Desigualdade em tempos de coronavírus: uma análise do ensino a distância à luz da Geografia

Paulo Bastos

Resumo


A presente crise, causada pela disseminação global do coronavírus SARS-CoV-2, impactou de forma contundente a organização dos Estados nacionais. Porém, suas consequências são percebidas de forma desigual por diferentes estratos da população, deixando ainda mais evidente a precariedade dos serviços públicos no Brasil. Impedido de funcionar por força das circunstâncias, o setor da educação observou, a fim de manter uma suposta funcionalidade, setores governamentais e privados recorrerem ao expediente do ensino a  distância, desconhecendo a realidade de parte do alunado, e também as dificuldades de implementação desta modalidade de ensino. Neste artigo, buscarei demonstrar que a adoção desta medida expressa desigualdades sócio- territoriais presentes na sociedade, além de interesses privados na propagação desta modalidade. Considero ainda que essa crise está inserida em uma conjuntura neoliberal de concentração de renda e degradação dos serviços públicos. Finalmente, entendo que este cenário pode e deve ser apreendido à luz da Geografia e seu ensino, posto sua natureza de analisar criticamente a realidade socioespacial e a produção/reprodução do espaço.

Palavras-chave


Pandemia; Neoliberalismo; Políticas Públicas; Geografia; Ensino a Distância.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v7i13.2496

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