Engenho Novo I valoriza cultura africana no currículo escolar

Alunos do 5º ano tocando e cantando uma canção popular de Gana no Projeto "Entradas Musicais" com a Profª Elizabeth Mendonça Dau, chefe de Educação Musical no Campus Engenho Novo I

 

O Campus Engenho Novo I valoriza a diversidade e o respeito às diferenças durante todas as atividades desenvolvidas no decorrer do ano letivo. No terceiro semestre de 2015, houve uma especial atenção à cultura afro-brasileira, visando a implementação de forma mais positiva da inclusão no currículo escolar a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira”, de acordo com o previsto nas Leis 10.639/03 e 11.645/08.




FOTO: Trabalho de aluno feito a partir da leitura do livro "O Menino Nito", uma das obras adotadas na aula de Literatura 


Um exemplo são as aulas de Educação Musical, espaço onde os alunos vivenciam os elementos musicais herdados dos povos africanos que vieram para o Brasil durante a escravidão transatlântica. “As diversas etnias africanas que cruzaram o oceano falavam línguas totalmente diferentes, possuíam elementos culturais próprios de cada povo, recriaram seus cantos, ritmos e crenças e acabaram por dar origem a uma nova cultura, a qual chamamos de afro-brasileira”, explica a chefe da equipe de Educação Musical do Campus, Elizabeth Mendonça Dau.


Durante as aulas de música, relata Elizabeth, busca-se conhecer as canções e os ritmos do Brasil, resultado das múltiplas culturas que deram origem ao povo brasileiro.  “A grande maioria de nossos ritmos e danças tem influência direta dos escravos, que para suportar o trabalho forçado e a tristeza de abandonarem suas terras, cantaram, tocaram e dançaram os sons e movimentos trazidos do seu antigo continente”, ressaltou.


Entre as atividades desenvolvidas, Elizabeth destacou a recriação de uma canção que pertence a uma das etnias  de Gana, na África. Os alunos aprenderam a música na língua Ewe, falada pelo povo de mesmo nome. Outro destaque foi a festa junina deste ano, que contou com ritmos de origem africana, como samba, coco e capoeira.



FOTO: "Menina Bonita do Laço de Fita" foi outro livro que valoriza a cultura africana adotado pela disciplina de Literatura do CEI


“Valorizamos a estreita relação que os povos africanos têm com a música e com a dança, buscando dentro de nós mesmos os sons que nos acompanham desde os primeiros momentos de nossa vida. Buscamos estreitar os laços com nossa própria cultura, reconhecendo e estimando as diferenças que existem entre nós e que nos tornam um povo tão cheio de riquezas imateriais”, explicou a chefe da equipe de Música do Campus.


Elizabeth defende que em um país de maioria negra como o Brasil é importante conhecer de forma cada vez mais profunda a cultura dos antepassados. “Principalmente para que nos seja possível caminhar em direção à construção de uma sociedade livre de preconceitos”, observou.


Literatura


Nas aulas de Literatura do Campus, formada pelas professoras Dolores Munaro Vieira, Roberta Moore Pamplona e Lícia Hauer Maciel, utilizou em todos os anos iniciais do Ensino Fundamental materiais do "Projeto Cor da Cultura", inspirados nos valores civilizatórios afro-brasileiros: ludicidade,  corporeidade, oralidade, circularidade, musicalidade, cooperatividade memória, energia vital, religiosidade e ancestralidade. “Esses são saberes e referenciais importantes e precisam ser incluídos nos currículos escolares”, observou a Dolores Murano.


“O fazer pedagógico com uma nova orientação, possibilita aos estudantes de todas as etnias, gêneros e grupos sociais usufruírem das mesmas oportunidades, em igualdade de condições, visando à cidadania plena e o respeito a nossa africanidade”, ressaltou Roberta Moore.



Semana de Cultura Afro-brasileira



FOTO: Exposição de Literatura Brasileira, ocorrida durante a XIII Semana de Cultura Afro-brasileira do Engenho Novo I



O Campus realizou também no final de outubro a XIII Semana de Cultura Afro-brasileira, aberta no dia 27 com a “Exposição de Literatura Brasileira” e apresentações da Cia de Teatro e Dança do colégio Armazém de Ideias e Ações Comunitária (Aiacom), que funciona no bairro Engenho Novo e é mantido pela Sociedade Inteligência e Coração (SIC), dos Freis Agostinianos.


A Cia de Teatro e Dança apresentou quatro espetáculos: o primeiro foi de dança afro “Povos de Omi”, que utiliza a água como ponto de partida para a ação cênica. Omi em yorubá significa água. O espetáculo é uma representação da associação da fertilidade feminina, veículo de ligação e comunicação com as forças da natureza. 


Outro espetáculo apresentado nesse dia foi “Levanta e anda”, que convoca a sociedade, por meio da dança de rua, a marchar por mudanças sociais e assumir o protagonismo e o compromisso de lutar por direitos iguais e por um meio ambiente sustentável e equilibrado, não importando a raça/etnia, classe social, gênero, religião, idade etc.



FOTO: Apresentação da Cia de Teatro e Dança do do Aiacom durante a Semana de Cultura Afro-brasileira


No dia 28 de outubro, a Cia de Teatro e Dança apresentou a peça “Eu vento, tu choves e eles se molham”. O espetáculo contou a história do encontro de vários lenços pendurados em um varal com o vento e a chuva, contextualizando, por meio de músicas e textos, a importância da água no planeta.


Nesse dia também foi apresentado o espetáculo “Cadê a água que estava aqui?”, sátira cômica do cordel que promove um debate sobre o desenvolvimento sustentável a partir do tema “Planeta água nossa sede nossa sede”.

 
A XIII Semana de Cultura Afro-brasileira seguiu durante o mês de novembro com diversas apresentações de teatro, poesia, cordel e desfile de penteado afro. Para comemorar o Dia da Consciência Negra, nos dias 25 e 26 de novembro os alunos do Campus assistiram a espetáculos no Colégio Aiacom.

 

 

Denise Gonring - Coordenadoria de Comunicação Social

 

 

 

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