“Só se ocupa o que está vazio... O que estava vazio era o diálogo”: a performance das ocupações de escolas

Rafael Sá Rego Azevedo

Resumo


No Brasil, a partir do final de 2015 e durante todo ano de 2016, o movimento estudantil protagonizou uma onda de mobilizações. As escolas ocupadas foram o ponto culminante e o principal símbolo dessa onda de mobilizações. Ocupação de escola(s) é uma ação coletiva em que os estudantes de determinada unidade escolar tomam o prédio, montam acampamento e ficam ali até terem suas reivindicações atendidas. Em 2015, os estudantes de São Paulo adotaram essa tática. Essa mobilização parece ter apontado caminhos para reorganização do movimento estudantil no Brasil. No estado do Rio de Janeiro, as ocupações de escolas da rede pública estadual começaram em março de 2016, após intensa mobilização estudantil. Entre 2016 e 2018, desenvolvi uma pesquisa sobre as escolas ocupadas da rede pública estadual do Rio de Janeiro a partir do estudo de caso de três experiências específicas de ocupação: (1) Colégio Estadual Professor Jamil El-Jaick (CEJE); (2) CIEP 123 Glauber Rocha; e (3) Coordenadoria Regional Serrana II. Essa pesquisa resultou na dissertação de mestrado “A Escola é Nossa”: uma abordagem territorial da experiência das escolas ocupadas, defendida em 2018 na UFF. Pretendo apresentar uma parte dos resultados dessa pesquisa neste artigo, com foco na ideia de performance da ocupação e sua relação com a ideia de práticas espaciais.


Palavras-chave


Escolas Ocupadas; Performance da Ocupação; Práticas Espaciais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v6i12.2570

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