Estado neoliberal e políticas educacionais: discutindo sobre a formação de professores de geografia no Brasil

Aloysio Marthins de Araujo Junior

Resumo


No Brasil, no início dos anos 1990, ao menos duas importantes medidas de caráter econômico foram impostas: diminuir a influência do Estado sobre as atividades produtivas e aumentar a produtividade por trabalhador. A escola e a educação de modo geral, deveriam também ser reorganizadas, sendo avaliados por sua qualidade e eficiência, com o objetivo de a educação básica formar estudantes capacitados para o mercado de trabalho. Intensificadas desde 2016, estão em andamento algumas ações sobre a educação básica e o ensino superior. Outro dado, é o incremento dos cursos à distância, muitos deles, voltados à formação inicial de professores (tais como a Geografia e a Pedagogia). Isto significa uma maior massificação do ensino superior, mas distante de uma formação integral. Tais reformulações objetivam retirar as responsabilidades do Estado e transferir à iniciativa privada tais encargos. O objetivo deste artigo é discutir a as políticas neoliberais sobre o sistema educacional e a formação de professores de geografia, especificamente. A metodologia desta pesquisa se caracteriza por uma abordagem qualitativa (conceituação, descrição e caracterização) e exploratória, cujos procedimentos indicam-se como bibliográficos, utilizando-se a análise dos resultados de maneira interpretativa (significantes, relações, causas e consequências). Conclui-se, mesmo que ainda parcialmente, que as reformas do Estado brasileiro sobre o ensino, visam criar uma educação utilitarista, menosprezando a formação integral do jovem e do futuro professor; se busca aumentar a participação do setor privado na educação em todos os níveis e, ainda, os professores têm que buscar melhor qualificação individualmente (e não como um projeto coletivo).

Palavras-chave


Estado; Neoliberalismo e Educação; Formação de Professores; Geografia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v7i14.2912

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