Disciplinas do Departamento de Desenho e Artes Visuais

 

 

 

 

 

Desenho

Até o quarto século antes de Cristo, a Geometria- base do Desenho Geométrico- não passava de um conjunto de receitas descobertas experimentalmente, sem o necessário fundamento científico. Com o desenvolvimento da lógica, a Geometria adquiriu uma nova dimensão, apresentando-se de forma organizada e desenvolvendo-se por meio de raciocínio lógico e a partir de suposições simples.


O aparecimento da obra de Euclides, com o estudo das propriedades e relações internas das figuras e corpos geométricos; o estabelecimento de relações das figuras entre si e o estudo dos sistemas de representação, como as projeções ortogonais propostas por Gaspar Monge; e o Programa de Erlanger, que investiga as propriedades das figuras que se mantêm inalteradas mesmo quando expostas a transformações, são etapas históricas marcantes que testemunham a evolução no processo da conceitualização das noções geométricas.


A grande importância do Desenho é, sem dúvida, a coordenação visual (raciocinar e analisar) com os movimentos do corpo e, em especial, as mãos (construir). Esse ato psicomotor de desenhar, realizado com o auxílio de instrumentos tradicionais ou com os recursos da computação gráfica (o que não exclui a fundamentação teórica), desenvolve a coordenação motora e propicia a fixação dos conhecimentos necessários às representações gráficas. Além disso, desenvolve o raciocínio lógico dedutível e a visualização espacial a partir da organização dos espaços bidimensional e tridimensional.


A implantação da disciplina no Colégio Pedro II, assim como nas escolas primárias de todo o império, se deu no final do século XIX, já que os princípios geométricos eram indispensáveis à construção naval (as embarcações eram o principal meio de transporte da época) e à construção civil (setor responsável pela implantação de habitações na corte). Porém, no decorrer dos anos, o Desenho deixou de ter um caráter puramente utilitário e passou a ser entendido como uma linguagem, que melhor permite a representação do concreto e a materialização de uma ideia, sendo portanto, capaz de promover substanciais mudanças na cultura de uma sociedade. É um poderoso agente transformador da personalidade e criador de hábitos fundamentais no cidadão.




Artes Visuais

As manifestações artísticas tem a idade da presença humana na Terra, que inicialmente via nelas a possibilidade de transitar entre o mundo material e o mundo mágico e invisível. Estavam também presentes nas atividades cotidianas, nos adornos corporais, nos artefatos de uso e nos objetos utilizados nos rituais e comemorações. Originalmente, as artes plásticas estavam relacionadas às alterações sofridas pela matéria a partir da manipulação e uso do instrumento original de transformação - as mãos. Assim, podemos divisar sua presença em todos os grupamentos e civilizações do planeta, na diversidade cultural da humanidade. A Arte está presente e imbricada a toda sorte de realizações sejam estas de caráter utilitário imediato ou ainda de feição metafísica e espiritual.


No pensamento ocidental, as primeiras reflexões sobre a essência da obra de arte situam-se na antiguidade, mais precisamente na Grécia, quando os filósofos se debruçaram sobre a cerne do fenômeno artístico e sobre sua significação na existência humana. As mais diversas motivações perpassam esta produção, de maneira não excludente, as quais relacionam-se ao próprio ato de fabricação e de experimentação da matéria, a uma forma de construção de conhecimento, a edificação de objetos simbólicos, e ainda a expressão individual ou coletiva.


As Artes muitas vezes são representações e apresentações que aludem e corporificam um contexto mental simbiótico entre a sociedade e o indivíduo; conhecê-las é estar atento e aberto à reflexão e ao entendimento da multiplicidade do ser humano, pois nos transmitem conjunções diversas de culturas singulares, mas que não obstante, muitas vezes encontram ecos, similaridades, e fascínio em sujeitos separados dessas manifestações tanto temporalmente, quanto espacialmente e culturalmente. Podemos exemplificar esse fato pela sedução que a arte egípcia exerce sobre um vasto número de pessoas.


No Colégio Pedro II a disciplina se estabeleceu no início da década de 1970, logo após a promulgação da lei 5692/1971, que determinava a obrigatoriedade do componente curricular, inicialmente sob a denominação de Educação Artística. A partir de publicação da nova LDB de 1996, a terminologia mudou para Artes Visuais, de maneira a abarcar as novas propostas conceituais que nortearam o ensino da arte a partir da década de 1980, a abrigar também as novas possibilidades advindas do uso de novas tecnologias de visão e fixação da imagem, ampliadas a partir do uso da fotografia.


Atualmente uma parte significativa da produção nas Artes Visuais avança em direção a uma forma que se constitui virtualmente, nos vídeos, nos computadores, nas projeções que desmaterializam o ‘objeto de arte’. É necessário compreender o impacto que essa visualidade traz, a partir de uma perspectiva histórico-cultural, que as conecte com todo o legado da arte para que se possa entender com um olhar arguto esse mundo que se apresenta diante de nós.

 

 

 

 

 

 

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