Cartografando segregação na pandemia: a geografia das ausências e o seu papel na produção de materiais didáticos

Tatiana de Souza Ferreira, Eduardo de Oliveira Rodrigues

Resumo


A produção de materiais didáticos é um processo desafiador de construção do conhecimento, especialmente quando consideramos o uso de recursos estatísticos e cartográficos para sua elaboração. Em um contexto de pandemia em que se amplia a pressão pelo contato online com os estudantes, a confecção e envio de materiais didáticos que dialoguem com o momento atual foi um caminho de trabalho que escolhemos. Neste processo, os dados estatísticos e a produção cartográfica foram ferramentas utilizadas na tentativa de debater o COVID-19 considerando as desigualdades regionais nas escalas nacional e municipal da cidade do Rio de Janeiro. A partir da análise, mais do que padrões espaciais de desigualdade e segregação ligados ao COVID-19, diferentes insuficiências encontradas nos dados possibilitaram pensar em uma geografia das ausências, isto é, a possibilidade metodológica de abordar conteúdos, fenômenos e processos socioespaciais a partir da falta, ou seja, daquilo que os dados aparentemente não revelam, não contabilizam estatisticamente, ou mesmo invisibilizam.  Apontamos neste artigo a possibilidade da ausência como categoria de análise geográfica que pode ser usada enquanto recurso na produção de materiais didáticos.

Palavras-chave


Geografia; Estatística; Cartografia; Segregação; Estado.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v7i13.2587

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