problemas e o exercício da cidadania: uma proposta para o ensino de Geografia. 246 f. Tese (Doutorado em Educação)-Faculdade de Educação, USP, 2010.

MOREIRA, A. F. B.; KRAMER, S. Contemporaneidade, educação e tecnologia. Educação & Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 1037-1057, out. 2007.

RIBEIRO, M. W; SMANIOTTO, M; GALVÃO, W; TORRES, M. A; STEFENON, D. L. Os jogos pedagógicos no ensino de Geografia. Curitiba: Editora Positivo, 2009.

RUBTSOV, V. A atividade de aprendizagem e os problemas referentes à formação do pensamento teórico dos escolares. In: GARNIER, C.; BEDNARZ, N.; ULANOSVSKAYA, I. (Org.). Após Vygotsky e Piaget: perspectivas social e construtivista, escolas russas e ocidental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. p. 129-137.

SAUER, C. A morfologia da paisagem. In: CORRÊA R. L.; ROZENDAHL, Z. (Org.). Paisagem tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. p.12-74.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

YOUNG. M. F. D. Para que servem as escolas? Educação e Sociedade, Campinas, Unicamp, v. 28, n. 101, p. 1287-1302, 2007.

_______. O futuro da educação em uma sociedade do conhecimento: o argumento radical em defesa de um currículo centrado em disciplinas. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 48, p. 609-623, 2011.




DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v3i6.1662

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 2358-4467

 

Licença Creative Commons

Indexada em: