Joel Dutra fala sobre gestão de pessoas e diferenças geracionais

 

 

 

 

Confira entrevista com Joel Dutra, professor da Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da USP.


CPII — Atualmente, qual a principal tendência do setor de gestão de pessoas nas organizações?

Dutra – Percebe-se hoje que as pessoas no ambiente de trabalho e na relação com as organizações estão bem mais exigentes, resultado de uma realidade de pleno emprego no país.

CPII – Quais são os principais desafios do setor?

Dutra — Um dos maiores desafios é lidar com uma nova geração que está entrando no mercado de trabalho. Entenda, uma geração é um grupo de pessoas que tem um padrão de valores e forma de ver o mundo particular. Ela surge quando há grandes mudanças no contexto. No Brasil, a mais recente mudança ocorreu nos anos 90. Temos hoje no mercado de trabalho três marcas geracionais atuando juntas.

CPII — Como identificar as marcas geracionais?

Dutra — As marcas geracionais começam antes da Segunda Guerra, com os chamados veteranos. Depois vêm os baby boomers, que nasceram no pós-guerra até o final de década de 60. A geração seguinte é a X que, na Europa e EUA, vai até o final dos anos 70, mas no Brasil persiste até meados dos 80, quando cede lugar à geração Y. Socializada nos anos 90, essa última começou a entrar no mercado de trabalho a partir de 2009.

CPII — Quais as diferenças entre as marcas geracionais?

Dutra — A Geração dos baby boomers foi educada em um ambiente autoritário e mantém uma relação de dever com o trabalho. Já a geração X nasce em um ambiente mais aberto e para ela é muito importante obter satisfação através do trabalho. Ela, porém, foi criada em um ambiente muito competitivo e é muito ciosa dos seus espaços, não sendo muito generosa, que é a característica que marca a geração seguinte, a Y.

CPII — Generosa em que sentido?

Dutra — Na troca de conhecimento e informações. Essa geração também tem uma forma diferente de pensar, que é por agregação. Essa é uma característica positiva porque complementa o trabalho das outras gerações.

CPII — E qual é o maior desafio em lidar com essas três gerações?

Dutra — As gerações não são antagônicas, são complementares. O grande desafio é ajudar as pessoas a compreenderem isso e a importância de trabalharem juntas.

CPII – Além dos conflitos geracionais, qual outro desafio você destaca na gestão de pessoas?

Dutra — A falta de lideranças nas organizações. Isso acontece porque não se investe de forma efetiva no desenvolvimento de lideranças, o que acredito ser um resquício do regime autoritário, que via perigo no surgimento de lideranças. O mercado pouco competitivo de um passado recente do país também contribuiu para isso. No geral, um bom técnico virava gerente e nem sempre ele se apresentava como um bom líder.

 

 

Coordenadoria de Comunicação Social

 

 

 

 

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