O trabalho de campo de geografia escolar como ferramenta de ressignificação do lugar para estudantes periféricos: uma proposta a partir do bairro carioca de Santa Cruz

José Renato Soares Pimenta

Resumo


A importância do trabalho de campo para a Geografia é inconteste. Na Geografia Escolar o trabalho de campo permite ganho num processo de ensino-aprendizagem que busque a aprendizagem significativa, pois abrem-se como possibilidades a averiguação de conceitos abordados em sala de aula, a complexificação da visão de mundo, a ressignificação do lugar, entre outras. Este trabalho tem por objetivo analisar o trabalho de campo de Geografia como procedimento didático que busque a ressignificação do lugar para alunos residentes em áreas periféricas, bem como elaborar uma proposta de uma sequência de trabalhos de campo no bairro de Santa Cruz, localizado no extremo oeste do município do Rio de Janeiro. Tais escolhas de recortes se deram por este autor atuar como professor do Ensino Fundamental numa escola da rede pública na área em tela. A relevância desta pesquisa encontra-se na concepção do trabalho de campo como prática espacial insurgente de ressignificação do lugar, aumentando o sentimento de pertencimento, aguçando o pensamento crítico e empoderando-os com a noção de que suas ações espaciais podem melhorar a qualidade de vida deles próprios e de suas comunidades.


Palavras-chave


Trabalho de Campo; Educação Geográfica; Aprendizagem Significativa; Ressignificação do Lugar; Santa Cruz.

Texto completo:

PDF

Referências


ABREU, Maurício. A evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

ALENTEJANO, Paulo; ROCHA-LEÃO, Otávio. Trabalho de campo: uma ferramenta essencial para os geógrafos ou um instrumento banalizado? Boletim Paulista de Geografia, n. 84, p. 51-67, jul. 2006.

AMANTINO, Márcia; COUTO, Ronaldo. De “curral dos padres” à gigantesca Fazenda de Santa Cruz. In: ENGEMANN, Carlos; AMANTINO, Márcia. (Org.). Santa Cruz: de legado dos jesuítas à pérola da coroa. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013, p. 15-42.

BRASIL. Lista dos bens culturais inscritos no Livro do Tombo (1938-2012). Rio de Janeiro: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 2013. Disponível em: . Acesso em: 22 nov. 2019.

CALLAI, Helena. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, Antônio (Org.). Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2000. p. 83-134.

CAMPOS, Andrelino. Movimentos em estruturas “sócio-espaciais”: em busca dos sujeitos subalternos. In: SILVA, Cátia; CAMPOS, Andrelino; MODESTO, Nilo. Por uma Geografia das existências: movimentos, ação social e produção do espaço. Rio de Janeiro: Consequência, 2014. p. 47-65.

CARLOS, Ana Fani. A privação do urbano e o “direito à cidade” em Henri Lefebvre. In: CARLOS, Ana.; ALVES, Glória.; Padua, Rafael. Justiça espacial e o direito à cidade. São Paulo: Contexto, 2017. p. 33-62.

CAVALCANTI, Lana. A Geografia Escolar e a Cidade: ensaios sobre o ensino de geografia para a vida urbana cotidiana. Campinas, SP: Papirus, 2008.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

CIOCCARI, Carmen. Ensino de Geografia e o trabalho de campo: construindo possibilidades de ensino e aprendizagem sobre o espaço urbano e rural em Júlio de Castilhos/RS. 2013. 91 f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2019.

CLAVAL, Paul. O papel do trabalho de campo na Geografia, das epistemologias da curiosidade às do desejo. Confins, São Paulo, n. 17, 2013. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2019.

CORSO, Adiele. Emoções e Aprendizagem. In: CORSO, Adiele. Neurociência das emoções. Curitiba: UNINTER, 2017. Disponível em: . Acesso em: 23 maio 2019.

DAMAS, Eduardo. Distritos industriais da cidade do Rio de Janeiro: gênese e desenvolvimento no bojo do espaço industrial carioca. 143 f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.

DUARTE, Ronaldo. A linguagem cartográfica como suporte ao desenvolvimento do pensamento espacial dos alunos na educação básica. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 7, p. 187-206, jul. 2017.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

______. Pedagogia do oprimido. 17ª ed., 23ª reimpr. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1994.

GIL, Antônio. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.

LACOSTE, Yves. A pesquisa e o trabalho de campo: um problema político para os pesquisadores, estudantes e cidadãos. Boletim Paulista de Geografia, n. 84, p. 77-92, jul. 2006 [1977].

MAFRA, Marcela; FLORES, Davi. Trabalho de campo no ensino da Geografia na educação básica: dificuldades e desafios para professores. Revista de Ensino de Geografia, Uberlândia, MG, v. 8, n. 15, p. 6-16, jul./dez. 2017.

MAHONEY, Abigail; ALMEIDA, Laurinda. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da Educação, São Paulo, n. 20, p. 11-30, 2005.

MANSUR, André. O Velho Oeste carioca: História da ocupação da Zona Oeste do Rio de Janeiro (De Deodoro a Sepetiba) do século XVI aos dias atuais. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2008. 80p.

MARCONI, Marina; LAKATOS, Eva. Fundamentos de metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MENDONÇA, Francisco. Geografia e meio ambiente. 9ª ed. São Paulo: Contexto, 2014.

NEVES, Karina. Os trabalhos de campo no ensino de Geografia: reflexões sobre a prática docente na educação básica. Ilhéus: EDITUS - Editora da UESC, 2015. 139p.

PRIOSTI, Odalice. Santa Cruz: raízes de um ecomuseu. Rio de Janeiro: O. Miranda Priosti, 2015. 96p.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4ª ed. São Paulo: EDUSP, 2006.

SILVA, Rosauro. A luta pela água. Rio de Janeiro: CEDAE, 1988.

SILVA, Vânia. O bairro de Santa Cruz, RJ: uma configuração socioespacial construída no decorrer do tempo. In: MARAFON, Gláucio; RIBEIRO, Miguel Ângelo (Org.). Revisitando o território fluminense VI. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2017.

SIMIELLI, Maria Elena. Cartografia no Ensino Fundamental e Médio. In: ALMEIDA, R. D. de (Org.) Cartografia Escolar. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2010. p. 71-93.

SOUZA, Marcelo. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2018.

STRAFORINI, Rafael. O ensino de Geografia como prática espacial de significação. Estudos Avançados, São Paulo, v. 32, n. 93, p. 175-195, maio/ago. 2018.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 2ª ed. São Paulo: Cortez Editora, 1986.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.

VESENTINI, José. Educação e ensino da Geografia: instrumentos de dominação e/ou de libertação. In: Ana Fani A. Carlos. (Org.). A Geografia na sala de aula. 9ª ed., 3ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015. p. 14-33.




DOI: http://dx.doi.org/10.33025/grgcp2.v8i14.2972

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 2358-4467

 

Licença Creative Commons

Indexada em: