A poesia da escuta dos paratextos em Regresso a casa

Dulce Helena Melão

Resumo


Este artigo centra-se no papel fundamental dos paratextos no livro-álbum de Akiko Miyakoshi Regresso a casa, encarado como tela onde ecoam representações do silêncio e da ternura, acolhendo os leitores e incrementando o prazer de ler. Assim, o artigo norteia-se pelos seguintes objetivos: i) indagar os modos como os silêncios que permeiam as ilustrações narram reencontros de chegadas a casa, investigando os processos de inferência que deles resultam, motivando as crianças para a leitura; ii) compreender o papel da representação dos espaços erguidos no cruzamento das ruas da cidade com as casas que aí ganham corpo, abrigando quotidianos e rotinas tecidas de solidão e/ou ternura. Para cumprir estes objectivos, centramo-nos nos paratextos do livro-álbum, de modo a descobrir a confluência de vozes e de silêncios que os permeiam, reapresentando-os e valorizando-os como mobilidades do pormenor que captam a imaginação dos leitores. O artigo conclui sublinhando a importância de encarar os paratextos como poesia que dá abrigo a serenidades, permitindo escutar silêncios guardados em espaços do quotidiano. Ao sussurrarem ternuras que alimentam os leitores, os paratextos instigam o prazer de ler, abrindo múltiplos caminhos de fruição que podem ser partilhados com as crianças, reiteradamente, a cada releitura deste livro-álbum.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/ceb.v5i3.3054

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ISSN 2525-2879 

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