Geografia, política educacional e desigualdade: o caso do Programa de Ensino Integral do Estado de São Paulo (2012-2018)

Eduardo Donizeti Girotto, João Victor Pavesi de Oliveira, Bruna Bardi Graton

Resumo


Neste artigo, apresentamos os resultados do projeto Atlas da Rede Estadual de Educação de São Paulo, discutindo a importância das análises socioespaciais no planejamento das políticas educacionais. Analisamos aqui o Programa Ensino Integral (PEI) implementado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEDUC-SP) a partir de 2012. Para tanto, elaboramos mapas correlacionados a diferentes variáveis, demonstrando como tal política pública tem contribuído para ampliar as desigualdades socioespaciais e educacionais, privilegiando unidades escolares localizadas em áreas com as melhores condições estruturais da cidade. Além disso, realizamos entrevistas com ex-alunos e gestores de escolas PEI com o intuito de entender como tais sujeitos compreendem e se apropriam da lógica de funcionamento do Programa, baseado em modelo de gestão focado na responsabilização docente e discente – que culpabilizam os indivíduos que compõem a escola pelo fracasso escolar.


Palavras-chave


Ensino Integral; Desigualdades Espaciais; Neoliberalismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v6i12.2758

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